• Nayara Reynaud

ARMAS NA MESA | Podia ser Brasília, mas é Washington

Atualizado: Abr 26


Um advogado inglês que, durante o período em que viveu na Ásia, escreveu um roteiro pela primeira vez na vida. Esse é o perfil de Jonathan Perera, que em seu ímpeto de novato é responsável pela sinuosa trama de Armas na Mesa (2016), cheia de viradas e verborragia em diálogos complexos em um thriller político de John Madden, diretor de A Grande Mentira (2010), centrado no lobby existente no governo norte-americano e, essencialmente, na moralidade nas relações de trabalho.

De início, o roteirista e o cineasta deixam o público perdido. Por mais que se entenda a atividade dos lobistas, as informações sobre os envolvidos são despejadas freneticamente, nada perto da abordagem didática e bem-humorada de A Grande Aposta (2015) com seus números e dados da bolsa de valores e hipotecas, já que a Miss Sloane do título original, vivida soberbamente por Jessica Chastain, parece uma das Gilmore Girls (2000-2007) de tão rápido que fala. É preciso alguns minutos de filme para o espectador se situar sobre o caso, cada um dos seus agentes e, pouco a pouco, as suas intenções.

Isso porque a abertura com Elizabeth Sloane falando que prever as ações alheias é a principal qualidade necessária a sua profissão já é um prenúncio para a plateia ficar atenta ao que vem a seguir. Um advogado (David Wilson Barnes) tenta treiná-la para o interrogatório a que será submetida no Congresso, usando a esquiva estratégia de usar a 5ª emenda que lhe dá o direito de permanecer calada, mas logo a narrativa volta no tempo para mostrar como ela chegou até aquela cadeira em que será massacrada pelos políticos, como Ron M. Sperling (John Lithgow), e a mídia. Só que, três meses antes, a lobista era queridinha do Capitólio e mantinha um relacionamento intenso com estes mesmos acusadores, nas mais diversas questões que defendia e influenciava os congressistas.

Mesmo bem-sucedida no prestigiado escritório em que trabalhava, ela aceita o grande desafio de mudar para uma nova empresa bem menor, comandada por Rodolfo Schmidt (Mark Strong), e emplacar uma lei que permita um maior controle sobre a posse de armas. Assunto polêmico nos Estados Unidos, onde a cultura armamentista está presente em outra emenda constitucional, a segunda.

Chastain entrega todo o seu talento para dar firmeza à figura fria, elegante e sexy de Sloane, mas permitindo abrir lacunas que vislumbrem a humanidade de Elizabeth dentro daquela armadura de “rainha de gelo”. Enquanto mantém uma relação moralmente abusiva com seus funcionários – que o diga Esme Manucharian, interpretada pela ótima Gugu Mbatha-Raw –, seguindo a máxima de que os fins justificam os meios, a insone crônica se entope de remédios e se esforça para não confessar seus demônios a Forde (Jake Lacy), o novo garoto de programa com quem se encontra algumas noites.

Já o principal ponto fraco do filme vem na sua surpreendente virada final, mais por causa do tom de especularização melodramática dado ao momento da revelação, por Madden pesar a mão e tirar um pouco do brilho de uma direção sóbria até então. O espectador chega até a pensar que baratas robôs usadas para grampear alguém só podem ser coisa de filme mesmo, mas uma pesquisa no Google o faz ter outra surpresa com o filme: sim, existem experimentos nos Estados Unidos e na Rússia sobre isso e há mais um motivo para temer o nojento animal.

Armas na Mesa (Miss Sloane, 2016)

Duração: 132 min | Classificação: 14 anos

Direção: John Madden

Roteiro: Jonathan Perera

Elenco: Jessica Chastain, Mark Strong, Gugu Mbatha-Raw, Michael Stuhlbarg, Alison Pill, Jake Lacy e John Lithgow (veja + no IMDb)

Distribuição: Paris Filmes

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