• Nayara Reynaud

CANASTRA SUJA | Uma espiral de casos de família

Atualizado: Out 16


*Filme visto e texto escrito durante a 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (2016)

Depois de visitar o Nordeste nas oníricas fábulas existenciais de Minutos Atrás (2013), com sua estampa de cordel, e do lúdico Por Trás do Céu (2016), Caio Sóh volta ao Rio de Janeiro de Teus Olhos Meus (2011) – mas não aquele das praias e da boêmia, e sim o do subúrbio, que só vai à Barra para trabalhar. O jovem e prolífico diretor, vindo do teatro, sai também de um cinema bem autoral e encontra um caminho de maior comunicação com o público, na proximidade criada com a família disfuncional em decadência de Canastra Suja (2016).

A história é pontualmente dividida em cartas do baralho que simbolizam cada membro deste clã: Batista (Marco Ricca), o pai e rei alcóolatra desta tragédia, segundo o cineasta; Maria (Adriana Esteves), a mãe e dona-de-casa em busca de algo que lhe dê prazer em sua rotina; Emília (Bianca Bin), a filha dividida entre duas possibilidades de amor; Pedro (Pedro Nercessian), o filho em constante conflito com o pai e em busca de um rumo em sua vida; e Rita (Cacá Ottoni), a caçula que é autista.

O elenco coeso e em forte sintonia, do qual também se destaca David Junior como o namorado e amigo que circunda a família, constrói os personagens além desses rótulos, usados aqui neste texto só para evitar detalhes da trama. Por isso, os planos longos, com uma câmera na mão presente de modo natural, permitem aos atores se desdobrarem em extensos diálogos que acentuam suas ótimas performances. Tendo ao fundo um roteiro que se apresenta como um desvelar contínuo de seus tipos humanos, como nas cartas do baralho, Canastra Suja apresenta uma força narrativa impressionante, ainda que se renda a isto no final, preterindo os próprios personagens.

Como diz a mais clássica das músicas de karaokê, Sóh vai “negando as aparências, disfarçando as evidências” no que ele afirmar ser um jogo “para os personagens e para o público também”. Nisso, o cineasta joga, de maneira igualmente eficiente e errônea, com as expectativas e os pré-julgamentos da plateia, a partir de suas visões machistas, homofóbicas e racistas. Às vezes, o filme utiliza o estereótipo criativamente para enganar o espectador e depois desconstruir esta imagem, mas, em outras, se aproveita dele ostensivamente somente em função do humor ou ainda reforça um olhar preconceituoso através dele.

Canastra Suja (2016)

Duração: 121 min | Classificação: 14 anos

Direção: Caio Sóh

Roteiro: Caio Sóh

Elenco: Marco Ricca, Adriana Esteves, Bianca Bin, Pedro Nercessian, Cacá Ottoni, David Junior, Emílio Orciollo Netto e Milhem Cortaz (veja + no IMDb)

Distribuição: ArtHouse

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