• Nayara Reynaud

NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações #4 | Ilhas Virgens Americanas + Emirados/EAU + Argélia


NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações #4 | Ilhas Virgens Americanas + Emirados Árabes Unidos (EAU) + Argélia | Fotos: banda de reggae Ake Beka, das Ilhas Virgens Americanas; a série emiradense Justiça (Qalb Al Adala); e o filme argelino Papicha (2019) (Divulgação)

Continuamos com a série especial do nosso podcast, a Parada Cultural das Nações, que inspirada pela proximidade das Olimpíadas de Tóquio, troca os atletas pelos destaques do cinema, música e televisão dos países neste desfile de delegações. Os países ou territórios em foco neste quarto episódio são as Ilhas Virgens Americanas, os Emirados Árabes Unidos e a Argélia.


*Músicas presentes no podcast: “Brazilian Fantasy (Standard Version)”, de Alexandre de Faria; “Hino regional das Ilhas Virgens Americanas”, de Sam Williams e Alton Adams; “Black Carbon”, de Akae Beka feat. Chronixx; “Hino dos Emirados Árabes Unidos”, de Mohammed Abdel Wahab e Ārif al-Shaykh; “Wrong Direction”, de ABRI e Elie Afif feat. Rony Afif; “Hino da Argélia”, de Mufdi Zakariah e Mohamed Fawzi; “El Arbi” (ou “Kilouni”), de Khaled


Ouça no lugar que você quiser: SoundCloud | Spotify | Deezer | iTunes | Google Podcasts | Orelo | Feed | Download

Confira abaixo a transcrição completa deste podcast:


Parada Cultural das Nações #4

> A partir de 9s


Olá! Sejam bem-vindos ao NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações de número quatro!


Eu sou Nayara Reynaud e esta é a série especial que, embalada pela contagem regressiva para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, que terá a sua Cerimônia de Abertura no dia 23 de julho de 2021, depois do evento ser adiado em razão da pandemia de Covid-19, propõe fazer um desfile de delegações culturais no nosso podcast. Até comentamos brevemente sobre o histórico esportivo dos países que competirão, mas o foco aqui são as artes de cada um deles e quem são os destaques atuais que poderiam representa-los. E, de acordo com a ordem alfabética japonesa, que será a adotada na Parada das Nações desta edição, como acontece tradicionalmente com o país-sede da vez nas Olimpíadas, este quarto episódio fala sobre os porta-bandeiras, digamos assim, artísticos das Ilhas Virgens Americanas, dos Emirados Árabes Unidos e da Argélia, como você escuta a seguir.

Bandeira das Ilhas Virgens Americanas

Ilhas Virgens Americanas

> A partir de 1min12s


As Ilhas Virgens Americanas foram ocupadas por diversas potências coloniais, desde a chegada de Cristóvão Colombo ao local, na sua segunda viagem às Américas, em 1493: Espanha, Grã-Bretanha, Holanda, França e, durante um período maior, o Reino da Dinamarca e Noruega dominaram o território até que os Estados Unidos decidissem compra-lo estrategicamente durante a Primeira Guerra Mundial. A colônia norte-americana no Caribe fundou seu comitê olímpico em 1967 e já entrou nas Olimpíadas do ano seguinte, estando em todas as edições de verão desde então, com exceção da de 1980, quando do boicote ao evento sediado em Moscou, em meio àquelas disputas geopolíticas de Guerra Fria. Ao longo das 12 participações – e também considerando os Jogos Olímpicos de Inverno –, as ilhas conquistaram apenas uma prata, com o iatista Peter Holmberg na classe Finn, em Seul 1988, ficando então empatadas com várias nações no 127º lugar do quadro geral de medalhas.


Ao menos, é uma conquista nacional que não pode ser igualmente vista na escassa indústria do audiovisual de lá. Você encontra algumas produções hollywoodianas que usam seu cenário paradisíaco como locação, mas é possível contar nos dedos os títulos produzidos localmente. Pesquisando lá no IMDb e Letterboxd, você acha poucas obras, ainda mais quando se trata de longas: há, por exemplo, o documentário Jamesie, King of Scratch, uma coprodução com outros países de 2007; a ficção Dangers of the Tongue, que é considerado o primeiro longa inteiramente das Ilhas Virgens Americanas, que é de 2008; e o outro doc Code 2600, de 2011, este, inclusive, está disponível no YouTube. A bem da verdade, onde você vai conhecer um pouco mais sobre a localidade é assistindo aqueles programas do Discovery Home & Health, Vida no Paraíso, sabe? Se não me engano, é no Vida no Paraíso: Caribe (2014-), mas também já posso ter visto aqueles americanos que querem fugir do frio e procuram casa por lá no Vida no Paraíso: Ilhas (2014-). Enfim, quem tiver curiosidade, dá uma conferida lá no canal.


O vocalista e fundador da banda de reggae Akae Beka, Vaughn Benjamin | Foto: Divulgação

Enquanto isso, a música floresce nas Ilhas Virgens Americanas: há, é claro, ritmos tradicionais, como o já citado scratch, com bandas típicas, a exemplo da Blinky & the Roadmasters, ou o cariso, que é um precursor do calipso, entre outros. Contudo, o maior destaque vai para a forte cena local de reggae, roots mesmo, de raíz, que se concentra particularmente na ilha de Saint Croix e trouxe a cantora Dezarie e as bandas Bambu Station, Midnite, que originou, por sua vez, a Akae Beka, que você ouve aqui ao fundo – aliás, um nadador olímpico virginense, o Laurent Alfred é o fundador da mais importante gravadora do gênero por lá. O hip hop também cresce nas ilhas e os expoentes que atingiram sucesso nos Estados Unidos são o duo R. City e o cantor e rapper porto-riquenho que cresceu na ilha de Saint Thomas, Verse Simmonds.

Bandeira dos Emirados Árabes Unidos

Emirados Árabes Unidos

> A partir de 4min36s


Indo para o outro lado do mundo, no Oriente Médio, vamos falar agora dos Emirados Árabes Unidos, uma confederação de monarquias árabes, formada por sete emirados, sendo os mais conhecidos pelos brasileiros, em parte por causa das corridas de Fórmula 1, talvez, Dubai e Abu Dhabi. A nação instituída em 1971, só formou seu comitê olímpico no final daquela década e participaria de sua primeira Olimpíada somente em 1984, estando presente em todas as edições de verão desde então. Ao longo dessas nove competições, os emiradenses figuram na 103ª posição do quadro total de medalhas, com duas conquistas: o atirador Ahmed Al Maktoum levou o ouro na fossa olímpica double, em Atenas 2004, enquanto o judoca moldavo naturalizado emiradense Sergiu Toma ganhou bronze no Rio 2016.


Da mesma maneira, a indústria cinematográfica dos Emirados começou a dar seus primeiros passos somente no final dos anos 1980, com telefilmes para a televisão nacional. Foi a partir de 2002 que festivais locais impulsionaram uma geração de curta-metragistas e, em 2005, Al-hilm ou The Dream se tornou o primeiro filme emiradense a ser distribuído nos cinemas do país. Apesar de ser coprodutor de várias superproduções hollywoodianas, a produção genuinamente nacional ainda está desbravando novos terrenos, como na animação Bilal: A New Breed of Hero ou no policial Zinzana, ambos de 2015; na ficção científica pioneira Aerials, de 2016; ou no thriller A Tale of Shadows, de 2017, por exemplo.


Mansoor Alfeeli e Fatima Al Taei em cena da série emiradense Justiça (Qalb Al Adala, 2017) | Foto: Divulgação (Netflix)

Dois destes longas citados estão disponíveis na Netflix, mas não no serviço brasileiro, assim como acontece com a recente série The Platform (2020). Contudo, é possível encontrar no streaming, aqui no Brasil, o primeiro seriado emiradense adquirido pela plataforma: Justiça, originalmente chamada Qalb Al Adala. Dei uma conferida no piloto desta produção de 2017 e dá pra ver que eles buscam tanto o padrão das séries criminais norte-americanas quanto evocam certo melodrama latino, mas as atuações, pelo menos neste primeiro episódio, são bem fracas. Mesmo assim, é interessante ver uma história de protagonismo feminino neste ambiente árabe, ao acompanhar uma jovem advogada que luta para se estabelecer na profissão em seu país, longe da influência do pai.


Musicalmente, os Emirados unem as tradições musicais do Oriente Médio com influências Banto, originárias dos imigrantes africanos, assim como de tantos artistas expatriados, sejam de países vizinhos ou não, que hoje vivem por lá. Alguns nomes que nasceram, de fato, no EAU e fazem grande sucesso no mundo árabe são o cantor Mehad Hamad, o pianista e compositor Hussain Al Jassmi, e a cantora Ahlam. Um destaque entre os que gravam em inglês é Hamdan Al Abri, fundador da banda de soul ABRI, que você confere aí ao fundo.

Bandeira da Argélia

Argélia

> A partir de 7min58s


Seguindo no mundo árabe, mas em direção ao Magrebe, no norte da África, desembarcamos na Argélia, país que, depois de uma longa e penosa guerra pela sua independência do colonialismo francês, conquistada em 1962, entraria nas Olimpíadas de 1964. Presente em 13 Jogos Olímpicos de Verão, a delegação argelina está na 67ª colocação no ranking total por possuir 17 medalhas, sendo cinco delas de ouro e o atletismo o esporte que mais rendeu êxitos nacionais. Sua melhor posição no quadro por edição é o 34º lugar de Barcelona 1992, repetido em Atlanta 1996, mas, neste caso, os argelinos colocaram uma medalha de ouro a mais na conta, em relação à anterior.


Considerando que os filmes rodados na Argélia durante o período colonial refletiam uma visão europeia, o cinema, de fato, argelino emerge logo após sua independência, com Rih al awras ou The Winds of the Aures (1966), premiado como Melhor Primeiro Trabalho no Festival de Cannes de 1967, lugar onde o então cineasta estreante Mohamed Lakhdar-Hamina voltaria para ganhar a Palma de Ouro em 1975 por Crônica dos Anos de Fogo. O contemporâneo Batalha de Argel (1966, disponível no Looke), coprodução assinada pelo italiano Gillo Pontecorvo, rendeu três indicações ao Oscar, mas o país já recebeu quatro através dos seus longas inscritos na disputa de Melhor Filme em Língua Estrangeira, sendo três deles dirigidos pelo franco-argelino Rachid Bouchareb, entre 1995 e 2010.


Se pensarmos na atualidade, o porta-bandeira do cinema argelino seria Papicha (2019), longa de estreia da diretora Mounia Meddour que foi exibido em Cannes, passou na Mostra aqui de São Paulo em 2019, quando escrevi a crítica que está lá no site, foi lançado nos cinemas brasileiros e hoje se encontra disponível no Telecine. O filme retorna ao período da Guerra Civil da Argélia, para mostrar como as tentativas de impor um fundamentalismo religioso massacraram tantas mulheres no local. Aliás, um parêntesis, no NERVOS você também pode ler o texto do documentário Nardjes A. (2020), recente trabalho do cineasta brasileiro Karim Aïnouz que foi em busca das suas origens familiares no país africano e encontrou uma população manifestando melhorias para a sua nação.


Quanto à música, há vários gêneros regionais tradicionais como a clássica nuubaat, a popular chaabi e a folclórica raï. Por sinal, aquele que é considerado o “Rei da Raï”, o cantor Khaled, fez muito sucesso no Brasil com a canção El Arbi – que também pode ser encontrada pelo título Kilouni nas plataformas digitais. A música foi lançada no seu álbum de 1992, mas só veio estourar por aqui na virada ali pros anos 2000, entrando na trilha sonora da novela Vila Madalena (1999-2000), da Globo, e até no saudoso Disk MTV (1990-2006) – e também aqui no podcast, porque eu deixei no fundo pra você relembrar; com certeza, você com mais de 20 anos, conhece essa música. Hoje em dia, há uma grande cena de hip-hop argelino, que por conta da imigração, faz muito sucesso na França e em outros países europeus também, da qual é possível citar os rappers Soolking, Flenn e Didine Canon 16, entre outros.

Encerramento

> A partir de 11min44s


Acaba aqui o quarto NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações, que falou dos expoentes artísticos das Ilhas Virgens Americanas, dos Emirados Árabes Unidos e da Argélia. Saiba que você pode escutar este e os episódios anteriores desta série especial, junto das entrevistas realizadas antes no nosso podcast, na plataforma que preferir: estamos no Spotify, SoundCloud, Orelo, iTunes, Google Podcasts, Deezer, no seu feed e disponível para download. E no site também, que traz a transcrição de tudo que falei hoje aqui, as listas dos filmes, séries e músicos citados, e muito conteúdo de todas essas artes.

Quer comentar sobre algum destaque que deixamos passar sobre esses países, vai lá no post no site ou nas redes sociais e põe a sua dica para nós. Alguma sugestão do que podemos melhorar, então envia um e-mail para nervossite – tudo junto – nervossite@gmail.com, pois queremos atender bem para atender sempre.

Encerramos, mas já adianto que a próxima etapa dessa viagem não será muito longe, pois falaremos da Argentina e de Aruba. Obrigada pela audiência! Thanks! Shukran! Tanemmirt!



=> Veja a lista de filmes citados na série especial Parada das Nações no Letterboxd e no TV Time

=> Ouça a playlist dos artistas citados na série especial Parada das Nações na Deezer e Spotify

=> Leia o nosso Guia Cinéfilo Olímpico de Inverno, publicado em 2018

=> Confira o Guia Cinéfilo Olímpico, publicado em 2016 no Cineweb



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