• Nayara Reynaud

VELOZES & FURIOSOS: HOBBS & SHAW | Rota alternativa

Atualizado: Abr 27


O tempo corre mais acelerado do que um Fórmula 1 e, quando se vê, nos deparamos com o fato de que a franquia Velozes e Furiosos já atingiu a sua maioridade. Desde o lançamento, em 2001, do primeiro filme sobre o agente infiltrado em uma gangue que praticava tanto corridas de rua ilegais quanto roubos com as suas máquinas tunadas em Los Angeles, ela cresceu e foi para diversos lugares, mas também pegou um caminho sem volta: o da megalomania de seu espetáculo. Indo dos carros para um avião e, depois, um submarino, sempre na tentativa de superar o espetáculo anterior e fazer graça em cima disso, é possível dizer que falta pouco para uma de suas aventuras chegar ao espaço.

Os fãs puristas dizem, com razão, que a série cinematográfica se perdeu e pouco traz da sua história e ação originais, quando os rachas estavam em foco. No entanto, em seu primeiro spin-off, ela encontra uma justificativa para ter mais liberdade em Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw (2019), sob o comando de David Leitch. A recente produção não só abraça de maneira consciente e irônica o absurdo que a saga se tornou, elevando o chute no torpedo do capítulo anterior para escalas ainda mais fantásticas, como também pega uma rota alternativa em termos de gênero, na qual elementos de ficção científica e de tramas de espionagem se fundem a um tom cômico.

Protagonizado por Dwayne Johnson e Jason Statham, cujos personagens foram de antagonistas a aliados de Vin Diesel & Cia no intervalo de alguns filmes, o novo longa explora a dinâmica, já introduzida em Velozes & Furiosos 8 (2017), da típica dupla de opostos que se detestam, mas têm de trabalhar juntos. Assim, ambos são apresentados aqui na tela dividida, destacando as diferenças na rotina matinal do ex-policial Luke Hobbs (Johnson) em Los Angeles e do ex-detento Deckard Shaw (Statham) em Londres, além da força bruta de um e o estilo urbano elegante do outro, igualmente eficientes para obter seus objetivos. Antes, porém, um prólogo apresenta como um vírus mortal, caçado pelo humano mecanizado Brixton (Idris Elba), autoconsagrado como “Superman Negro”, é mantido “seguro” pela agente britânica do MI6, Hattie (Vanessa Kirby), que se torna uma procurada depois deste ato e faz os dois desafetos embarcarem na mesma missão para salvar a humanidade – seja a da espécie ou a intrínseca nestes indivíduos.

Como é possível perceber, é exigida muita suspensão de descrença por parte do espectador na história escrita por Chris Morgan, à frente dos roteiros da franquia desde o terceiro episódio, e Drew Pearce, roteirista de Missão: Impossível – Nação Secreta (2015) que empresta um pouco do clima da saga estrelada por Tom Cruise neste trabalho. Contudo, o roteiro da dupla tem duas armas secretas para fazer valer o entretenimento. Uma delas é o humor, presente na eficiente autoironia com que trata sua trama mirabolante – nas citações pop e no comentário sobre personagens crédulos demais, por exemplo, junto da mise-en-scène exagerada aplicada pelo diretor de Deadpool 2 (2018) –, nas piadas mais irregulares proferidas na disputa ao estilo 5ª série dos dois marmanjos ou nas participações especiais de atores que trazem seu talento cômico para o jogo, até nas cenas durante e depois dos créditos.

O outro trunfo está no próprio rumo diferente de um spin-off, cuja narrativa centrada somente no par de desafetos, na figura feminina e no vilão traz uma dinâmica há muito tempo ausente em Velozes e Furiosos, que vem sofrendo de um inchaço de personagens no decorrer da série. Se Johnson e Statham esbanjam agilidade tanto nos golpes quanto nas trocas de farpas dos diálogos, enquanto Idris Elba parece estar aproveitando o seu momento vilanesco, o destaque fica mesmo para Vanessa Kirby, que já tinha dado um aperitivo do seu potencial neste gênero com Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018), e confere densidade para a personagem além do bom desempenho físico no papel dessa agente durona. Aliás, o background de David Leitch como coordenador de dublês, já comprovado em De Volta ao Jogo (2014) e Atômica (2017), faz diferença na boa coreografia das cenas de ação, com exceção das sequências em Samoa de um terceiro ato que se estende e diminui o ritmo visto até então.

O DNA da franquia está na empolgante perseguição pelas ruas de Londres ou no fan service dos planos clássicos do turbo "aquecendo" o motor dos carros. No entanto, o verdadeiro motor de Velozes e Furiosos sempre foi a ideia de família, mesmo sem laços de sangue para uni-la. Aqui, eles são, de fato, consanguíneos: a filha de Hobbs que ganha mais destaque agora vivida por Eliana Sua e a mãe de Shaw novamente interpretada pela sempre elegante Helen Mirren são só o início das relações familiares que movem os protagonistas e podem comover os fãs nesta nova aventura.

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw (Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw, 2019)

Duração: 135 min | Classificação: 14 anos

Direção: David Leitch

Roteiro: Chris Morgan e Drew Pearce, com argumento de Chris Morgan, baseado nos personagens de Gary Scott Thompson

Elenco: Dwayne Johnson, Jason Statham, Idris Elba, Vanessa Kirby, Helen Mirren, Eiza González, Eddie Marsan, Eliana Sua, Cliff Curtis, Lori Pelenise Tuisano, Ryan Reynolds, Kevin Hart e Rob Delaney (veja + no IMDb)

Distribuição: Universal Pictures

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