• Nayara Reynaud

NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações #6 | Albânia + Armênia + Angola


NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações #6 | Albânia + Armênia + Angola: cena do curta-metragem Bon Appétit (2017), de Erenik Beqiri; a cantora armênia Sirusho; e o longa angolano Ar Condicionado (2020), de Fradique | Fotos: Divulgação

A Parada Cultural das Nações, série especial do nosso podcast que, no ritmo das Olimpíadas de Tóquio 2020 que estão por vir – a Cerimônia de Abertura está marcada para o dia 23 de julho de 2021, já que o evento foi adiado no ano passado por conta da pandemia de Covid-19 –, apresenta um desfile de delegações culturais de diversos países. Saem os atletas e entram os filmes, músicas, programas de TV, enfim, tudo que representam o passado e o presente das artes nestas nações. E neste sexto episódio, Albânia, Armênia e Angola passam por aqui.


*Músicas presentes no podcast: “Brazilian Fantasy (Standard Version)”, de Alexandre de Faria; “Hino da Albânia”, de Aleksander Stavre Drenova e Ciprian Porumbescu; “Karma”, de Anxhela Peristeri; “Hino da Armênia”, de Mikael Nalbandian e Barsegh Kanachyan; “Zartonk”, de Sirusho; “Hino de Angola”, de Manuel Rui Monteiro e Rui Mingas; e “Vais me Perder”, de Anselmo Ralph


Ouça no lugar que você quiser: SoundCloud | Spotify | Deezer | iTunes | Google Podcasts | Orelo | Feed | Download

Confira abaixo a transcrição completa deste podcast:


Parada Cultural das Nações #6

> A partir de 10s


Olá! Sejam bem-vindos ao podcast NERVOS em Série, na Parada Cultural das Nações de número seis!


Eu sou Nayara Reynaud e este é mais um episódio da série especial que, na esteira das Olimpíadas de Tóquio, que chegam logo mais, traz um desfile de delegações culturais para você. Até falamos brevemente do histórico olímpico dos países que participarão do evento, mas nossa conversa é mesmo sobre o cinema, a música e outras artes dessas nações, de acordo com a ordem de apresentação da Parada das Nações da Cerimônia de Abertura desta edição, marcada para o dia 23 de julho de 2021, na capital japonesa. Por isso, este sexto capítulo olha para os porta-bandeiras e outros destaques da Albânia, Armênia e Angola.

Bandeira da Albânia

Albânia

> A partir de 58s


A primeira participação da Albânia nas Olimpíadas aconteceu em 1972, mas o país europeu se ausentaria das próximas, aderindo a boicotes geopolíticos em alguns casos ou sem uma clara explicação nos outros, retornando aos Jogos somente em 1992. Mesmo estando presente em todas as edições desde então, a nação dos Balcãs não possui nenhuma medalha, fato raro no continente entre aqueles que não são microestados. Vamos ver se os atletas albaneses, que geralmente competem na natação, no atletismo, no levantamento de peso, no tiro e na luta, conseguem reverter essa situação em 2021.


O histórico de seu cinema nacional, ao menos, é mais antigo, com registros da chegada do cinematógrafo em 1897, dois anos depois de sua invenção pelos Irmãos Lumière, mas o território suscetível a invasões durante as Guerras Balcânicas e a ocupação italiana durante a II Guerra Mundial, seguida pelas quatro décadas de ditadura de Enver Hoxha, não favorecia o crescimento da indústria no país. Ainda assim, em 1958, estreia Tana, filme de Kristaq Dhamo que é considerado o primeiro longa-metragem inteiramente produzido pela Albânia. Em 1996, Kolonel Bunker recebeu o prêmio humanitário no Festival de Veneza e inaugura as inscrições da Albânia na disputa ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, enquanto a segunda obra a ser escolhida, Parullat ou Slogans, de 2001, que também abordava o período ditatorial, foi o primeiro título albanês a ser exibido em Cannes. Contudo, Open Door (2020), que foi o último longa a ser submetido pelo país no prêmio da Academia, não conseguiu a inédita indicação ou mesmo vaga na pré-lista.


Cena do curta-metragem Bon Appétit (2017), de Erenik Beqiri | Foto: Divulgação

Isso não quer dizer que não haja representantes do cinema albanês para prestar atenção em outros formatos, e o trabalho do curta-metragista Erenik Beqiri é um exemplo disso. Com um estilo brutal, para dizer o mínimo, o cineasta trouxe, em 2017, Bon Appétit, filme que pode ser visto gratuitamente no Vimeo e exterioriza o canibalismo da fome por poder de, modo assim, não diria surpreendente, mas contundente. The Van, por sua vez, entrou na competição de curtas do Festival de Cannes de 2019 mostrando um rapaz que, literalmente, luta para tentar sair da Albânia junto com seu pai – e também se encontra no Vimeo, em VOD.


Em relação à música, o país herdou as influências da vizinha Grécia e do domínio do Império Otomano, além de criar suas próprias tradições como a iso-polifonia da sua região sul, enquanto na contemporaneidade, essas sonoridades se mesclam às tendências internacionais do pop e do hip hop. É possível conferir isso no trabalho de rappers como Azet, Stresi e FINEM ou no pop de Enca Haxhia, da diva Elvana Gjata ou da atual representante da Albânia no concurso Eurovisão, Anxhela Peristeri, que tenta melhorar o quinto lugar de 2012, melhor posição conquistada pela nação na competição de canções da Europa. Vale dizer que, por conta da grande diáspora albanesa, que abrange toda a etnia e não só a nacionalidade, há artistas de origem albanesa bem conhecidos no mainstream: deixando a maioria que nasceu ou é descendente de kosovares para o futuro episódio em que falaremos do Kosovo e, inexoravelmente, do impacto da guerra por lá, fica a lembrança de que a cantora norte-americana Ava Max é filha de pais albaneses, que saíram de seu país natal após a queda do regime comunista.

Bandeira da Armênia

Armênia

> A partir de 4min45s


Depois de séculos sob o jugo de impérios alheios e o posterior domínio da União Soviética, a Armênia reestabelece sua independência em 1991, o que torna a sua delegação jovem em termos de Olimpíadas. Depois de seus atletas competirem de 1952 a 1988 pela URSS e, em 1992, pelo Time Unificado que reunia as ex-repúblicas soviéticas, o país desfila com sua bandeira, pela primeira vez, em 1996. Em suas seis participações nos Jogos Olímpicos de Verão, os armênios acumularam 14 medalhas, sendo duas de ouro conquistadas na luta, o que lhe dá a 81ª colocação no ranking histórico.


Voltando a influência soviética, ela pontua o nascimento e desenvolvimento da Sétima Arte naquela nação, seja com a instituição do Comitê Estatal Armênio de Cinema, em 1923, e as primeiras obras realizadas naquela década ou cineastas que desafiavam a estética do realismo socialista, como Sergei Parajanov e seu clássico A Cor da Romã, de 1968. Contudo, a primeira inscrição de uma produção armênia no Oscar vai ocorrer apenas em 2001, com Lrutyan Simphonia ou Symphony of Silence, e poucos títulos, a exemplo Should the Wind Drop (2020), selecionado no último festival de Cannes em meio ao conflito na região de Nagorno-Karabakh, no ano passado, despertam a atenção das plateias internacionais. Por aqui, eles chegam espaçadamente através de festivais ou plataformas de streaming segmentadas: são os casos de Limiar (2020), que esteve na última Mostra Internacional em São Paulo, com direito a comentário na cobertura do nosso site; e Mayak ou The Lighthouse, longa de Mariya Saakyan, de 2006, que foi o primeiro dirigido por uma mulher no país, e atualmente se encontra no catálogo do Mubi.


A cantora armênia Sirusho se apresentando | Foto: Divulgação

Com uma tradição de música secular e sacra, a sonoridade folclórica da Armênia transparece ainda no som criado por artistas atuais, sejam residentes ou descendentes espalhados pelo mundo. Uma das maiores estrelas nacionais é a cantora Sirusho, que estando nos palcos desde criança é como se fosse uma Sandy armênia, sabe, sem Júnior – e ainda com o mérito de ter conquistado a melhor colocação do país em um Eurovisão, um quarto lugar em 2008, repetido depois por Aram Mp3 em 2014. E apesar de investir em faixas em inglês, recentemente, são aquelas que evocam a sonoridade folclórica que mais fazem sucesso. Ao mesmo tempo, a banda norte-americana System of a Down, formada por descendentes da diáspora armênia, intensificada durante o genocídio praticado pelo Império Otomano durante a I Guerra Mundial, também faz questão de mostrar essas raízes em um metal alternativo que faz muito sucesso.

Bandeira de Angola

Angola

> A partir de 7min53s


Indo agora para os nossos irmãos lusófonos, Angola consegue sua independência de Portugal em 1975, porém, se vê em meio a uma longa guerra civil que só termina em 2002 e da qual ainda guarda seus traumas. Neste ínterim, manda sua primeira delegação para as Olimpíadas de Moscou 1980, se junta ao boicote do bloco de países comunistas à edição de Los Angeles 1984, volta em 1988 e participa de todos os Jogos de Verão desde então, mas até hoje não conseguiu levar uma medalha para casa. Contudo, o atleta fundista angolano João N'Tyamba possui a marca de ser o primeiro homem no atletismo a competir em seis Olimpíadas, de 1988 a 2008.


Quanto ao cinema, ele desembarca por lá durante o período colonial, com O Caminho de Ferro de Benguela, um curta documental realizado por Artur Pereira em 1913, que é considerado o primeiro registro cinematográfico em Angola, enquanto longas como O Feitiço do Império, de 1940, eram usados como peças de propaganda do Estado Novo Português que, sob o comando de António Salazar, exaltava as glórias do antigo Império, a fim de mantê-las. Quando a guerrilha a favor da independência do país se fortalece no final dos anos 1960, surgem as produções revolucionárias dirigidas pela francesa Sarah Maldoror, o curta Monangambeee, de 1968, e o longa Sambizanga, de 1972. Durante a Guerra Civil, Ruy Duarte Carvalho é um dos poucos cineastas de vulto nacional, enquanto, logo após o conflito, surgem os nomes de Maria João Ganga e Zézé Gamboa, este, responsável pelo premiado O Herói, de 2004, e O Grande Kilapy, de 2011 (disponível no Globoplay), protagonizado pelo brasileiro Lázaro Ramos.


Cena do filme angolano Ar Condicionado (2020), longa de Fradique | Foto: Divulgação

Se a indústria cinematográfica angolana não consegue tomar forma e ainda não inscreveu nenhuma obra na disputa do Oscar de Melhor Filme Internacional, isso não quer dizer que falte inventividade em um de seus mais recentes exemplares, o longa de Fradique, Ar Condicionado. Exibido em um festival internacional online no ano passado, a produção de 2020 está disponível gratuitamente na plataforma de streaming brasileira Filme Filme, onde você pode conferir a inusitada história de dois trabalhadores que precisam obedecer a ordem do patrão em meio a um estranho fenômeno da queda de aparelhos de ar condicionado que matam diversas pessoas no país. Uma premissa de teor fantástico que serve aos comentários sociais sobre as mazelas não superadas da guerra, o conflito de classes e a situação habitacional em uma Angola que tenta buscar sua própria identidade.


O público daqui também pode conferir o filme de ação Santana, que apesar de ter estreado por lá com o título Dias Santana, em 2015, foi relançado com o novo nome ao chegar à Netflix, em 2020. Sendo que, antes, teve a oportunidade de assistir à telenovela Windeck: Todos os Tons de Angola (2012-13), que, após ser indicada ao Emmy Internacional, foi exibida pela TV Brasil em 2014 e reprisada a partir do ano seguinte. Aliás, a atração concorreu ao prêmio em 2013, junto com as novelas brasileiras Lado a Lado (2012-13), que foi levou a estatueta, aliás, e Avenida Brasil (2012), sucesso estrondoso que ajudou a popularizar o kuduro, ritmo musical originalmente angolano, aqui pelas terras tupiniquins.


O gênero criado por Tony Amado – pelo menos, é o que mesmo afirma – tem como destaque atual a cantora Titica, que já se apresentou no Rock in Rio 2017, ao lado da banda brasileira BaianaSystem, e teve Pabllo Vittar gravando um remix de seu single Come e Baza. Hoje em dia, no entanto, o kuduro só perde para outra prata da casa que ganhou o mundo: a kizomba, que, por vezes, mesclada com o pop e o R&B, faz grande sucesso na voz de Anselmo Ralph, C4 Pedro, Anna Joyce e Paulo Flores. Outros nomes de diversas vertentes da música angolana, de agora e outrora, são o rapper Big Nelo, a cantora Aline Frazão, o duo Tchobari, os cantores Waldemar Bastos e Bonga, entre outros tantos que, provavelmente, deixei passar, mas você pode lembrar e dar suas dicas culturais deste e dos outros países citados nos comentários deste podcast, seja no site ou nas redes sociais, combinado?!

Encerramento

> A partir de 12min39s


É tempo de encerrar o sexto NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações, que passeou pela Albânia, Armênia e Angola, apresentando um pouco do cinema, música e da TV destes países. Você sabe que encontra o nosso podcast na Orelo, Google Podcasts, SoundCloud, iTunes, Deezer e Spotify, além do seu feed ou para download. É só escolher e ouvir, pela primeira vez ou de novo, os episódios anteriores desta série especial e as entrevistas realizadas com vários cineastas e atores do audiovisual nacional.


No site, também tem a transcrição na íntegra deste podcast, junto dos links para outros materiais especiais: as listas dos filmes, programas ou músicos citados ao longo desta Parada Cultural das Nações, que estão disponíveis nos aplicativos Letterboxd, TV Time, Spotify e Deezer, assim como os Guias Cinéfilos Olímpicos publicados nas últimas edições dos Jogos Olímpicos de Inverno e de Verão. E vendo algo em que podemos melhorar, é só mandar sua sugestão no e-mail nervossite – tudo junto – nervossite@gmail.com, pois queremos atender bem para atender sempre.


Finalizo adiantando que iremos desbravar Antígua e Barbuda, Andorra e Iêmen no próximo capítulo. Faleminderit! Shnorhakalut’yun! Ou, simplesmente, obrigada pela sua audiência!



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