• Nayara Reynaud

NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações #5 | Argentina + Aruba


NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações #5 | Argentina + Aruba: arte do álbum La Conquista del Espacio (2020), do argentino Fito Páez; e cena do curta-metragem arubano Pariba (2019), de Aramis Gonzalez e Elise van der Linde | Fotos: Divulgação

Chegamos ao quinto episódio da nossa Parada Cultural das Nações, série especial do podcast do site NERVOS que, inspirada pelos Jogos Olímpicos de Tóquio que começam no dia 23 de julho de 2021, reimagina o tradicional desfile das delegações na Cerimônia de Abertura, trocando os atletas pelos filmes, séries e músicos que poderiam representar estes países. Hoje, os destaques são da vizinha Argentina e da caribenha Aruba, com um bônus sobre as antigas Antilhas Holandesas.


*Músicas presentes no podcast: “Brazilian Fantasy (Standard Version)”, de Alexandre de Faria; “Hino da Argentina”, de Blas Parera e Vicente López y Planes; “La Conquista del Espacio”, de Fito Páez; “Hino de Aruba”, de Juan Chabaya 'Padu' Lampe e Rufo Wever; e “Easy Love”, de Orange Grove


Ouça no lugar que você quiser: SoundCloud | Spotify | Deezer | iTunes | Google Podcasts | Orelo | Feed | Download

Confira abaixo a transcrição completa deste podcast:


Parada Cultural das Nações #5

> A partir de 9s


Olá! Sejam bem-vindos ao podcast NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações de número cinco!


Eu sou Nayara Reynaud e seguimos com esta série especial que, inspirada pelos Jogos Olímpicos de Tóquio, que estão logo aí, começando no dia 23 de julho de 2021, reimagina a tradicional Parada das Nações da Cerimônia de Abertura. No lugar dos atletas, são os filmes, séries e músicos que desfilam por aqui, em dicas rápidas que cabem no seu tempo entre o trabalho, estudo, tarefas domésticas, etc. E as delegações culturais de hoje não são tão distantes daqui: temos muito o que falar da vizinha Argentina e, provavelmente, ainda esqueceremos de citar algo importante, enquanto descobrimos o que a caribenha Aruba tem a nos mostrar.

Argentina

> A partir de 58s


Quando se fala em Olimpíadas, a Argentina tem um feito histórico para se vangloriar: ter tido o primeiro atleta sul-americano a competir nos Jogos, o esgrimista Francisco Camet, em Paris 1900. Outros esportistas conterrâneos viriam a participar independentemente das edições seguintes, até o país criar o seu próprio comitê olímpico, em 1923, e acumular, até hoje, um total de 74 medalhas, sendo 21 de ouro e o boxe o esporte responsável pela maioria dessas vitórias. Isso garante aos hermanos o 41º lugar no quadro geral de medalhas dos Jogos Olímpicos de Verão, já que nas de Inverno ainda não conseguiram nada, e também o título de segundo melhor desempenho da América do Sul, atrás justamente da delegação brasileira.


Contudo, se tratando de cinema, são os vizinhos que detém o maior êxito internacional, por já possuírem um Oscar, recebido em 2010 pelo excelente filme O Segredo de Seus Olhos, longa de 2009 (disponível na Amazon Prime Video, Looke, Google Play, YouTube Filmes e iTunes) dirigido por Juan José Campanella. A história da Argentina na Sétima Arte, porém, data de seus primórdios, com as primeiras projeções cinematográficas ocorrendo já em 1896, um ano depois dos irmãos Lumière apresentarem o seu cinematógrafo para o mundo. Tendo, obviamente seus cânones desde os cineastas pioneiros, passando pela era clássica até o primeiro “novo cinema argentino”, em que La Tregua, de 1975 marca a primeira indicação do país ao prêmio da Academia e se torna o primeiro título latino-americano a ser exibido aqui no festival brasileiro de Gramado, a produção local ganha fôlego mesmo após o fim da ditadura, com Camila, de 1984, e A História Oficial, de 1985 (disponível na Netflix), como maiores destaques.


É o prenúncio para a vinda do segundo “novo cinema argentino” nos anos 1990, que viriam a chamar ainda mais a atenção do público internacional, inclusive daqui, nas décadas seguintes. Entre os cineastas mais célebres, estão Fabián Bielinsky, responsável por Nove Rainhas, de 2000; Lucrecia Martel, do clássico La Ciénaga, de 2001, e do recente Zama, de 2017 (disponível no Globoplay, Mubi, Telecine, Google Play, iTunes e Vivo Play); o citado Campanella, que antes havia realizado O Filho da Noiva, em 2001; e Pablo Trapero, cujo último [na realidade, é o penúltimo] trabalho foi o premiado O Clã, de 2015. O hit Relatos Selvagens, de 2014 (disponível no Telecine, Globoplay, NOW, Google Play, Looke, Microsoft e iTunes), foi acompanhado de outros títulos que chegaram por aqui nos anos seguintes, como O Cidadão Ilustre (2016, disponível na Netflix, Google Play, NOW, Vivo Play e iTunes), No Fim do Túnel (2016, disponível no iTunes, Google Play, Microsoft e Looke) e A Odisseia dos Tontos (2019, disponível no Telecine) – este, aliás, conta com entrevista lá no nosso site, onde você pode encontrar várias críticas de filmes argentinos exibidos, ou no circuito ou em festivais, no Brasil, a exemplo Vicenta (2020) que teve no É Tudo Verdade deste ano, Mamãe Mamãe Mamãe (2020), La Quietud (2018) [este sim, o último longa lançado por Pablo Tapero] e O Anjo (2018) que tavam em diversas edições da Mostra em São Paulo, e tantos outros.


A produção televisiva argentina também não nos é estranha, especialmente para quem cresceu vendo telenovelas infanto-juvenis nas décadas de 1990 e 2000. Esse público assistiu, direta ou indiretamente, os êxitos da autora Cris Morena com Chiquititas (1995-2000), Rebelde Way (2002-03) e Floricienta (2004-05) – sim, é a original de Floribella (2005-06) –, que deram origem a essas versões brasileiras de imenso sucesso, e também pode ver atrações do Disney Channel e Nickelodeon, como Violetta (2012-15, disponível no Disney+) e Kally’s Mashup (2017-19, disponível na Netflix). Estes canais por assinatura continuam investindo nessa vocação teledramatúrgica local, assim como o serviço de streaming Netflix também aproveita essa onda, mas há de se ressaltar igualmente as séries adultas que costumam chegar ao Brasil através da HBO, a exemplo de O Jardim de Bronze (2017-), que foi indicado ao Emmy Internacional no ano passado e ganhou uma análise da sua segunda temporada aqui no site.


Falando em premiação, o último hermano a conquistar uma grande vitória internacional foi o músico Fito Páez, ícone do rock argentino que teve canção sua gravada por aqui, a exemplo da versão de Track Track dos Paralamas do Sucesso, e também colaborou com vários artistas brasileiros, como Paulinho Moska e Titãs. Tal qual um atleta veterano que surpreende em um ciclo olímpico, o roqueiro ganhou o seu sétimo Grammy Latino em 2020 e seu primeiro Grammy, na cerimônia norte-americana deste ano, com seu 26º e mais recente disco, La Conquista del Espacio (2020), eleito o Melhor Álbum Latino de Rock ou Rock Alternativo. Aliás, é uma pena que os nossos vizinhos tenham apreciado mais os sucessos do nosso rock nacional do que nós tenhamos descoberto mais sobre o trabalho de Charly García, Soda Stereo e Los Pericos, para ficar só em duas das bandas que tiveram seus hits regravados em português, enquanto muitos por aqui ainda associam a música argentina apenas ao tango, especialmente ao famoso Carlos Gardel, ou à figura emblemática de Mercedes Sosa trazendo a sonoridade folclórica da milonga, do chamamé e outros ritmos.


Hoje em dia, entre as músicas argentinas mais ouvidas nos serviços de streaming pela sua população, o gênero deu espaço a outros, com tendências parecidas com as vistas por aqui. O pop está lá com nomes como TINI, que era a estrela da citada novela Violetta, e Maria Becerra, mas o latin trap invadiu este território com o DJ e produtor Bizarrap, e os cantores DUKI, KHEA, Cazzu ou até na mescla com ritmos locais como a cumbia de L-Gante. Mas deve ter muito coisa boa de fora dessas paradas, assim como do nosso podcast; por isso, já adianto meu pedido habitual para deixar a sua dica, nos comentários deste post ou nas redes sociais, sobre destaques da cultura argentina e de Aruba, que é a nossa escala seguinte nesta viagem.

Aruba

> A partir de 7min14s


Território autônomo do Reino dos Países Baixos, localizado no Caribe, Aruba participou de sua primeira Olimpíada em 1988, dois anos depois de ter se separado das antigas Antilhas Holandesas e obter o status de país. Mesmo disputando todas as edições dos Jogos de Verão desde então, os arubanos seguem de mãos abanando, sem nenhuma medalha, enquanto a citada delegação antilhana, ao menos, obteve uma prata na vela, justamente em Seul 88. Depois que as Antilhas foram dissolvidas e as ilhas de Curaçao e a parte de São Martinho – ou Sint Maarten – se tornaram territórios separados, mas ainda associados ao reino, os atletas de lá competiram de forma independente, sob a bandeira olímpica, em Londres 2012, e pela Holanda, a partir do Rio 2016.


Esta modéstia, por assim dizer, também atinge a produção cinematográfica de Aruba, que só realizou seu primeiro longa-metragem em 2013: o musical dirigido por Juan Francisco Pardo chama-se Abo So, em papiamento, que é a língua oficial das ilhas que é uma mistura, digamos assim, de português, espanhol, crioulo e holandês, ou simplesmente Only You no nome em inglês. Entre os poucos títulos originários de lá, há o recente curta Pariba (2019), disponível on demand no Vimeo, em que os diretores Aramis Gonzalez e Elise van der Linde trazem uma ficção sobre o último carnaval de duas amigas prestes a se separarem, em algo comum que acontece por lá, que muitos vão estudar na Holanda e tudo mais. Estendendo o olhar para os outros territórios insulares, temos Buladó (2020), coprodução representante dos Países Baixos na última corrida para o Oscar de Melhor Filme Internacional, que é ambientada em Curação e dirigida pelo cineasta local Eché Janga, e curtas como Remembering Irma: Voices of St. Martin (2018), rodado em St. Maarten.


Em relação à música, um gênero típico de Aruba é a tumba, mas a região recebe muita influência de outros ritmos caribenhos, bem refletidos na fusão do hip hop da banda Basic One ou do tradicional Grupo di Betico, Landa Henriquez e outras figuras locais. Alguns dos artistas arubanos mais conhecidos internacionalmente fizeram a sua carreira na Europa, como Bobby Farrell, vocalista do famoso grupo de disco music setentista Boney M.; Iwan Groeneveld, integrante do duo pop Spooky and Sue; e o cantor de reggae Wally Warning. Enquanto isso, Curaçao trouxe antes o prestigiado pianista e compositor Wim Statius Muller, cujos passos são seguidos atualmente pelo colega de instrumento Randal Corsen, e hoje o duo de eletrônica Shermanology; e St. Maarten ostenta, por sua vez, o reggae rock da Orange Groove.

Encerramento

> A partir de 10min18s


É hora de dar tchau para o quinto NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações, que viu o desfiles dos estandartes culturais, de outrora e de agora, da Argentina e de Aruba, mais o bônus das informações das antigas Antilhas Holandesas. Dá para ouvir os episódios anteriores desta série e as entrevistas gravadas anteriormente no nosso podcast em qualquer plataforma digital que desejar, pois você encontra o NERVOS no SoundCloud, Orelo, iTunes, Deezer, Google Podcasts, Spotify, no seu feed, para download ou até a transcrição completa do falamos por aqui lá no site, que também conta com as listas das obras e artistas citados em vários aplicativos segmentados, como o Letterboxd e TV Time e as playlists no Spotify e na Deezer, e muito material sobre várias artes, cê sabe. Tem uma sugestão para melhorar nosso podcast, é só enviar um e-mail para nervossite – tudo junto – nervossite@gmail.com, pois queremos atender bem para atender sempre.


Acabou, mas revelo que o capítulo seguinte passará por vários e diferentes lugares: Albânia, Armênia e Angola. Obrigada pela audiência! Gracias! Danki!



=> Leia o nosso Guia Cinéfilo Olímpico de Inverno, publicado em 2018

=> Confira o Guia Cinéfilo Olímpico, publicado em 2016 no Cineweb



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