• Nayara Reynaud

NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações #9 | Israel + Itália

Atualizado: Mai 26


NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações #9 | Israel + Itália: o duo indie israelense Lola Marsh e cena da 2ª temporada da série italiana A Amiga Genial (2018-) | Fotos: Divulgação

Voltamos a nossa Parada Cultural das Nações, série especial do podcast do site NERVOS que imagina um desfile de delegações artísticas inspirado nas Olimpíadas, que estão prestes a começar no dia 23 de julho de 2021. E neste nono episódio, o destaque vai para Israel – já esclarecendo que, conforme a ordem de apresentação da Parada das Nações que se realizará em Tóquio, a Palestina será destacada bem mais a frente nesta série – e a Itália, com os principais representantes culturais atuais destes países.


*Músicas presentes no podcast: “Brazilian Fantasy (Standard Version)”, de Alexandre de Faria; “Hatikvah” (Hino de Israel), de Naftali Herz Imber e Samuel Cohen; “New Soul”, de Yael Naim; “Only for a Moment”, de Lola Marsh; “Il Canto degli Italiani” (Hino da Itália), de Goffredo Mameli e Michele Novaro; “Zitti e Buoni”, de Måneskin


Ouça no lugar que você quiser: SoundCloud | Spotify | Deezer | iTunes | Google Podcasts | Orelo | Feed | Download

Confira abaixo a transcrição completa deste podcast:


Parada Cultural das Nações #9

> A partir de 9s


Olá! Sejam bem-vindos ao NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações de número nove!


Eu sou Nayara Reynaud e voltamos com a série especial do podcast NERVOS que, embalada pela proximidade das Olimpíadas de Tóquio, cuja cerimônia de Abertura está marcada para 23 de julho de 2021, traz um desfile de delegações não esportivas, mas culturais dos países que participarão do evento. Neste nono episódio, passam por aqui Israel e Itália. E já aviso que, por seguirmos a sequência de apresentação da Parada das Nações desta edição dos Jogos, que se pauta na ordem alfabética japonesa, por causa do país-sede, falaremos da Palestina, que tem a sua própria delegação olímpica, em outra ocasião, bem lá pra frente nesta série, beleza. Por enquanto, ficamos com os destaques culturais israelenses e italianos.

Bandeira de Israel

Israel

> A partir de 1min04s


O Estado de Israel foi instituído em 1948, após uma resolução da ONU do ano anterior que partilhava a região da Palestina, embora, ao longo de décadas, este acordo tenha sido descumprido e novas áreas tenham sido ocupadas pelos israelenses, acirrando o conflito com os palestinos que, em meio àquela tensão constante do Oriente Médio, é reavivado ou atiçado de tempos em tempos, como acontece agora. Não vou entrar em detalhes na questão geopolítica, pois isso é um assunto que cada um de vocês deve pesquisar com calma e com fontes especializadas, tomando em conta, também, que algumas delas estão enviesadas por ene fatores. Mas é impossível não citar minimamente este contexto, que afeta tanto a história olímpica quanto cultural do país, que vamos abordar aqui.


Isso porque Israel participa de sua primeira Olimpíada em 1952, estando presente em todas as edições de verão desde então, com exceção de quando participou do boicote liderado pelos Estados Unidos aos Jogos de 1980, em Moscou, capital da então União Soviética, ali no auge da Guerra Fria; porém, o país tem sua história olímpica marcada pelo assassinato de 11 membros de sua delegação nos Jogos Olímpicos de Munique 1972, por terroristas da antiga organização palestina Setembro Negro. A nação conquista a sua primeira medalha apenas em 1992, com a prata da judoca Yael Arad e, ao longo das edições seguintes, acumula um total de nove medalhas, sendo uma de ouro proveniente da vela, o esporte que lhe deu mais êxitos, e ocupa o 92º lugar no ranking geral da competição. É notável também que para um Estado-nação de pequena extensão territorial e população, mas constantemente envolvido em guerras e com a obrigatoriedade do serviço militar para todos os cidadãos, sejam homens ou mulheres, os israelenses possuam nada menos do que 374 medalhas nos Jogos Paraolímpicos.


Quanto ao cinema israelense, há quem afirme que seu início se deu até antes da independência de Israel, com diretores judeus produzindo filmes que advogavam pela criação do país onde se localizava o seu antigo reino. Mas tão logo houve a criação, a sua criação, de fato, surgem os primeiros estúdios na década de 1950, quando se destacam os nomes dos realizadores Menahem Golan, Efraim Kishon e Uri Zohar. Apesar do célebre Amos Gitaï ter despontado lá nos anos 1980, a produção local ganha mais destaque internacional no século XXI, com O Dia do Perdão (2000) e Kedma (2002), realizados pelo próprio cineasta citado; o trabalho dos colegas Eran Riklis, com Lemon Tree (2008) e Os Árabes Também Dançam (2014); Ari Folman, com Valsa com Bashir (2008); e Nadav Lapid, com A Professora do Jardim de Infância (2014) e o recente Synonymes (2019). É justamente neste período em que ocorre quatro das dez indicações israelenses ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira.


Considerando o que seria o último ciclo olímpico, assim dizendo, outros destaques recentes da delegação cinematográfica israelense foram: o drama Foxtrot (2017); a sátira Tel Aviv em Chamas (2018, disponível no Belas Artes à La Carte); o documentário Na Cabine de Exibição (2019), que passou no último Olhar de Cinema e explica bem a influência midiática no discurso ideológico do conflito na região; e o curta-metragem indicado ao Oscar neste ano, White Eye (2019), em que o diretor Tomer Shushan usa de uma pequena situação envolvendo uma bicicleta roubada para abordar diretamente a questão da xenofobia contra os refugiados, que ecoa universalmente, e igualmente aludir à ideia de posse que marca o embate local entre Israel e Palestina.


Voltando-se para todo o audiovisual, as séries israelenses, primeiro, ficaram conhecidas indiretamente, pois várias delas foram adaptadas em diversos países nas últimas duas décadas, a exemplo de Be’tipul (2005-08) que inspirou a norte-americana Em Terapia (2008-10) e a brasileira Sessão de Terapia (2012-); de Prisoners of War (2010-12), que virou a premiada Homeland (2011-20); e da minissérie Euphoria (2012-13), que gerou a série homônima de 2019, estrelada por Zendaya. Hoje em dia, graças aos serviços de streaming, o público tem acesso direto às produções televisivas do país, como a comédia romântica A Princesa e o Padeiro (2013-), disponível no Amazon Prime Video, que explora as diferenças entre os privilegiados judeus asquenazes, cujas famílias são originárias da Europa, e os trabalhadores judeus mizrahim, provenientes de comunidades antes localizadas no Oriente Médio; e o drama Shtisel (2013-21), presente na Netflix, que mostra a vida de um clã de judeus ultraortodoxos em Jerusalém.


O duo indie israelense Lola Marsh | Foto: Divulgação

Aliás, a música de Israel mescla tanto aquelas advindas de tradições religiosas quanto as seculares, bem como as influências ocidentais e orientais trazidas pelos judeus que imigraram para lá durante sua formação. Vou me abster de elencar os vários gêneros musicais e grandes nomes do passado, porque são muitos e, com certeza, esqueceria alguns, mas cito aqui aqueles que estão no topo das paradas locais das plataformas digitais, neste momento, que são a cantora pop Eden Ben Zaken, o DJ Itay Galo e o cantor de mizrahi Omer Adam. Alguns artistas de lá acabaram encontrando projeção internacional na cena indie, a exemplo da franco-israelense Yael Naïm no final dos anos 2000, da banda Men of North Country, de Tel Aviv, e do duo conterrâneo Lola Marsh, que lançou seu segundo álbum no ano passado e do qual você escuta uma das faixas aí ao fundo.

Bandeira da Itália

Itália

> A partir de 7min04s


Voamos agora rumo à Europa, aterrissando na Itália, país que participou de todos os Jogos Olímpicos da Era Moderna, sejam de verão ou de inverno. Com 124 medalhas acumuladas nas edições de Inverno, que lhe deixam na 12ª posição no ranking geral desta competição, e as 577 nas de Verão, que lhe dão o sexto lugar neste caso, a delegação italiana fica também com a sexta colocação no quadro de medalhas total e histórico de todos os Jogos Olímpicos. Um feito recente, conquistado nas Olimpíadas do Rio 2016, foi ter se tornado a nação mais vitoriosa na esgrima olímpica.


A história do cinema na Itália inicia logo depois do advento do cinematógrafo na vizinha França, mas um ponto essencial dessa linha do tempo é a criação do mítico estúdio Cinecittà, que, embora tenha sido fundado por Benito Mussolini com o intuito de usá-lo para a propaganda fascista, foi palco para grandes produções nacionais e internacionais, realizadas lá após a II Guerra Mundial. É justamente no pós-guerra que emerge o movimento cinematográfico que despontou os filmes do país para o mundo: o neorrealismo italiano. Para quem quer se aprofundar neste período, recomendo dar uma olhada na cinelista especial de Neorrealismo Italiano montada pelo Telecine, que tem vários clássicos do Federico Fellini, por exemplo, ou checar no catálogo do Belas Artes à La Carte, do Sesc Digital e do Mubi, onde se encontra alguns títulos do Michelangelo Antonioni, Luchino Visconti, Pier Paolo Pasolini, entre outros cineastas, até de gerações seguintes como Bernardo Bertolucci ou Ettore Scola. O país, que até recebeu três Oscars honorários antes da criação do prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, inscreveu longas na disputa todos os anos, desde o início da categoria, e venceu 11 estatuetas, sendo a última por A Grande Beleza (2013), de Paolo Sorrentino.


No nosso site você encontra várias críticas de lançamentos italianos deste ciclo olímpico, entre aspas, que estão disponíveis em VOD ou streaming, como os últimos filmes dos veteranos Marco Bellocchio e dos irmãos Taviani (Paolo e Vittorio Taviani), respectivamente o Belos Sonhos (2016, disponível no Looke, Google Play e iTunes) e Uma Questão Pessoal (2017, disponível na Supo Mungam Plus e Microsoft); o longa Dogman (2018, disponível no Telecine e iTunes), de Matteo Garrone; e o aclamado Martin Eden (2019, disponível no NOW e Vivo Play), em que Pietro Marcello adapta o romance de Jack London para o passado da Itália e suas classes sociais. Outras produções recentes que estão nestes serviços são o último candidato da nação ao Oscar, o documentário Notturno (2020), disponível no Mubi; o indicado a Melhor Canção Original, Rosa e Momo (2020), distribuído pela Netflix; ou os últimos trabalhos de Alice Rohrwacher, o curta Four Roads (2020) e o longa Lazzaro Felice (2018), que podem ser encontrados nas respectivas plataformas, enquanto a série A Amiga Genial (2018-), na qual dirigiu dois episódios da segunda temporada, está na HBO GO.


Margherita Mazzucco e Gaia Girace em cena do último episódio da 2ª temporada da série italiana A Amiga Genial (2018-), produzida pela RAI e HBO | Foto: Divulgação (HBO)

Aliás, para mim, esta produção do canal local RAI com a HBO que está adaptando a famosa “Série Napolitana” da escritora Elena Ferrante, maior nome da literatura italiana contemporânea, teria que ser a porta-bandeira desta hipotética delegação cultural da Itália. Isso porque essa segunda temporada de A Amiga Genial, baseada justamente no segundo livro da quadrilogia da autora, foi uma das melhores coisas produzidas na TV no ano passado, e que, infelizmente, só pela diferença de língua, não teve seu devido reconhecimento no Emmy. Então, nem preciso dizer que recomendo muito acompanhar a complexidade da amizade das protagonistas nesta narrativa que também fala sobre as diferenças de classes, o machismo e a máfia na sociedade de Nápoles nos anos 1960, e que conta com atuações, direção, fotografia, enfim, vários elementos primorosos.


Quanto à música italiana, é natural os brasileiros associarem primeiro à tradicional tarantela, mas há muito mais para destacar de lá, desde a importância de seus nomes locais para a história da música clássica e para a ópera: há séculos, eles trouxeram compositores como Antonio Vivaldi, Giuseppe Verdi, Giacomo Puccini e Gioacchino Rossini e, olhando para as décadas passadas, temos os virtuosos tenores Luciano Pavarotti, Andrea Bocelli e até o grupo mais pop Il Volo. Na época de ouro da disco music, o produtor Giorgio Moroder levou a ítalo disco para outros países, junto de nomes como Raffaella Carrà e o cantor de pop rock Umberto Tozzi – aquele da canção Eva, cujas versões em português da Rádio Táxi e da Banda Eva com Ivete Sangalo se tornaram hinos por aqui –, enquanto os DJ’s Gigi D'Agostino e Benny Benassi mantiveram o nome do país na cena eletrônica com a italodance, muito popular no final dos anos 1990 e início dos 2000. Mais ou menos neste período, vários artistas pop de lá fizeram grande sucesso no Brasil, a exemplo de Laura Pausini, que concorreu, aliás, ao último Oscar justamente com Io sì (Seen), canção do citado filme Rosa e Momo, e também os cantores Eros Ramazzotti e Tiziano Ferro. Contudo, quem acaba de conquistar um enorme feito para o país é a banda de rock Måneskin que, com a composição Zitti e Buoni, acabou de ganhar o concurso musical Eurovision ou Eurovisão, sendo a terceira vitória nacional na história da competição, já que os italianos saíram vitoriosos também em 1964 e 1990.

Encerramento

> A partir de 12min43s


E chega ao fim este nono episódio do NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações, que falou sobre os destaques artísticos de outrora e agora de Israel e Itália. Você pode ouvir os episódios anteriores desta série, assim como as entrevistas já realizadas neste podcast, na plataforma de sua preferência, já que estamos na Deezer, Google Podcasts, iTunes, Orelo, SoundCloud, Spotify, no seu feed ou disponível para download. Lá no site, tem a transcrição completa do que falamos neste programa e os links das listas de filmes, séries, músicas e artistas citados ao longo desta Parada Cultural das Nações, nos respectivos aplicativos segmentados Letterboxd, TV Time, Spotify e Deezer. Tendo alguma dica destes e dos outros países que abordamos até agora, é só comentar no post no NERVOS ou nas redes sociais; e alguma sugestão do que podemos melhorar no podcast, o caminho é nosso e-mail nervossite – tudo junto – nervossite@gmail.com, pois queremos atender bem para atender sempre.


No próximo capítulo, desembarcamos nas nações vizinhas do Oriente Médio, Irã e Iraque, combinado. Até mais! Obrigada pela audiência! תודה [Todah]! Grazie!



=> Leia o nosso Guia Cinéfilo Olímpico de Inverno, publicado em 2018

=> Confira o Guia Cinéfilo Olímpico, publicado em 2016 no Cineweb



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