• Nayara Reynaud

NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações #1 | Grécia + Refugiados

Atualizado: há um dia


NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações #1 | Grécia + Refugiados: fotos do curta-metragem Leoforos Patision / Patision Avenue (2018), de Thanasis Neofotistos (Divulgação); e da Orquestra Mundana Refugi (Créditos: Daniel Kersys / Divulgação)

Depois de um longo hiato, o nosso podcast está de volta, mas, enquanto ainda não trazemos as entrevistas costumeiras, retornamos em novo formato, inédito por aqui: o de uma série especial, chamada Parada Cultural das Nações. Como a partir de hoje começa a contagem regressiva de 80 dias para o dia 23 de julho, no qual está marcada a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, que por conta da pandemia de Covid-19 foi adiado para este ano de 2021, por que não se inspirar neste evento e fazer um desfile de delegações, só que em vez de esportivas, culturais? Se não será possível viajar para ver as Olimpíadas – e para os brasileiros, para boa parte do globo – tivemos a ideia de fazer essa volta ao mundo em 80 dias, através do cinema, da música, TV, enfim, dos destaques culturais atuais que poderiam ser os porta-bandeiras desses países.


Vamos seguir, então, a ordem da Parada das Nações, como é oficialmente chamado o tradicional desfile das delegações olímpicas nas cerimônias de abertura e encerramento, conforme será realizada nessa edição em Tóquio, para traçar um breve panorama cultural desses países e dar dicas diárias dos destaques cinematográficos, musicais ou televisivos da atualidade em cada um dos times nacionais reconhecidos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Nem sempre será possível encontrar expoentes de todas essas áreas no caso de lugares que não têm uma indústria cultural bem desenvolvida, mas vamos fazer o máximo nesta maratona olímpica. E começamos, portanto, dando um pulo na Grécia, o berço histórico das Olimpíadas e falamos também sobre os refugiados que novamente terão uma equipe própria, assim como no Rio 2016, edição passada que foi aqui no Brasil, deixou saudade e da qual emprestamos este tema da entrega das medalhas para servir de fundo dessa série especial.


*Músicas presentes no podcast: “Brazilian Fantasy (Standard Version)”, de Alexandre de Faria; “Hino da Grécia”, de Dionýsios Solomós e Nikolaos Mantzaros; “Agria Thalassa”, de Giorgos Sabanis; e “Wassa Wassa (da Quarentena)”, de Orquestra Mundana Refugi


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Confira abaixo a transcrição completa deste podcast:


Parada Cultural das Nações #1

> A partir de 9s


Olá! Sejam bem-vindos ao NERVOS em Série!


Eu sou Nayara Reynaud e, sim, o nosso podcast voltou depois de meses em pausa, mas enquanto as nossas habituais entrevistas continuam no modo de espera, o retorno vem em um formato inédito por aqui: o de uma série especial, chamada Parada Cultural das Nações. Aproveitando o fato de que estamos a exatos 80 dias do início oficial dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, que foi adiado por conta da pandemia de Covid-19 e, se nada mudar, será realizado agora em 2021, com a Cerimônia de Abertura marcada para o dia 23 de julho, por que não se inspirar neste evento e fazer um desfile de delegações, só que em vez de esportivas, culturais? Se estas Olimpíadas de Verão contarão apenas com a presença do público local e de residentes, para evitar a ida de turistas estrangeiros ao Japão, já que a disseminação do vírus ainda não foi controlada, e as viagens internacionais, obviamente, não são recomendáveis – e, aliás, são bem difíceis para nós, brasileiros, neste momento –, tivemos a ideia de fazer essa volta ao mundo em 80 dias, através do cinema, da música, TV, enfim, dos destaques culturais atuais que poderiam ser os porta-bandeiras desses países.


Para quem já conhece o nosso podcast, nosso papo aqui é feito para caber tranquilamente no seu tempo em casa, entre ou durante as suas tarefas domésticas, home office e etc, ou para quem realmente precisa sair neste momento, no intervalo que você tem no almoço ou no transporte, por exemplo. Vamos seguir, então, a ordem da Parada das Nações, como é oficialmente chamado o costumeiro desfile das delegações olímpicas nas cerimônias de abertura e encerramento, conforme será realizada nessa edição em Tóquio, para traçar um breve panorama cultural desses países e dar dicas diárias dos destaques cinematográficos, musicais ou televisivos da atualidade em cada um dos times nacionais reconhecidos pelo comitê olímpico. Nem sempre vai ser possível encontrar expoentes de todas essas áreas culturais no caso de nações que não têm uma indústria cultural bem desenvolvida, mas vamos fazer o máximo nesta maratona olímpica que, sinceramente, espero ter fôlego para completar e não deixar vocês na mão. E começamos, portanto, dando um pulo na Grécia, o berço histórico das Olimpíadas e falamos também sobre os refugiados que novamente terão uma equipe própria, assim como no Rio 2016, edição passada que foi aqui no Brasil, deixou saudade e da qual emprestamos este tema da entrega das medalhas para servir de fundo dessa série especial.

Bandeira da Grécia

Grécia

> A partir de 2min50s


Data do ano 776 antes de Cristo a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Antiguidade, como ficaram conhecidas as competições atléticas, de cunho religioso, que aconteciam na cidade de Olímpia, na Grécia Antiga. A tradição helênica foi a inspiração para o barão francês Pierre de Coubertin capitanear a realização das Olimpíadas na Era Moderna, inauguradas justamente em Atenas, com os primeiros Jogos Olímpicos em 1896, o que garante ao país a tradição de sempre abrir a Parada das Nações nas cerimônias de abertura. A capital grega viria a sediar o evento novamente em 2004 e, durante toda a história dele, a Grécia é um dos únicos quatro países a participarem de todas as edições, ficando no 33º lugar do quadro de medalhas geral de todos os Jogos Olímpicos de Verão, acumulando 116 ao longo do tempo, sendo o atletismo e o halterofilismo os esportes em que os atletas gregos mais ganharam essas medalhas.


Indo para a parte cultural, a produção cinematográfica só se firmou na Grécia após o fim da Guerra Greco-Turca, que aconteceu de 1919 a 1922, mas foi prejudicada pela ocupação do Eixo durante a II Guerra Mundial e se revitalizou depois do término da posterior Guerra Civil Grega. As décadas de 1950 e 60 veriam a era de ouro do cinema grego, com o cineasta Michael Cacoyannis sendo responsável por algum dos maiores êxitos, como Stella, premiado com um Globo de Ouro em 1955, e o clássico Zorba, o Grego, de 1964 (disponível no Telecine), que levou três Oscars. Aliás, dois filmes gregos já venceram a Palma de Ouro no Festival de Cannes: em 1982, Desaparecido: Um Grande Mistério, do célebre diretor franco-grego Costa-Gravas, e em 1998, A Eternidade e Um Dia, de Theo Angelopoulos. E além disso, cinco foram indicados ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, sendo o último deles o prestigiado longa de Yorgos Lanthimos, Dente Canino, de 2009 (disponível no Telecine), que foi um dos marcos do que seria chamado por alguns de “Greek Weird Wave” ou, literalmente, “Onda Estranha Grega” para definir uma leva de obras cujo absurdo desafia um padrão narrativo hollywoodiano, digamos assim, a exemplo do diretor conterrâneo Alexandros Avranas, de Miss Violence (2013, disponível no Looke, Mubi, iTunes, Google Play e Vivo Play) e Não Me Ame (2017).


O filme que escolhemos como porta-bandeira do cinema grego atual é um curta-metragem de 2018, chamado Leoforos Patision ou Patision Avenue. Disponível tanto no Vimeo quanto no Youtube, a obra de Thanasis Neofotistos acompanha um breve, mas intenso momento na vida de uma mãe solteira que, prestes a fazer uma importante audição para uma montagem teatral de Shakespeare, recebe a ligação do filho avisando que está sozinho em casa, atormentando ainda mais o caminho desta mulher em meio à avenida do título, uma famosa via de Atenas que é palco de grandes manifestações no país e que, por vezes, descambam para a violência. Filmado como um plano-sequência, o take único que não revela o rosto da protagonista coloca o espectador na pele dela nesta busca incansável pelo equilíbrio quase impossível entre a vida familiar e profissional, enquanto a sua própria segurança é posta em risco. Não vou falar mais para manter a curiosidade de vocês, tá!


Contudo, há outros destaques nesta delegação cultural grega, quando se fala de música. Provavelmente, o grupo de rock progressivo sessentista Aphrodite’s Child é responsável por apresentar dois dos músicos gregos mais conhecidos mundialmente: o vocalista Demis Roussos, que fez um enorme sucesso nos anos 1970 ao seguir na carreira solo, e o multi-instrumentista Vangelis Papathanassiou, que assinou trilhas sonoras inesquecíveis, como a de Carruagens de Fogo (1981) e Blade Runner – O Caçador de Androides (1982). Localmente, há gêneros folclóricos ou típicos que continuam a fazer sucesso por lá, mas a cena pop e rap são as que mais ganham espaço atualmente entre os ouvintes gregos nas plataformas digitais. Destaco aqui os nomes dos cantores Giorgos Sabanis, um ex-atleta que chegou a participar da Cerimônia de Abertura das Olimpíadas de 2004 e o qual você ouve um dos seus últimos singles aí ao fundo; Josephine, que interpretou a canção finalista do concurso musical Eurovision de 2014; e Stefania, que defende a música que representa a Grécia no Eurovisão deste ano. Mas tem muito mais para desbravar nas ondas sonoras vindas das terras helênicas – e um parêntesis antes de terminar essa parte grega, eu peço perdão por qualquer pronúncia errada dos nomes gregos, tá gente, perdão.

Bandeira olímpica

Time Olímpico de Refugiados

> A partir de 7min51s


Meses antes da realização dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, o Comitê Olímpico Internacional decidiu criar o time de atletas olímpicos refugiados, formado por 10 esportistas asilados fora dos seus países de origem, incluindo dois judocas congoleses que encontraram asilo no Brasil. Foi uma resposta à grave crise mundial dos refugiados, que estava no auge naquele período, mas tampouco está longe de se dissipar, dependendo das consequências desta pandemia em diversos continentes. Uma nova delegação deve ser formada para os Jogos de Tóquio, onde, em vez de desfilarem antes do país-sede, como foi na Cerimônia de Abertura do Rio, virão logo depois da Grécia no início da Parada das Nações.


Quanto à parte cultural, é difícil separar uma delegação cinematográfica dos refugiados, por razões óbvias das limitações que estas pessoas enfrentam ao desembarcar, geralmente ilegalmente, em outros países. Para aproveitar o gancho da sequência do desfile, cito aqui o filme grego Mundos Opostos, longa de 2015 realizado por Christoforos Papakaliatis (disponível no Amazon Prime Video, Looke e iTunes) que mostra o embate de ideais em uma Grécia em crise, ao receber um grande fluxo de refugiados, mas não contar com o apoio da União Europeia para dar uma ajuda a eles. Como a produção que conta com nomes internacionais romantiza um tanto a questão, fica a sugestão de documentários que se debruçam mais sobre o tema e já foram objetos de textos no nosso site, em coberturas de diversos festivais, a exemplo do ótimo A Fuga (2021), animação dinamarquesa que abriu recentemente o É Tudo Verdade 2021; o uruguaio El Gran Viaje al País Pequeño (2019) que foi premiado no Festival de Gramado de 2020; e Human Flow – Não Existe Lar se Não Há Para Onde Ir (2017, disponível no Google Play, Looke, Claro Video e iTunes), realizado justamente pelo artista chinês refugiado Ai Weiwei, que foi exibido na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo de 2017.


Orquestra Mundana Refugi (Créditos: Daniel Kersys / Divulgação)

Na música, os refugiados encontram uma maneira mais viável de se expressar artisticamente. Entre várias reuniões do tipo, a de maior destaque por aqui é a Orquestra Mundana Refugi, formada por músicos brasileiros, imigrantes e refugiados de diversas partes do mundo. Sob a direção musical de Carlinhos Antunes, o grupo toca temas tradicionais da Palestina, Irã, Guiné, Congo e Brasil, além de composições próprias do diretor, que podem ser conferidas em seus dois álbuns, Sessões Selo Sesc #1: Orquestra Mundana Refugi, de 2017, e Caravana Refugi, de 2019, do qual você ouve uma das faixas aí ao fundo.

Encerramento

> A partir de 10min45s


E assim termina o primeiro NERVOS em Série – Parada Cultural das Nações, que destacou o que há de mais interessante no cinema e na música da atualidade na Grécia e dos refugiados, representando o Time Olímpico dos Refugiados, neste caso. É possível ouvir esta, assim como as edições anteriores do nosso podcast, com entrevistas com grandes nomes do audiovisual nacional, na sua plataforma favorita, seja Spotify, Deezer, iTunes, SoundCloud, Google Podcast, no seu feed ou disponível para download lá no site. No NERVOS, você também encontra a transcrição inteira deste podcast, junto de vários conteúdos culturais, inclusive, ligados ao esporte, como o Guia Cinéfilo Olímpico de Inverno, especial que publicamos ali na época das Olimpíadas de Inverno de PyeongChang, em 2018, inspirado no Guia Cinéfilo Olímpico que fiz no Cineweb, para os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.


Numa dica extra, tal qual a seção Conexões Nervosas presente nas nossas entrevistas, quem acompanha aqui o site e os podcasts sabem disso, fica a recomendação para aqueles que sentem falta de notícias dos mais diversos esportes de acompanhar então a cobertura realizada pelo site Surto Olímpico; por lá, também tem uma Parada das Nações, que descreve em detalhes a história geral e olímpica de todos os países. Mas voltando aqui ao NERVOS, você pode deixar nos comentários deste post no nosso site ou nas redes sociais, outras dicas de produtos culturais e artistas imperdíveis gregos ou refugiados, ok. E se viu algo que podemos melhorar, comenta ou escreve para o nervossite – tudo junto – nervossite@gmail.com, pois queremos atender bem para atender sempre.


Por ora, é só. Até a nossa próxima parada que, adianto, será sobre a Islândia e a Irlanda, hein. Obrigada pela audiência! Efcharistó!

=> Veja a lista de filmes citados na série especial Parada das Nações no Letterboxd e no TV Time


=> Ouça a playlist dos artistas citados na série especial Parada das Nações na Deezer e Spotify



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