• Nayara Reynaud

Benjamin Booker, Leon Bridges, Michael Kiwanuka e Yellow Days | As novas almas do Soul

Atualizado: Jul 15



Nome completo: Benjamin Roderick Evans

Nome artístico: Benjamin Booker

Data de nascimento: 14/06/1989

Local de origem: Virginia Beach, Virginia, Estados Unidos | Nova Orleans, Louisiana, Estados Unidos

Veículo (ou como chegou até nosso conhecimento): rádio Oi FM, três anos atrás







O caminho que Benjamin Booker percorreu até chegar a este videoclipe de Believe, o primeiro de seu segundo álbum, Witness (2017), foi longo, seja física ou musicalmente. Nascido na Virgínia, em Virginia Beach, o pequeno Benjamin Roderick Evans logo se mudou com a família para Tampa, na Flórida, onde cresceu indo a shows punks na adolescência. Fez faculdade em Gainesville, também na Flórida, estudando jornalismo com a pretensão de se dedicar à cobertura da área musical, mas depois de pegar o diploma, ir para Nova Orleans e começar a trabalhar em uma organização sem fins lucrativos, passou para o outro lado, começando a se apresentar em shows da famosa cidade da Louisiana.

Suas andanças se refletiram em seu trabalho, mesclando sons do Sul norte-americano. Lançado em agosto de 2014, seu disco de estreia, intitulado Benjamim Booker, tem o garage rock de influências punk desde o acorde inicial do riff marcante da primeira faixa e single Violent Shiver e nas excelentes Always Waiting e Wicked Waters e o todo o blues em Slow Coming e I Tought I Heard You Screaming, com o soul aparecendo em sua voz rasgante. O reconhecimento veio logo, com o convite para abrir os shows de Jack White, na turnê do músico, sempre lembrado por ser o vocalista do The White Stripes, no Meio-Oeste dos EUA, no mesmo ano.

Com todos os casos de racismo nos Estados Unidos tomando o noticiário nos últimos anos, especialmente com a chegada do novo presidente, seu segundo álbum chegou, em 2 de junho, refletindo mais sobre o tema, como na faixa-título Witness, em que se pergunta se será testemunha do que acontece em sua nação, com o seu “irmão”. Mas não só as letras ganharam corpo, como sua sonoridade e a participação de Mavis Staples no refrão desse single reflete sua viagem mais pelo soul e o gospel no novo trabalho. Se o espírito rock de antes se mantém em Right On You e Off The Ground, o piano e as cordas entram em canções como a bela Believe – a qual, cantando ao vivo, sutilmente recorda as performances memoráveis de Otis Redding (como a de I've Been Loving You Too Long no Festival de Monterey). Há também a força de crítica de Sam Cooke e seu A Change Is Gonna Come e a influência do neo soul retrô de Gary Clark Jr. e do nosso próximo destaque, Leon Bridge, porém, Overtime, serve como essa ponte entre seu novo interesse e sua antiga atitude, mais próxima do caminho aberto pelo Alabama Shakes, garantindo a Booker uma alma própria nesta revitalização do(s) gênero(s).

Nome completo: Todd Michael Bridges

Nome artístico: Leon Bridges

Data de nascimento: 13/07/1989

Local de origem: Nova Orleans, Louisiana, Estados Unidos | Fort Worth, Texas, Estados Unidos

Veículo (ou como chegou até nosso conhecimento): apresentação de “Kevin”, com Macklemore & Ryan Lewis, no American Music Awards de 2015



Nascido na Nova Orleans em que Brooke começou a carreira, Todd Michael Bridges cresceu em Fort Worth, no Texas, onde se tornou Leon Bridges, tocando nas “noites de microfone aberto” de bares locais, enquanto trabalha trabalhava de lavador de pratos em um restaurante, até assinar contrato com a Columbia Records, no final de 2014, com o sucesso da demo de Coming Home. A música, lançada como single em fevereiro de 2015, se tornou um sucesso viral nos Estados Unidos, tanto que foi utilizada no comercial do iPhone 6 e deu nome ao disco de estreia do cantor e músico. Trazendo uma sonoridade retrô, ouvida desde os instrumentos até a produção final de Coming Home (2015), para renovar o soul, o artista também bebe muito do gospel, do blues e, especialmente, do R&B clássico, como vista nas faixas Smooth Sailin’ e Twistin' & Groovin' e na sua indicação de Melhor Álbum de R&B no Grammy de 2016.

Com uma voz que recorda John Legend e, musicalmente, muito próximo de Sam Cooke, mas liricamente trazendo um teor apolítico, o artista foi desenvolvendo uma postura mais crítica depois. Na sua colaboração com o duo de hip-hop Macklemore & Ryan Lewis em Kevin, que apresenta na letra uma condenação à alta prescrição de remédios incentivada pela indústria farmacêutica norte-americana, ele canta o poderoso verso “Doctor, please, give me a dose of a american dream” (em tradução livre: “Doutor, por favor, me dê uma dose do sonho americano”), enquanto investiu no videoclipe de River para transmitir sua mensagem contra o racismo. A música, aliás, entrou na trilha sonora da minissérie Big Little Lies (2017-), com o destaque dentro da trama tornando o nome de Leon Bridges mais conhecido fora dos EUA; lá, ele chegou a cantar ao lado dos bonecos do Sesame Street (1969-), conhecido aqui na versão da Vila Sésamo (1972-77 / 2007-), e receberá mais destaque no Brasil quando vier abrir, em maio de 2018, os shows de Harry Styles, integrante da boyband One Direction, em São Paulo e no Rio de Janeiro, provavelmente já com algumas músicas do seu próximo álbum.

Nome completo: Michael Samuel Kiwanuka

Nome artístico: Michael Kiwanuka

Data de nascimento: 03/05/1987

Local de origem: Londres, Inglaterra, Reino Unido

Veículo (ou como chegou até nosso conhecimento): abertura de Big Little Lies e na BBC Radio 6





Além de Bridges, a trilha sonora de Big Little Lies trazia outro nome dessa nova geração do soul, já na abertura, com Michael Kiwanuka e sua Cold Little Heart. O inglês filho de pais que vieram da Uganda fugindo do regime Idi Amin – sim, aquele ditador que Forest Whitaker interpretou em O Último Rei da Escócia (2006) – pode ter sido uma grande descoberta para boa parte do público da minissérie, mas já tinha a recomendação de sua qualidade desde o início de sua carreira solo. O antes guitarrista de sessão, que trabalhava em gravações em estúdio, com os rappers britânicos Chipmunk/Chip e Bashy, por exemplo, lançou seu primeiro EP Tell Me a Tale (2011) e, logo, teve a chance de abrir a turnê de ninguém menos que Adele, em 2011.

O garoto que cresceu em Muswell Hill, subúrbio do norte de Londres, ouvindo The Verve e Nirvana, aponta a introdução ao trabalho de Otis Redding e Bob Dylan como o seu “ponto de virada”. As influências dos dois mestres de gêneros, aparentemente, tão diferentes se misturam de maneira deliciosamente harmônica em seu primeiro álbum Home Again (2012). Comparado ao próprio Redding, e também a Bill Withers e Marvin Gaye, Kiwanuka mostra o seu soul mais clássico em canções como I'll Get Along e Bones, o folk que renascia na cena britânica e mundial na época em I’m Getting Ready, Always Waiting e na faixa-título, sem falar no blues de Worry Walks Beside Me e no jazz de Tell Me a Tale, também presente no disco.

Love & Hate (2016), porém, trouxe uma grande evolução em seu som. Com Danger Mouse entre os produtores – assim como Booker, ele trabalhou com o artista no projeto de trilha sonora alternativa para a série The Man in the High Castle (2015-), em Resistance Radio (2017) –, seu novo álbum trouxe um soul que, mesmo com sonoridade vintage, vem com uma roupagem moderna do R&B atual, porém, mais dark, como na música que dá título ao disco. Vários outros elementos também aparecem, a exemplo do funk em One More Night, o blues de The Final Frame, o gospel e até samba rock na poderosa Black Man In A White World, e da ambientação quase trip hop – remetendo aos belgas do Hooverphonic e outros atos ingleses, como Morcheeba, Zero 7 e Portishead – de faixas como Falling e I'll Never Love, criando um som vigoroso e único.

Nome completo: George van den Broek

Nome artístico: Yellow Days

Data de nascimento: 23/02/1999

Local de origem: Manchester, Inglaterra, Reino Unido | Haslemere, Surrey, Inglaterra, Reino Unido

Veículo (ou como chegou até nosso conhecimento): playlist “Hipster Chill” da Deezer




Também do Reino Unido, mas de um jovem do interior da Inglaterra, vem uma nova e aparentemente improvável voz que mostra outra vertente deste neo soul. Tão grave quanto a do conterrâneo e xará George Ezra, o menino louro franzino de Haslemere, cidade do condado inglês de Surrey, George van den Broek soa como uma fusão de Marvin Gaye com Tame Impala no som psicodélico e, ao mesmo tempo, depressivo e sensual que faz sob a alcunha de Yellow Days. Tendo Ray Charles como uma de suas grandes inspirações, ao lado de nomes do blues como Howlin' Wolf e Elmore James, aos 18 anos, ele carrega o soul e o jazz clássicos e o chillwave e trip hop modernos em um cenário indie, no qual faz companhia a Cosmo Pyke, King Krule, Toro Y Moi e Mac DeMarco – uma de suas influências da adolescência, junto com Thundercat e os próprios australianos do Tame Impala.

No início de 2016, ainda com 16 anos, começou a produzir algumas faixas que disponibilizou no Soundcloud, chamando a atenção meses depois, com Your Hand Holding Mine. Logo a colocou no seu primeiro EP, Harmless Melodies (2016), em que também demonstrava sua sonoridade hipnotizante em A Little While, Gap in the Clouds e People. Menos de um ano depois, no final de outubro, lançou seu álbum Is Everything Okay in Your World? (2017), em que o soul de Holding On, o jazz de The Tree I Climb e trip hop de Hurt in Love se encontram em canções que abordam a dificuldade de crescer e saúde mental, na maneira mais fácil e criativa que o jovem van den Broek encontrou para lidar com suas questões internas, resultando em músicas marcantes como I Believe in Love e That Easy.


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