• Nayara Reynaud

22º CULTURA INGLESA FESTIVAL | A noite inglesa que virou brasileira

Atualizado: Set 10


Para quem, já há algumas edições, frequenta os shows do Cultura Inglesa Festival, havia um clima diferente neste domingo (10) em relação aos anos anteriores, desde coisas pequenas: menos fumaça de cigarros e afins, mais crianças por metro quadrado do Memorial da América Latina, onde as esperadas apresentações musicais gratuitas de artistas britânicos e brasileiros se realizam há cinco anos – para ter um controle maior do público e evitar confusões como a de 2012, com o Franz Ferdinand superlotando o Parque da Independência, também em São Paulo. No entanto, o que mais se destacou foi o fato da artista brasileira da vez gerar a mesma, ou quiçá, ainda mais, atenção do público que o headliner internacional. De um lado, a cantora IZA em plena ascensão no cenário pop nacional e, do outro, o inglês George Ezra em sua primeira vez no Brasil colocou a plateia para rebolar e dançar juntinho, fazendo este 22º CIF mais tupiniquim.

IZA

“Entra na roda e ginga, ginga / Fé na sua mandinga, na roda, ginga”

Os shows do 22º Cultura Inglesa Festival no Memorial foram abertos pela Staff Only, banda formada por funcionários da rede de escolas de idiomas que promove o evento – cujo número foi bem breve, pois não conseguimos chegar a tempo para assistir. Na sequência, a banda paulistana Madame Groove, que tem na formação um aluno da Cultura Inglesa, trouxe um pouco de soul funk, com covers que iam de Freedom de George Michael a Uptown Funk de Mark Ronson e Bruno Mars, para esquentar a plateia que aguardava ansiosa pela carioca IZA. Depois de já provocar muito barulho no ano passado apenas com covers e alguns singles, se apresentando com CeeLo Green no Rock in Rio 2017 e abrindo a turnê do Coldplay, era a primeira vez que a cantora fazia uma grande apresentação em São Paulo após o lançamento de seu álbum de estreia Dona de Mim (2018), e ainda gratuitamente, o que explicava tanto furor.

Por isso, diferente de edições anteriores, onde Karol Conka, por exemplo, cantou David Bowie no ano passado, a artista deixou sua “homenagem à cultura inglesa” apenas para o miolo do seu setlist. Iniciando a todo vapor com seus primeiros hits que nem entraram no disco, como Te Pegar e Esse Brilho É Meu, ela deu espaço para os seus bailarinos dançarem um mashup de Baby Boy (Beyoncé), One Dance (Drake) e Rich Girl (Gwen Stefani), e depois fez seus covers de Price Tag (Jessie J), Rehab (Amy Winehouse) e New Rules (Dua Lipa), ao lado de meninas escolhidas da plateia, para então voltar às suas próprias músicas, com canções de seu álbum, como Saudade Daquilo, Ginga e encerrou cantando seu maior sucesso, Pesadão, pela segunda vez. Apesar do uso do playback para dar conta das inúmeras participações especiais que a cantora tem nessas faixas, a sua voz potente ecoou mais pelos ares da Barra Funda, assim como a sua presença no palco, acompanhada por uma boa banda, mostrou que IZA não foi, de modo algum, um show de abertura neste 22ºCIF.

=> Leia a nossa análise do álbum Dona de Mim, da cantora IZA

George Ezra

“Hey pretty smiling people / We're alright together, we're alright together”

Com alguns jovens e crianças saindo da frente do palco e mais casais e adultos se aproximando, houve uma troca de parte do público que estava ali para conferir a apresentação de George Ezra com seu folk rock. Com os ânimos levantados pelos hits pops de IZA e um atraso no início do show que arrefeceu um pouco a plateia, o inglês demorou um pouco para conquistar a plateia, apesar da boa receptividade e seu claro esforço em agradá-la. Alternando faixas do seu primeiro álbum, Wanted on Voyage (2014), e de seu segundo, Staying at Tamara's (2018), havia claramente uma troca também ali embaixo entre aqueles que sabiam de cor o disco de estreia que as fez se encantar pelo cantor de voz grave – esta que vos escreve, se inclui neste grupo – e os que estavam com as letras do seu trabalho mais recente, um pouco mais pop que o anterior, na ponta da língua, enquanto o viajante George explicava o “passado” de suas composições.

No entanto, foi só na oitava música, o single Paradise, que o canto ainda morno e as mãos tímidas deram lugar a uma empolgação mais contagiante e uníssona no Memorial. Na sequência, as luzes dos celulares iluminaram o local na balada Song 6, casais dançaram ao som de Hold My Girl, palmas marcaram Shotgun e a participação especial do percussionista brasileiro Bosco de Oliveira – pai de seu baterista Fabio de Oliveira – fez Blame It On Me cair no carnaval. A volta do bis trouxe o cantor e toda a sua ótima banda vestidos com a camisa da seleção brasileira de futebol, com mais três faixas, sendo duas do álbum anterior: Leaving It Up to You e seu maior sucesso, pedido em alto e bom som pela plateia no breve intervalo, Budapest. Encerrando com mais um clichê de artistas internacionais em “terra brasilis”, Ezra parecia realmente muito feliz com a recepção calorosa e a fala de que esperava voltar logo ao país soava sinceramente como a de mais um “gringo” apaixonado pelo público brasileiro ou latino.

=> Veja outros destaques que demos desta edição do Cultura Inglesa Festival e confira no site a programação deste 22º CIF, que segue até o dia 17 de junho.


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