• Nayara Reynaud

GOLPE DE SORTE, NAZARÉ e TERRA BRAVA | Uma viagem pela teledramaturgia de além-mar


Afonso Pimentel, Luisa Cruz e Carla Andrino durante as gravações da novela portuguesa Nazaré (2019-21) | Foto: Divulgação (SIC)

Diversos fatores corroboraram para que, nos últimos dois anos, uma emissora portuguesa seja campeã de audiência aqui em casa, junto dos canais de assinatura de culinária ou casa e decoração. A curiosidade de conhecer e conversar com uma familiar sobre o seu país de origem, o desejo dos meus pais de um dia viajarem para lá, uma tentativa de evitar maiores discussões ao deixarmos de acompanhar conjuntamente o noticiário brasileiro... Fato é que tudo isso fez com que pudesse me inteirar sobre a teledramaturgia realizada no outro lado do Atlântico, ou pelo menos das produções realizadas pela SIC, que é o canal disponível na minha operadora de TV por assinatura – um mergulho completo teria que considerar as novelas da concorrente TVI, que já ganharam dois Emmys Internacionais, e as prestigiadas séries da RTP, e até por isso, excepcionalmente, escrevo este texto em primeira pessoa para explicar as razões de seu recorte.


Trata-se de algo, relativamente, raro entre os telespectadores no Brasil, até acostumados a prestigiar as telenovelas latinas, especialmente as mexicanas e as infanto-juvenis argentinas, e que só recentemente foi apresentado às produções do gênero turcas e portuguesas, graças à decisão da Rede Bandeirantes de trazer a ficção de volta para a sua grade de programação. Por um lado, essa demora é contextual, pois o isolacionismo do Estado Novo de António Salazar que perdurou em Portugal, mesmo após a Revolução dos Cravos, fez com que o país fosse um dos últimos na Europa a permitir a operação de canais privados de televisão e, somente em 1992 e 1993, a SIC e a TVI, respectivamente, entrassem no ar e viessem a disputar a hegemonia da emissora pública RTP, resultando em um desenvolvimento tardio da teledramaturgia local. Soma-se a isso o fato de que as produções lusitanas precisam ser dubladas na TV ou legendadas, como acontece no cinema, pois os brasileiros não estão habituados ao sotaque e ao falar rápido dos portugueses, fazendo com que as experiências de importar as novelas de lá se tornem raras.


A Band já coproduziu com a RTP a telenovela Paixões Proibidas (2006), escrita pelo brasileiro Aimar Labaki e inspirada nas obras do escritor português Camilo Castelo Branco, mas que amargou uma grande queda do patamar de audiência conquistado anteriormente pela reprise de Mandacaru (1997-98), da extinta Rede Manchete. Em 2019, a emissora exibe Ouro Verde (2017), uma produção da TVI, da então estreante Maria João Costa, que contava com atores brasileiros no elenco – Silvia Pfeifer, Zezé Motta, Gracindo Júnior, Úrsula Corona, Maria Ribeiro, Bruno Cabrerizo e Adriano Toloza – e venceu o Emmy Internacional. O resultado foi mais satisfatório, com a atração elevando os índices do horário, especialmente quanto ao share, ou seja, a parcela do público com a TV ligada naquele momento, e atraindo um faturamento maior dos anunciantes do que o fenômeno de suas antecessoras turcas, o que permitiu outra aposta lusitana, com Nazaré (2019-21), da SIC, que estreia nesta terça (18) no canal e que falaremos mais à frente.


Em contrapartida, nossas novelas, premiadas e apreciadas em todo o mundo, fazem imenso sucesso nas terras de além-mar, em seu áudio original. A RTP transmitia os globais desde a década de 1970 e a TVI já chegou a exibir as produções do SBT, Record, Bandeirantes e Manchete entre os anos 1990 e início dos 2000, mas é a SIC que, por ter uma parceria com a Rede Globo desde a sua criação – o grupo de comunicação brasileiro foi sócio-fundador da emissora portuguesa e, mesmo vendendo os 15% do capital que detinha, continuou comercializando suas atrações e até realizou colaborações que renderam o Emmy Internacional para a novela Laços de Sangue (2010-11), por exemplo –, segue transmitindo nossos sucessos nacionais por lá, já que a SIC Internacional, disponível na TV por assinatura daqui, não pode retransmitir as produções brasileiras. Atualmente, Viver a Vida (2009-10), de Manoel Carlos, e a reta final de Êta Mundo Bom! (2016), de Walcyr Carrasco, são líderes de audiência nas tardes do canal português que, nesta segunda (17), estreia Orgulho e Paixão (2018), de Marcos Bernstein, na mesma faixa, enquanto a trama luso-brasileira de Tempo de Amar (2017-18), de Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago, mantém a liderança deixada por Totalmente Demais (2015-16), de Rosane Svartman e Paulo Halm, até que venha a segunda parte de Amor de Mãe (2019-21), de Manuela Dias.

Um Golpe de Sorte rumo à liderança


A atriz Maria João Abreu em cena da série portuguesa Golpe de Sorte (2019-21) | Foto: Divulgação (SIC)

Voltando a falar da teledramaturgia portuguesa, meu primeiro contato veio com a estreia da série Golpe de Sorte (2019-21), uma aposta da SIC no formato seriado, que já não produzia há anos. A bem da verdade, o elevado número de episódios por temporada faz com que atração se assemelhasse às macrosséries ou mininovelas produzidas pela Globo na última década, como o remake de O Astro (2011) e a original Verdades Secretas (2015).


Ainda assim, para um público acostumado a telenovelas longas, que se renovam por temporadas, a obra assinada por Vera Sacramento garantia um novo ritmo à grade do canal, que se beneficiou muito com o seu lançamento. É certo que a chegada da apresentadora Cristina Ferreira, estrela da concorrente e, então, líder TVI, para as manhãs da SIC alavancou os índices de audiência desde o início do dia, fazendo com que a estação conquistasse a liderança mensal em fevereiro de 2019, após 12 anos no segundo lugar. Mas o sucesso de Golpe de Sorte no horário nobre a manteve no topo, uma posição que a emissora ocupa até hoje, mesmo com o retorno repentino de Cristina à sua “casa” na concorrência, em julho de 2020, e os ajustes na grade – ou grelha, como é dito por lá – durante a pandemia de Covid-19.


Há vários ingredientes que contribuíram para que o público português caísse de amores pela série, começando pelo retorno às raízes proposto após anos de cenários urbanos no ar. Diria que há algo digno das melhores tramas de Walcyr Carrasco na faixa das seis na história de Maria do Céu, uma vendedora de frutas de uma pequena vila que ganha a loteria do Euromilhões, atraindo para si e sua família, muita inveja e ambição, mas também a chance de reencontrar o filho perdido. Comparada com as novelas que eram exibidas pela SIC no mesmo período e que cheguei a conferir alguns capítulos, Vidas Opostas (2018-19), de Alexandre Castro, e Alma e Coração (2018-19), de Pedro Lopes, havia maior qualidade técnica da produção e o texto de Sacramento conseguia equilibrar o drama e o humor em uma narrativa folhetinesca atrativa e sem “barriga”, se contarmos apenas suas três primeiras temporadas.


Outro fator importante era que sua protagonista era interpretada por Maria João Abreu, cuja trajetória na televisão recorda um pouco a de Lília Cabral aqui no Brasil. Com uma carreira consolidada no teatro, especialmente na revitalização do teatro de revista em Portugal, fazia papéis secundários e cômicos de grande sucesso na TV, sendo alçada ao protagonismo somente aos 55 anos de idade, ao dar vida a uma Maria do Céu muito próxima dos telespectadores. Isso explica, aliás, o impacto no público português da recente morte da atriz, no último dia 13 de maio, aos 57, após ser acometida por um aneurisma durante as gravações da novela A Serra (2021-), partindo justamente no auge da sua popularidade.


Retornando à série, é uma pena que, embalada pelo sucesso das três temporadas exibidas quase sucessivamente em 2019, a SIC tenha resolvido insistir em uma desnecessária quarta e última temporada da atração no ano seguinte. Alguns personagens, incluindo o casal protagonista, que Abreu formava com seu ex-marido José Raposo, foram descaracterizados em relação ao seu desenvolvimento anterior e os núcleos de humor diminuíram ou se tornaram mais irrelevantes frente a um tom soturno mais predominante, que destoava daquilo que fora apresentado ao público. A única trama mais interessante foi justamente a dos jovens Lara e Fábio, interpretados por Madalena Almeida e Diogo Martins, mas estes novos coprotagonistas poderiam vir em outra história sem que fosse necessário “estragar”, digamos assim, os tipos originais que fizeram de Golpe de Sorte um produto tão marcante na TV portuguesa.

Golpe de Sorte (2019-21)

Série | 4 temporadas: 1ª com 27 episódios, de 27 de maio a 28 de junho de 2019; 2ª com 52 episódios, de 1º de julho a 9 de setembro; 3ª com 43 episódios, de 15 de setembro a 10 de novembro; 4ª com 116 episódios, de 14 de setembro de 2020 a 20 de fevereiro de 2021 (na SIC em Portugal e SIC Internacional no Brasil)

Plataforma: OPTO (streaming)

Criação: Vera Sacramento | Roteiro: Vera Sacramento, Elisabete Moreira, Roberto Pereira, Ricardo Silveirinha, Susana Tavares, Sebastião Salgado, Ana Vasques e Lígia Dias, supervisão de Sara Simões e consultoria de Sara Rodi

Direção: Carlos Dante, Luís Pamplona e Diego Schliemann

Elenco: Maria João Abreu, Dânia Neto, Jorge Corrula, José Raposo, Manuela Maria, Isabela Valadeiro, Ângelo Rodrigues, Carolina Carvalho, Diana Chaves, Pedro Barroso, Madalena Almeida, Diogo Martins e Mariana Pacheco (veja + no IMDb)


Uma Nazaré longe da grandiosidade de suas ondas


Os atores Carolina Loureiro e José Mata em cena da novela portuguesa Nazaré (2019-21) | Foto: Divulgação (SIC)

A segunda ficção televisiva lusitana que acompanhei do início ao fim foi Nazaré, novela prestes a estrear no Brasil, nas noites da Band, com o fim da reprise de Floribella (2005-06). O título faz menção à cidade litorânea portuguesa que ficou amplamente conhecida por suas ondas gigantes, onde vários surfistas brasileiros, como Maya Gabeira, bateram recordes mundiais, e na qual a história é ambientada; e também ao nome da protagonista vivida por Carolina Loureiro, maior chamariz usado pelo canal paulista para a atração, pelo fato da atriz ser namorada do cantor brasileiro Vitor Kley, cuja música é utilizada na abertura da edição que passará aqui. Apesar de ser uma figura muito carismática, o que pode ser comprovado pela sua participação no júri do reality show A Máscara (2020-), competição musical também exibida pela SIC, a artista ainda se mostra bem “verde” em relação a sua atuação, ainda mais em uma personagem central à trama.


Nazaré é uma mulher forte, aventureira e teimosa que, para conseguir dar o tratamento necessário ao tumor cerebral diagnosticado em sua mãe (Custódia Gallego), que cuidou dela sozinha, aceita a chantagem dos empresários Félix (Albano Jerónimo) e Verónica (Sandra Barata Belo). A missão da jovem, que vive um “relacionamento ioiô” com o trambiqueiro Toni (Afonso Pimentel), um dos melhores tipos desta história, é conquistar o sobrinho do casal inescrupuloso, o playboy Duarte (José Mata), que irá herdar a indústria de móveis da família. Contudo, ela já conheceu e teve uma forte ligação com o rapaz em meio a um grande e criminoso incêndio que atingiu a região e matou o pai dele.


Há um clima das nossas novelas das sete, que são caracterizadas pela comédia e pela ação, com várias caras jovens no elenco e também um “núcleo cheio de confusões” em um lar de idosos, o que justifica seu apelo com o público. Pelo jeito forte e, por vezes, bruto de Nazaré, é fácil se recordar das protagonistas que não estão dispostas a serem as típicas mocinhas das antigas obras de Carlos Lombardi, junto com os galãs descamisados e outros artifícios. O roteiro de Sandra Santos, porém, está longe da exploração do absurdo promovida pelo autor brasileiro, e, ao contrário, abusa da inteligência do espectador, com personagens que se tornam ainda mais tapados para fazer a trama "andar" na dispensável segunda temporada, produzida e ambientada já durante a pandemia. A direção de Jorge Cardoso também não consegue dar verossimilhança e/ou ritmo às cenas de ação como Wolf Maya e Ricardo Waddington faziam com as peripécias lombardianas, mas isso não impediu que a atração fosse campeã de audiência em Portugal.


A título de curiosidade, sua sucessora na faixa das 21h é Amor Amor (2021-), obra de Ana Casaca, também dirigida por Cardoso, que marca o retorno de várias estrelas portuguesas que passaram por diversas produções da Globo, como Ricardo Pereira, Maria João Bastos, Paulo Rocha e Pedro Carvalho. Nem meus pais nem minha avó portuguesa se apegaram a ela, que acaba sendo aquele tipo de novela que você descobre os rumos ao ver o final do capítulo enquanto espera a sua favorita começar. De qualquer modo, a impressão é de que se trata de uma produção melhor do que a antecessora em vários aspectos e que a trama envolvendo o cenário da música pimba, gênero popular por lá, pode não ser tão inspirada como a de Rock Story (2016-17), de Maria Helena Nascimento, e Cheias de Charme (2012), de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, para ficar em dois exemplos de comédias musicais brasileiras, mas traz canções “chicletes” o suficiente para ficarem gravadas na memória dos telespectadores.

Nazaré (2019-21)

Novela | 2 temporadas: 1ª com 211 capítulos, de 9 de setembro de 2019 a 5 de julho de 2020; 2ª com 123 capítulos, de 12 de julho de 2020 a 8 de janeiro de 2021 (na SIC em Portugal e SIC Internacional no Brasil)

Canal: Band (Brasil) | Exibição: segunda a sexta, às 20h25, a partir de 18 de maio de 2021

Plataforma: OPTO

Criação: Sandra Santos | Roteiro: Sandra Santos, Joana Andrade, Pedro Cavaleiro, Pedro Barbosa da Silva, Andreia Vicente, Ana Lúcia Carvalho, Ruben R. Gomes, Melissa Lyra, Sandra Zigue Machado e Alexandre Castro

Direção: Jorge Cardoso, Iva Areias, Duarte Teixeira e Rodrigo Duvens Pinto

Elenco: Carolina Loureiro, José Mata, Afonso Pimentel, Albano Jerónimo, Sandra Barata Belo, Filipa Areosa, Rogério Samora, Custódia Gallego, António Pedro Cerdeira, Tiago Teotónio Pereira e Manuela Couto (veja + no IMDb)


A consistência de Terra Brava


Os atores João Catarré e Mariana Monteiro em cena da telenovela portuguesa Terra Brava (2019-21) | Foto: Divulgação (SIC)

Do que acompanhei da teledramaturgia da SIC até agora, sejam as atrações já finalizadas ou em andamento, a novela Terra Brava (2019-21) é aquela que apresentou uma qualidade de produção e uma narrativa consistente não vista nas outras obras portuguesas citadas. E também aquela que, em uma provável exibição na TV brasileira, teria boas chances de agradar a um público acostumado à excelência do formato que vê nos êxitos nacionais. Isso já começa pela sinopse de Inês Gomes, que traz a clássica história de vingança que tanto faz sucesso no gênero televisivo, vide o fenômeno de Avenida Brasil (2012).


A trama acompanha Rodrigo Bastos, atualmente conhecido pelo nome de Diogo (João Catarré), quando o militar retorna à fictícia vila de Terra Brava, na região do Alentejo, para se vingar da mulher que planejou o seu rapto quando criança e acabou destruindo toda a sua família, ainda tomando posse de suas propriedades. Contudo, ao se aproximar da implacável Eduarda Ferreira (Maria João Luís), ele reencontra a filha dela, Beatriz (Mariana Monteiro), que era a sua melhor amiga durante a infância e por quem se apaixona quando adulto. Ela, porém, é casada com o ciumento Tiago (Renato Godinho), médico que possui laços familiares com o protagonista, em uma das várias revelações folhetinescas da narrativa.


O trunfo do texto de Terra Brava era unir bem toda a densidade e ação da trama principal com bons núcleos cômicos, de uma maneira que tanto os protagonistas, de vez em quando, aliviavam a carga dramática que carregavam em situações de humor, quanto os coadjuvantes que serviam de alívio cômico tinham nuances e momentos dramáticos, quando necessário. Neste sentido, se destacam Sara Matos interpretando a trapaceira em busca de fama Elsa Santinho, Bruna Quintas como a destrambelhada Xana, Noémia Costa na pele da beata intrometida Prazeres Pinto, Luciana Abreu fazendo a esquentada dançarina Tina e João Baptista, o falso padre Janeiro. Embora seja possível apontar falhas pontuais, como o uso de uma trama de abnegação materna que recorda a escrita por Manoel Carlos em Por Amor (1997-98), mas cujo altruísmo, mesmo que egoísta, não fazia sentido no desenvolvimento de uma personagem, a única coisa que, de fato, a prejudicou foi a maneira com que a SIC decidiu exibi-la em alguns períodos, especialmente na sua reta final.


Diversos episódios foram picotados em dois ou mais de 15 ou 20 minutos de duração, transformando uma telenovela que teria 280 capítulos em longos 361, que não chegaram a criar uma barriga, mas sim um efeito de arrefecimento com trechos tão curtos da história, que terminavam justamente quando a narrativa começava a esquentar. A manobra foi realizada pela emissora a fim de dar tempo de produzir, em meio à pandemia, a substituta do horário, pois as novelas portuguesas costumam ter uma frente de meses de gravação, tal qual o SBT, por exemplo, e não a janela reduzida de semanas, comum na Globo. A atração que entrou no ar em março passado, chamada A Serra, também é escrita por Inês Gomes e dirigida por Jorge Queiroga, e, embora não tenha um rol de personagens tão cativantes quanto a anterior, mesclando bons destaques entre a protagonista e coadjuvantes com outras figuras desinteressantes como o próprio mocinho, traz uma trama envolvente de embate de classes no cenário rural e turístico da Serra da Estrela.

Terra Brava (2019-21)

Novela | 361 capítulos, de 28 de outubro de 2019 a 7 de março de 2021 (na SIC em Portugal e SIC Internacional no Brasil)

Plataforma: OPTO (streaming)

Criação: Inês Gomes | Roteiro: Inês Gomes, Manuel Carneiro, Ana Casaca, Ana Morgado, José Pinto Carneiro, Filipa Poppe, Cândida Ribeiro e Rita Roberto

Direção: Jorge Queiroga, Nuno Franco, Ricardo Inácio e Bruno Oliveira

Elenco: João Catarré, Mariana Monteiro, Maria João Luís, Renato Godinho, Sara Matos, João Jesus, Luciana Abreu, Virgílio Castelo, Isabel Ruth, Fernando Luís, Noémia Costa, António Fonseca, Rita Loureiro, Débora Monteiro, Marcantónio Del Carlo, Bruna Quintas, Diogo Valsassina, João Reis, Ângela Pinto, Manuel Wiborg, Sofia Sá da Bandeira, Isabela Valadeiro, Diogo Amaral, Dânia Neto e João Baptista (veja + no IMDb)



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