• Nayara Reynaud

VENOM | A walk on the wild side


De vilão a anti-herói, graças ao sucesso obtido entre o público das histórias em quadrinhos da Marvel, Venom é um personagem do universo do Homem-Aranha que exerce certo fascínio no leitor não apenas pelo seu visual, mas pela sua premissa. A ideia de que um simbionte, um ser alienígena que precisa de um hospedeiro humano para sobreviver na Terra, é um parasita que torna este indivíduo em um selvagem capaz de qualquer ato é perfeita para analogias com o lado obscuro que cada pessoa carrega em si, lhe ditando pensamentos e ações mais amorais ou maléficas possíveis. Tamanha fama, não deixaria esta figura de fora das telas, com tantas versões cinematográficas do herói Peter Parker no cinema, mas se a encarnação de Topher Grace em Homem-Aranha 3 (2007) não foi bem-recebida pela plateia – tal qual o longa em si, diga-se de passagem –, um filme solo como Venom (2018) tenta fazer justiça ao prestígio que Eddie Brock e seu outro eu obtiveram desde seu surgimento há trinta anos nas HQ’s.

Na produção assinada por Ruben Fleischer, diretor de Zumbilândia (2009) e Caça aos Gângsteres (2013), o cenário não é Nova York, mas sim San Francisco, onde Tom Hardy é o repórter investigativo Eddie Brock, que tem um programa de TV próprio e está noivo da advogada Anne Weying (Michelle Williams). Sua vida toma novos rumos, seja por atitudes impulsivas próprias ou por forças do destino – no caso, conveniências do roteiro de Jeff Pinkner, Scott Rosenberg e Kelly Marcel –, quando cruza o caminho do empresário multimilionário, megalomaníaco e inescrupuloso Carlton Drake (Riz Ahmed), ao fazer uma reportagem na sua empresa Life, que secretamente esconde seres simbiontes obtidos durante uma expedição espacial e testa sua simbiose com os humanos. Contudo, como o fã já sabe, nenhuma será tão perfeita quanto a de Venom com Brock, embora use-se aqui rotas semelhantes ao surgimento do Duende Verde no primeiro Homem-Aranha, de 2002, para criar um antagonismo equivalente, mas não tão eficiente.

Isso porque não existe essa mesma simbiose no filme, de forma harmônica. Fleischer e os roteiristas de Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2017) sofrem para encontrar o tom da obra, com um primeiro ato muito explicativo, tentando apresentar as bases do personagem, mas que se revela desinteressante, e assumindo a sua canastrice do segundo ato para frente, o suficiente para que parte da plateia se divirta, mas muito pouco para que a outra mergulhe de fato na história. Tentando se encaixar em uma classificação indicativa menor, visando um público maior, a produção não aproveita o potencial mais sombria que o material fornece nem consegue fazer uso totalmente de uma proposta mais cômica, não necessariamente no nível de sarcasmo e teor adulto de Deadpool (2016/2018), mas até buscando um entretenimento mais familiar como Homem-Formiga (2015) e o próprio Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017), se tirasse mais proveito da relação de Eddie com Venom, como acontece em algumas cenas.

Com pouco material para trabalharem suas personagens, Michelle Williams e Jenny Slate são subaproveitadas, mas a primeira evolui da sensação de “preciso pagar minhas contas” das primeiras cenas para certa dose de diversão quando passa a estar mais próxima do parasita. Há também uma evolução nos efeitos visuais no decorrer do longa, indo da estranheza dos simbiontes com aspecto um tanto vaporizado nos laboratórios da Life para a figura interessante que assume na encarnação de Venom. Lembrando o tom primário de filmes de super-heróis da década passada, antes do Universo Cinematográfico Marvel, a exceção das bem-sucedidas trilogias do próprio Homem-Aranha de Sam Raimi, do Batman de Nolan e dos X-Men, a obra carrega também certo cansaço do gênero desde sua produção em escala iniciada pela mesma UCM.

Entretenimento fácil, mas fugaz, é na cena que rola durante os créditos finais que Venom promete uma história mais impactante em uma possível continuação, com a aparição de inimigo conhecido dos quadrinhos. No entanto, é nos pós-créditos, com a exibição de quatro minutos da animação em estilo HQ Homem Aranha: No Aranhaverso (2018), que estreia em 10 de janeiro de 2019 no Brasil, que a sessão tem o ápice do que se espera deste universo teioso nos cinemas.

Venom (Venom, 2018)

Duração: 112 min | Classificação: 14 anos

Direção: Ruben Fleischer

Roteiro: Jeff Pinkner, Scott Rosenberg e Kelly Marcel, baseado no personagem “Venom” de Todd McFarlane e David Michelinie

Elenco: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed, Scott Haze, Reid Scott, Jenny Slate, Melora Walters, Woody Harrelson, Peggy Lu e Michelle Lee (veja + no IMDb)

Distribuição: Sony Pictures

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