• Nayara Reynaud

OUTLANDER – 5ª temporada | Um respiro inquieto

Atualizado: Jul 3


Fazendo jus ao seu nome, Outlander (2014-) é uma espécie de forasteira dentro da televisão atual, não disposta a se encaixar em um gênero específico, mas viajando entre vários, ao estilo do espírito desbravador de seus personagens. A atração do canal norte-americano Starz, que é exibida no Brasil pela FOX Premium – com direito à estreia simultânea da sua quinta temporada neste domingo (16), à 0h da madrugada para a segunda –, surgiu bem no meio do boom das produções épicas históricas ou fantásticas que marcam presença nos canais por assinatura dos Estados Unidos e do Reino Unido desde meados dos anos 2000, com Roma (2005-07) e The Tudors (2007-10), e que alcançariam a magnitude de sucessos mundiais como Game of Thrones (2011-19) e Vikings (2013-). Mas é justamente em sua origem nos livros da franquia homônima, iniciada pela escritora Diana Gabaldon em 1991, que a série encontrou os diversos ingredientes que diferenciam a abordagem do seu retrato, primeiramente, da Escócia do século XVIII frente a outras tantas histórias de guerra e disputas políticas da Idade Moderna ou Média na TV e no streaming.

O toque de ficção científica está presente desde a premissa da viagem no tempo, com a enfermeira Claire (Caitrona Balfe, que já acumula quatro indicações ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Série Dramática por este trabalho), em viagem com seu marido Frank Randall (Tobias Menzies) pela Escócia no pós-guerra em 1945, sendo teletransportada ao passado. Mais exatamente às Terras Altas escocesas em 1743, nas vésperas do último levante jacobita que buscava reconduzir o herdeiro dos Stuart ao trono, que era combatido pela Coroa inglesa através de seu exército de casacas vermelhas, entre eles o odioso antepassado de seu cônjuge, Jonathan “Black Jack” Randall (também interpretado com finesse por Menzies). Na proposta, igualmente se encontra a pitada de drama e humor inerente da necessidade da protagonista em sobreviver àquele ambiente inóspito se passando por uma mulher daquele período, bem como o interesse vital da história da autora norte-americana pelo romance de época, quando ela conhece, se aproxima e se apaixona pelo jovem guerreiro perseguido Jamie Fraser (Sam Heughan) e todo o erotismo que exala dessa relação dos dois.

Neste sentido, é importante frisar não só como as cenas de sexo são filmadas através de um olhar feminino, seja na importância dada ao prazer das mulheres nas relações consentidas ou, quando ainda dependente da violência sexual como ferramenta narrativa, trata a questão por uma perspectiva mais atenta ao psicológico das vítimas do que é comum em séries do gênero. Dito isto, se todo o abuso sofrido por Jamie no final da primeira temporada repercutiu na seguinte, sem que fosse totalmente esquecido pelo personagem, já é de se esperar que a sua filha Brianna (Sophie Skelton) também precisará lidar com os fantasmas do passado, ao cuidar do filho Jeremiah, fruto do estupro que sofreu por parte de Stephen Bonnet (Edward Speleers), ao também retornar ao passado no quarto ano da produção. No entanto, apesar de todo o peso dramático deixado pelo arco anterior, não só por esse fato mas também pelos dilemas que os Frasier têm enfrentado ao tentar se estabelecer na América Colonial, poucos anos antes da Guerra de Independência dos Estados Unidos, a nova leva começa com um tom bem diferente.

A Cruz de Fogo / The Fiery Cross, o primeiro episódio desta quinta temporada que guarda o mesmo nome do quinto livro da série literária de Gabaldon no qual este arco é baseado, apesar das diferentes decisões tomadas no caminho da produção televisiva até aqui, tem ares de último capítulo de novela das seis. O tom bucólico vindo da celebração do casamento de Brianna e Roger (Richard Rankin) traz um respiro ao público, mesmo que este já bem treinado pelos dramas anteriores, desconfie que a calmaria é passageira, como se observava em alguns dos momentos festivos do início da atração. De certo modo, depois de viajar por tantas épocas e lugares, como as intrigas da corte da França, os mistérios do clima caribenho da Jamaica e a tensa liberdade desfrutada na Colônia britânica da Carolina do Norte, tanto os personagens quanto a própria produção buscam agora um resgate, mesmo que à distância, de suas tradições nesta season première.

O velho dilema escocês de obedecer ou não à Coroa inglesa, quando, no final da última temporada, o Governador Tryon (Tim Downie) cobrou a “dívida” de Jamie por sua terra ao lhe incumbir a tarefa de perseguir o seu padrinho Murtagh (Duncan Lacroix), que se tornou um rebelde local. E se Claire, desde os primeiros momentos de sua jornada ao passado, encontrou no seu conhecimento e habilidades médicas uma forma de se fazer útil e sobreviver – fazendo os outros sobreviverem – ao século XVIII, agora é a vez dos novos viajantes do tempo, Brianna e, especialmente, Roger se adaptarem à nova velha vida. Não dá para saber de que forma Ronald D. Moore e toda a equipe criativa conduzirá a trama a partir disso, mas mesmo com todo o drama e tensão iminentes, Outlander oferece de entrada a alegria, humor e todo o romance – bem sintetizado na letra da música sessentista L-O-V-E, de Nat King Cole, na trilha sonora – que também fazem parte do DNA da série, como refresco aos fãs.

Outlander (Outlander, 2014-)

Série ficcional (estreia da 5ª temporada) | 5ª temporada: 12 episódios, a partir de 16 de fevereiro de 2020

Canal: FOX Premium 1 | Exibição: domingos p/ segundas, à 0h

Horário alternativo: domingos, às 23h15, antes do episódio inédito (veja mais da programação no site)

Criação: Ronald D. Moore, baseado na série de livros “Outlander” de Diana Gabaldon | Roteiro: Matthew B. Roberts (*nesta season première)

Direção: Stephen Woolfenden (*nesta season première)

Elenco: Caitriona Balfe, Sam Heughan, Sophie Skelton, Richard Rankin, Duncan Lacroix, Maria Doyle Kennedy, David Berry, César Domboy, Lauren Lyle, Tim Downie e Colin McFarlane (veja + no IMDb)

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