• Nayara Reynaud

NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações #3 | Azerbaijão + Afeganistão + Samoa Americana


NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações #3 | Azerbaijão + Afeganistão + Samoa Americana | Fotos do curta azerbaijano Qadin / A Woman (2020), de Tahmina Rafaella; do longa afegão O Orfanato (2019), de Shahrbanoo Sadat; e do grupo musical The Katinas, da Samoa Americana (Divulgação)

Desembarcamos nas novas escalas da nossa Parada Cultural das Nações, série especial do podcast do site NERVOS que, na esteira dos Jogos Olímpicos de Tóquio que começam no próximo dia 23 de julho, imagina o tradicional desfile das delegações com os estandartes do cinema, da música e de outras artes dos países que participam do evento. Neste terceiro episódio, desbravamos a cultura e apresentamos os destaques atuais do Azerbaijão, Afeganistão e Samoa Americana.


*Músicas presentes no podcast: “Brazilian Fantasy (Standard Version)”, de Alexandre de Faria; “Hino do Azerbaijão”, de Ahmed Javad e Uzeyir Hajibeyov; “Mata Hari”, de Efendi; “Hino do Afeganistão”, de Abdul Bari Jahani e Babrak Wassa; “Sarab”, de Kabul Dreams; “Hino regional da Samoa Americana”, de Napoleon Andrew Tuiteleleapaga e Mariota Tiumalu Tuiasosopo; e “19”, de The Katinas


Ouça no lugar que você quiser: SoundCloud | Spotify | Deezer | iTunes | Google Podcasts | Orelo | Feed | Download

Confira abaixo a transcrição completa deste podcast:


Parada Cultural das Nações #3

> A partir de 9s


Olá! Sejam bem-vindos ao NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações de número três!


Eu sou Nayara Reynaud e, para quem está chegando aqui só agora, este é o nosso terceiro episódio de uma série especial do podcast do site NERVOS, que aproveita a proximidade das Olimpíadas de Tóquio 2020 para imaginar um desfile de delegações olímpicas não com esportistas, mas sim com os destaques culturais de vários países. São filmes, séries e músicos que poderiam representar suas nações, enquanto você é apresentado à cultura dos mais diversos locais. E seguindo o cronograma da Parada das Nações que será realizada nesta edição dos Jogos Olímpicos, de acordo com a ordem alfabética da língua oficial do país-sede, ou seja, o japonês, quem passa por aqui hoje são os estandartes do Azerbaijão, Afeganistão e Samoa Americana, que você confere a seguir.

Bandeira do Azerbaijão

Azerbaijão

> A partir de 1min03s


O Azerbaijão é uma ex-república soviética, localizada na região do Cáucaso, entre a Europa e a Ásia. Por isso, atletas azerbaijanos competiam os Jogos Olímpicos pela União Soviética, de 1952 a 1988, e depois da sua dissolução, no Time Unificado de 1992, até participarem como país independente, pela primeira vez, em 1996 e estarem presentes em todas as edições até então. Apesar de não ter ganhado nada nas Olimpíadas de Inverno, a jovem nação, no entanto, está no 59º lugar no ranking histórico das edições de Verão, acumulando 26 medalhas e tendo a luta, seja greco-romana ou livre, como o esporte responsável por 14 destes êxitos.


Mudando para a parte cultural, poucos sabem que o Azerbaijão foi um dos primeiros países onde o cinema se desenvolveu, quando ainda pertencia ao Império Russo. Isso graças à vinda do fotógrafo e cineasta pioneiro franco-russo Alexandre Michon à Baku, atual capital do país, após ele se encantar com o invento dos irmãos Lumière, o cinematógrafo, e ser o responsável por aquele que é considerado o primeiro filme azerbaijano The Oil Gush Fire in Bibiheybat (Bibiheybətdə neft fontanı yanğını), de 1898, entre outras películas históricas. Há também notáveis títulos durante o período soviético, mas são obras difíceis de encontrar; e, de certo modo, até as recentes chegam por aqui, só momentaneamente, via festivais ou serviços de streaming mais segmentados.


Cena do curta-metragem azerbaijano Qadin / A Woman (2020), dirigido e estrelado por Tahmina Rafaella (Foto: Divulgação)

No nosso site, por exemplo, você pode ler a crítica do Entre Mortes, longa de Hilal Baydarov que estava na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo de 2020, festival que trouxe o também azeri Fim de Estação (2019), no ano anterior (2019); enquanto o Pomegranate Orchard, de 2017, que foi a última produção a representar o país numa corrida do Oscar já esteve no catálogo do Mubi, mas não se encontra mais. O longa azerbaijano mais fácil de achar, digamos assim, legalmente, aqui no Brasil é o De Quem É o Sutiã?, que está no Belas Artes à La Carte e em outros serviços, mas como esta comédia de 2018 é dirigida pelo alemão Veit Helmer e tem um elenco europeu, achei por bem indicar um curta genuinamente local. Qadin ou A Woman, que foi disponibilizado com legendas em inglês no Short of the Week, é o primeiro curta-metragem da estreante Tahmina Rafaella, que dirige, roteiriza, produz e estrela esta história sobre um dia na vida de uma mulher entre seus afazeres domésticos e profissionais, cujos créditos nunca lhe são dados.


Quanto à música do Azerbaijão, vale ressaltar que o país já venceu o famoso concurso europeu da canção, o Eurovision ou Eurovisão, em 2011, com o duo Ell & Nikki cantando Running Scared. Neste ano, quem representa o país na competição é a cantora Samira Efendi, ou simplesmente Efendi, com a música que você escuta aí ao fundo, chamada Mata Hari, depois de não poder fazer o mesmo na edição passada, cancelada por conta da pandemia de Covid-19.

Bandeira do Afeganistão

Afeganistão

> A partir de 4min23s


Voando em direção ao centro da Ásia, desembarcamos no Afeganistão, país que viria a competir sua primeira Olimpíada em 1936, participando de 14 edições desde então. Aliás, a sua delegação foi banida dos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000, em uma resposta do Comitê Olímpico Internacional ao tratamento do regime Talibã de vetar as mulheres de praticarem esportes, retornando em Atenas 2004, com as duas primeiras atletas femininas afegãs a participarem da competição. Sem nunca ter estado em Olimpíadas de Inverno, nas de Verão, a nação se encontra na 139ª posição no quadro total de medalhas, com apenas dois bronzes conquistados pelo mesmo esportista, Rohullah Nikpai, que conseguiu a mesma façanha no taekwondo de Pequim, em 2008, e Londres 2012, mudando apenas a categoria de peso em que disputou.


Em relação à Sétima Arte, o cinema afegão enfrentou diversas dificuldades para se firmar ao longo do tempo, começando pelo fato do Emir Habibullah Khan ter introduzido a magia cinematográfica apenas na corte real, lá no início do século XX. O primeiro filme a ser produzido no país foi Ishq wa Dosti ou Love and Friendship, em 1946, mas somente em 1968 foi impulsionada uma produção de documentários e cinejornais exibidos antes dos filmes indianos que faziam sucesso com o público local, inspirando uma leva de longas ficcionais que viriam depois. No entanto, as guerras civis e o controle do Talibã impediriam seu desenvolvimento, que aconteceu timidamente desde a entrada neste século, sendo um marco Osama, trabalho de Siddiq Barmak de 2003.


Cartaz do filme afegão O Orfanato, segundo longa da diretora Shahrbanoo Sadat | Divulgação (Supo Mungam Films)

Nossa escolha de porta-bandeira da cultura afegã resume bem tanto a instabilidade política e social do país quanto o encanto local pela telona. É o filme O Orfanato, segundo longa da diretora Shahrbanoo Sadat, que nasceu no Irã, mas cresceu no Afeganistão. A obra que estreou no Festival de Cannes em 2019 e chegou em VOD (disponível no Supo Mungam Plus) ao Brasil, no ano passado, mostra a história de um garoto que, ao ser pego vendendo ingressos de cinema ilegalmente, é mandado a uma instituição, o orfanato do título, e, no seu dia-a-dia, observa as mudanças de uma nação antes totalmente influenciada pela União Soviética para o domínio dos rebeldes mujahidin, enquanto sonha com um escapismo bollywoodiano para seus dramas.


Em outro setor, a música afegã tem seus gêneros típicos, muito influenciados pelas sonoridades persa e hindu, e teve sua época de ouro nos anos 1970, com nomes como Farida Mahwash. Ela é uma dos vários artistas que se exilaram durante os conflitos entre soviéticos e guerrilheiros afegãos e, depois, por causa da Guerra Civil Afegã na década de 1990. Aliás, um destaque atual é uma das raras bandas de rock do Afeganistão, a Kabul Dreams, que foi formada por jovens expatriados que se reuniram na capital, após a queda do regime do Talibã, e fazem esse som que você escuta aí ao fundo.


Bandeira da Samoa Americana

Samoa Americana

> A partir de 7min49s


Continuando essa volta ao mundo, paramos na Oceania, mais exatamente na Samoa Americana, um território não incorporado dos Estados Unidos presente ali na região da Polinésia. O país só teve seu comitê olímpico reconhecido pelo COI em 1987, entrando nas Olimpíadas do ano seguinte, 88, e das outras edições de verão desde então, mas sem ganhar nenhuma medalha. Com apenas uma participação que também passou em branco nos Jogos Olímpicos de Inverno, o maior feito esportivo nacional é um recorde negativo: em 2001, nas eliminatórias para a Copa do Mundo de Futebol de 2002, a seleção da Samoa Americana perdeu de 31 a 0 da Austrália e o resultado até entrou no Guiness Book.


A equipe perdedora, por sinal, foi objeto do documentário britânico O Próximo Gol Leva, realizado por Mike Brett e Steve Jamison em 2014, e que serve de inspiração para a ficção Next Goal Wins, futuro filme do neozelandês Taika Waititi, ainda sem previsão de estreia. Do mesmo modo, apesar de ser possível encontrar títulos rodados no país ou que o tem como tema de interesse, a produção cinematográfica local é ínfima. Para se ter uma ideia, Seki A Oe: A Crazy Samoan Love Story, um longa amador feito por Zena Iese em 2013, é o primeiro longa da Samoa Americana e, contando as coproduções assim nos dedos, o mais recente é o doc The Rogers, de 2020, em que Dean Hamer e Joe Wilson acompanham um grupo de homens trans nas ilhas samoanas.

Encerramento

> A partir de 10min27s


Encerramos o terceiro NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações, focado nos estandartes atuais das artes do Azerbaijão, Afeganistão e Samoa Americana. Você tem acesso a este e aos episódios anteriores desta série especial, assim como as entrevistas já realizadas, nas mais diversas plataformas: Deezer, Google Podcasts, iTunes, Orelo, SoundCloud, Spotify, além do seu feed ou para download. No site, também está disponível a transcrição completa deste podcast, os links das listas das obras e artistas citados até então, em várias redes sociais, e ainda mais conteúdo sobre cinema, TV, música, enfim, cultura no geral.


Sabendo de alguma dica legal que deixei escapar sobre a cultura destes países, é só informar nos comentários, seja no site ou nas redes sociais. E vendo algo em que podemos melhorar, pode mandar a sua sugestão no e-mail nervossite – tudo junto – nervossite@gmail.com, pois queremos atender bem para atender sempre.


That’s all folks! A nossa próxima escala será nas Ilhas Virgens Americanas, nos Emirados Árabes Unidos e na Argélia, beleza! Obrigada pela audiência! Təşəkkürlər! مننه! Faʻafetai!



=> Veja a lista de filmes citados na série especial Parada das Nações no Letterboxd e no TV Time

=> Ouça a playlist dos artistas citados na série especial Parada das Nações na Deezer e Spotify

=> Leia o nosso Guia Cinéfilo Olímpico de Inverno, publicado em 2018

=> Confira o Guia Cinéfilo Olímpico, publicado em 2016 no Cineweb



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