• Nayara Reynaud

É TUDO VERDADE 2020 | A música e o cinema entre amigos

Atualizado: Set 28



Mesmo se não houvesse a tradicional apresentação dos diretores antes da exibição dos títulos da competição do festival É Tudo Verdade, adaptada para a edição online deste ano, Os Quatro Paralamas (2020) já se encarrega de dizer ao público que se trata de um filme entre e sobre amigos. Roberto Berliner, que o dirige ao lado de Paschoal Samora, acompanha Os Paralamas do Sucesso desde os anos 1980, realizando diversos videoclipes, gravações de turnês e documentários musicais com a banda – Herbert de Perto (2009), com codireção de Pedro Bronz, e V o Vídeo (1988), com Sandra Kogut, são alguns exemplos –, além de ter conhecido sua esposa em um show deles. A relação pessoal entre o trio, o empresário deles, José Fortes, e o próprio cineasta é, portanto, o mote da produção.


Por isso, quando abre com os jovens Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone tocando em meio a um pequeno espaço, frente a uma efusiva plateia colada neles, a emblemática e ainda atual canção Selvagem, de 1986, o documentário está mais interessado na raridade das filmagens que Berliner adquiriu ao longo de todo esse tempo do que decifrá-los artisticamente. Logo, não espere um mergulho em sua trajetória musical, porque não é essa a intenção.


A breve citação à banda inglesa The Police é o máximo dito sobre as influências do grupo responsável por incrementar o rock nacional com o ska e toques de reggae. As considerações sobre as viagens pelo Brasil serem responsáveis pela introdução de brasilidade em suas composições fica restrito a Alagados como único exemplo de uma discografia em que tanto isso quanto as letras imbuídas de crítica social e política estão largamente presentes. O sucesso feito pelos Paralamas na Argentina é abordado com os membros e o empresário comentando que a crise do governo Collor e o momento de renovação do gênero por aqui os motivaram a fazerem tantas turnês no país vizinho, mas a introdução de ritmos latinos e versões de hits hermanos fica apenas sugerida na proximidade com o argentino Fito Páez.


Tais informações surgem espaçadamente na narrativa, através de uma montagem que intercala as imagens de arquivo com uma conversa e ensaio informal realizada entre o trio e o empresário. Eles contam como o vocalista e guitarrista Herbert e o baixista Bi se conheceram ainda em Brasília, o modo inusitado como o baterista João entrou na banda durante um festival na Universidade Rural do Rio de Janeiro e “Zé”, como é chamado por eles, viu uma chance de estar perto da música, mesmo sem saber tocar, quando era então colega de faculdade de Vianna. Ribeiro resgata fotos antigas deles e de sua lendária avó, enquanto eles tocam Vovó Ondina é Gente Fina, além de relembrarem outra raridade de suas canções pueris do início de carreira, Pinguins? Já Não os Vejo Pois Não Está na Estação.


Contudo, a partir da metade do longa, as filmagens antigas dominam a tela. Embora ainda tragam a intimidade de registros únicos, como Herbert mostrando a Berliner a sua “nova música” Saber Amar ou discussões sobre o futuro familiar que enxergavam para si, precisam passar, mesmo que rápida e respeitosamente, por passagens importantes da história da banda, mais especificamente o acidente do vocalista em 2001. E assim a conversa trivial entre amigos, que era o trunfo do documentário, acaba sendo desperdiçada e fragilizando a narrativa do “quarto Paralama”, ainda que a amizade dê o tom de todo o projeto.

Competição de Longas e Médias-Metragens Brasileiros

Os Quatro Paralamas (2020)

Duração: 99 min | Classificação: 12 anos

Direção: Roberto Berliner e Paschoal Samora

Produção: Brasil (Rio de Janeiro/RJ)

Áudio e Legendas: diálogos em português

> Sessão – 26/09/2020 (sábado), às 21h00

> Reprise – 27/09/2020 (domingo), às 15h00

No site do É Tudo Verdade ou diretamente no Looke

+ Debate – 27/09/2020 (domingo), às 17h00 no canal do ETV no YouTube



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