• Nayara Reynaud

MOSTRA SP 2021 | Um festival entre dois mundos

Atualizado: Nov 8


Pôster da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, ilustrado pela artista brasileiro Ziraldo | Foto: Divulgação (ABMIC)

A 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo chega justamente em um momento em que a sociedade se divide entre a longa vivência da pandemia e a retomada das atividades em uma tentativa de retornar à "normalidade". O limiar dessa fase de transição acaba moldando esta edição do evento, que ocorre de 21 de outubro a 3 de novembro, não apenas pela escolha do formato híbrido, ainda que priorizando o presencial em relação ao virtual, pois dos 157 filmes disponíveis no streaming exclusivo Mostra Play e nas plataformas gratuitas Sesc Digital e Itaú Cultural Play, não contam os maiores destaques desta seleção que traz, por exemplo, os recentes vencedores de Cannes e de Berlim, o francês Titane (2021) e o romeno Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental (2021), nas sessões de abertura conjuntas que acontecem nesta noite de quarta. Realizada no último dia 9, a live de apresentação da Mostra 2021 abriu com a vinheta baseada no pôster assinado por ninguém menos do que o cartunista brasileiro Ziraldo, evocando uma mensagem esperançosa para esta "volta aos cinemas", enquanto a emoção latente revelou que os sentimentos ainda são mistos e múltiplos neste cenário de crise pandêmica e política pelo qual o mundo e, particularmente, o Brasil passam nos últimos anos.


Por isso, quando a diretora do evento, Renata de Almeida, proferiu sua mais típica frase nas coletivas de imprensa recentes de que foi um "ano difícil, mas a seleção está muito forte", o bordão fez mais sentido do que nunca. Em resposta ao NERVOS e a outros jornalistas, a produtora e curadora afirmou que o formato híbrido é o ideal, mas são dois custos que se acumulam. "Se fosse com o online, seria mais fácil para o orçamento, mas a gente fez uma opção de voltar a ocupar a cidade", confessa a organizadora, que destacou também as exibições ao ar livre pela capital paulista, sejam as já tradicionais no Vão Livre do MASP, com as estreias dos filmes nacionais A Viagem de Pedro (2021) e a animação Bob Cuspe, Nós Não Gostamos de Gente (2021), ou a inédita no Vale do Anhangabaú, do documentário Summer of Soul (...ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada) (2021). Ela frisou igualmente a exigência de comprovante de vacinação e uso obrigatório de máscara nas sessões presenciais, que contarão com 50% da lotação na maioria da salas – as exceções são o CCSP - Centro Cultural São Paulo, Biblioteca Roberto Santos e Petra Belas Artes que trabalharão com 100% da capacidade após a decisão da prefeitura de São Paulo de suspender a obrigatoriedade do distanciamento dentro das salas de cinema.


Para Cláudia Pedroso, secretária executiva da pasta de Cultura e Economia Criativa do estado de São Paulo, "o formato híbrido nunca deixará de existir", usando como exemplo a experiência da plataforma estadual gratuita Cultura em Casa, que já teve 7 milhões de visualizações desde o ano passado. Por sua vez, o diretor de investimentos e parcerias da Spcine, Luís Toledo, ressaltou a popularidade do circuito Spcine na cidade. Uma das falas mais contundentes foi a de Claudiney Ferreira, gerente de audiovisual e literatura do Itaú Cultural, pontuando que no panteão de patrocinadores figuram "sempre os mesmos, temos que variar isso aí", conclamando que mais empresas precisam investir em cultura e ciência para "recuperar territórios", enquanto o diretor superintendente do Instituto CPFL, Mario Mazzilli, atestou as parcerias duradouras da instituição com o setor e o gerente regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, salientou a oportunidade que a Mostra oferece para criar "conexões com outros países através do cinema".


Aliás, tal conexão será expandida nesta edição, para além do impressionante número de 23 títulos que concorrem a uma vaga ao Oscar de Melhor Filme Internacional na seleção: A Noite do Fogo (México), Brighton 4th (Geórgia), Clara Sola (Costa Rica), Colmeia (Kosovo), Compartment Nº 6 (Finlândia), Deixe Amanhecer (Israel), Deserto Particular (Brasil), Entre Águas (Malta), Great Freedom (Áustria), Irmandade (Macedônia do Norte), Lamb (Islândia), Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental (Romênia), Medo (Bulgária), Memoria (Colômbia), O Compromisso de Hasan (Turquia), Olga (Suíça), Pedregulhos (Índia), Sanremo (Eslovênia), Sem Deixar Rastros (Polônia), Souad (Egito), Titane (França), Um Herói (Irã) e Yuni (Indonésia). Em parceria com a ACNUR - Agência da ONU para Refugiados, o festival realizará sessões no Museu da Imigração, apresentando longas como o brasileiro Sete Prisioneiros (2021) e o iraniano Pegando a Estrada (2021) para discutir a questão do deslocamento humano forçado. Outro destaque deste ano é que o Prêmio Leon Cakoff será entregue para a atriz Helena Ignez.


Confira a lista completa de filmes e outras informações no site do evento, além de acompanhar abaixo a cobertura diária do NERVOS nesta 45ª Mostra:

Críticas


> A Garota e a Aranha, de Ramon Zürcher e Silvan Zürcher (Suíça)

> Ahed's Knee, de Nadav Lapid (França, Alemanha e Israel)

> Amanhecer, de Dalibor Matanić (Croácia e Itália)

> Antígona 442 a.C., de Maurício Farias (Brasil)

> Armugan, de Jo Sol (Espanha)

> As Bruxas do Oriente, de Julien Faraut (França)

> Assim Como no Céu, de Tea Lindeburg (Dinamarca)

> A Taça Partida, de Esteban Cabezas (Chile)

> Atlântida, de Yuri Ancarani (Itália, França, EUA e Catar)

> Azor, de Andreas Fontana (Suíça, França e Argentina)

> Bergman Island, de Mia Hansen-Løve (França, Alemanha, Bélgica e Suécia)

> Brighton 4th, de Levan Koguashvili (Geórgia, Rússia, Bulgária, Mônaco e EUA)

> Capitães de Zaatari, de Ali El Arabi (Egito)

> Charuto de Mel, de Kamir Aïnouz (França, Argélia e Bélgica)

> Coisas Verdadeiras, de Harry Wootliff (Reino Unido)

> Higiene Social, de Denis Côté (Canadá)

> Imaculada, de George Chiper-Lillemark e Monica Stan (Romênia)

> Irmandade, de Dina Duma (Macedônia do Norte, Kosovo e Montenegro)

> Lidando com a Morte, de Paul Sin Nam Rigter (Holanda)

> Listen, de Ana Rocha de Sousa (Reino Unido e Portugal)

> Lua Azul, de Alina Grigore (Romênia)

> Luz Natural, de Dénes Nagy (Hungria, Letônia, França e Alemanha)

> Madeira e Água, de Jonas Bak (Alemanha, França e Hong Kong)

> Mar Infinito, de Carlos Amaral (Portugal)

> Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental, de Radu Jude (Romênia, Luxemburgo, República Tcheca e Croácia)

> Memória Sufocada, de Gabriel Di Giacomo (Brasil)

> Murina, de Antoneta Alamat Kusijanovic (Croácia, Brasil, EUA e Eslovênia)

> Na Prisão Evin, de Mohammed Torab-Beig e Mehdi Torab-Beig (Irã)

> No Táxi de Jack, de Susana Nobre (Portugal)

> O Atlas dos Pássaros, de Olmo Omerzu (República Tcheca)

> O Cão que Não Se Cala, de Ana Katz (Argentina)

> O Compromisso de Hasan, de Semih Kaplanoğlu (Turquia)

> O Garoto Mais Bonito do Mundo, de Kristian Petri e Kristina Lindström (Suécia)

> Olga, de Elie Grappe (Suíça, Ucrânia e França)

> Os Inventados, de Leo Basilico, Nicolás Longinotti e Pablo Rodríguez Pandolfi (Argentina)

> Pedregulhos, de P.S. Vinothraj (Índia)

> Pegando a Estrada, de Panah Panahi (Irã)

> Regresso a Reims (Fragmentos), de Jean-Gabriel Périot (França)

> SARS-CoV-2 – O Tempo da Pandemia, de Lauro Escorel e Eduardo Escorel (Brasil)

> Souad, de Ayten Amin (Egito, Tunísia e Alemanha)

> Sr. Bachmann e Seus Alunos, de Maria Speth (Alemanha)

> Terra Distante, de Erkan Yazıcı (Turquia)

> Yuni, de Kamila Andini (Indonésia, Singapura, França e Austrália)


Entrevista


> Dan Mirvish, diretor de 18½ (EUA)


Matéria


> Seminário Internacional de Mulheres no Audiovisual, cobertura das mesas “Diversidade – As políticas promovidas pelo CNC / França” e “Mulheres na América Latina e Espanha”

Veja também a lista completa dos premiados nesta 45ª Mostra logo abaixo:

Troféu Bandeira Paulista – Prêmio do Júri Internacional

  • Melhor Filme: Clara Sola (2021), de Nathalie Álvarez Mesén (Suécia, Costa Rica e Bélgica)

  • Melhor Atriz: Wendy Chinchilla Araya por Clara Sola

  • Melhor Ator: Yuriy Borisov por Compartment Nº 6 (2020), de Juho Kuosmanen (Finlândia, Alemanha, Estônia e Rússia)

  • Menção Honrosa: ao documentário Pequena Palestina, Diário de um Cerco (2021), de Abdallah Al-Khatib (Líbano, França e Catar)

*Júri: Beatriz Seigner, Carla Caffé e Joel Zito Araújo, que escolhem entre os mais votados pelo público na Competição Novos Diretores

Prêmio do Público

  • Melhor Documentário Brasileiro: O Melhor Lugar do Mundo É Agora, de Caco Ciocler

  • Melhor Filme de Ficção Brasileiro: Urubus, de Cláudio Borrelli

  • Melhor Documentário Internacional: Summer of Soul (...ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada) (2021), de Ahmir Questlove Thompson (Estados Unidos)

  • Melhor Filme de Ficção Internacional: Onoda– 10 Mil Noites na Selva (2021), de Arthur Harari (França, Japão, Alemanha, Bélgica, Itália e Camboja)

Prêmio da Crítica

  • Melhor Filme Brasileiro: Urubus, de Cláudio Borrelli

  • Melhor Filme Internacional: O Compromisso de Hasan (2020), de Semih Kaplanoglu (Turquia)


Prêmio da Abraccine (Melhor Filme Brasileiro de Diretores Estreantes)

  • A Felicidade das Coisas (2021), de Thais Fujinaga

*Júri Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema: Diego Benevides (CE), Lorenna Montenegro (PA) e Raquel Gomes (MG)


Prêmio Projeto Paradiso

  • Entre Espelhos, com produção de Ailton Franco e roteiro de João Braga

*Todos os diretores que tiveram títulos selecionados para a Mostra Brasil poderiam inscrever um novo projeto para concorrer a um prêmio oferecido pelo Projeto Paradiso, uma iniciativa do Instituto Olga Rabinovich. A bolsa, no valor de R$30 mil, é destinada ao roteirista do projeto em fase de desenvolvimento e inclui ainda mentorias, coaching para o produtor, workshop de audiência e participação em mercados internacionais.



#Cinema #Festivais #MostraSP #45ªMostra

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