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MOSTRA SP 2019 | Um olho no Brasil e outro no mundo

16/10/2019

Em um ano de incertezas na área cultural no Brasil, especialmente para os festivais dedicados à Sétima Arte, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo demonstra força com a sua 43ª edição, que traz cerca de 300 títulos de 45 países, de 17 a 30 de outubro, para a capital paulista e algumas cidades do interior e litoral do estado. E uma amostra do evento que movimenta espectadores de vários locais do país e convidados de todo o mundo está aqui na cobertura do NERVOS, que você confere concentrada nesta página, desde os detalhes da coletiva e futuros nomes dos premiados aos links das breves críticas e entrevistas realizadas durante esses dias de pura cinefilia.

 

 

Uma Mostra de DNA brasileiro

 

A abertura da 43ª Mostra acontece nesta quarta (16), com a exibição do longa Wasp Network (2019), no Auditório Ibirapuera, sendo marcada pela presença do diretor Olivier Assayas e dos atores do elenco, o venezuelano Edgar Ramírez, o argentino Leonardo Sbaraglia e Wagner Moura. A presença do astro brasileiro não foi o único motivo da escalação do filme sobre o caso dos agentes cubanos infiltrados nos Estados Unidos, que conta com grandes nomes pan-americanos como Penélope Cruz, Gael Garcia Bernal e Ana de Armas, para abrir o evento. O fato de, por trás do título, estarem os outros dois nomes nacionais da produtora RT Features, de Rodrigo Teixeira, e do jornalista Fernando Morais, cujo livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria (2011) foi adaptado na tela pelo cineasta francês, foram fundamentais nesta seleção, segundo a diretora e curadora Renata de Almeida.

 

Na coletiva de imprensa do evento, realizada no último dia 5, a figura responsável por manter a perenidade da Mostra nos últimos anos destacou como "o DNA brasileiro" está presente em "lugares-chave" do festival, seja na já citada abertura ou no encerramento, com o longa Dois Papas (2019), dirigido pelo compatriota Fernando Meirelles, além de diversos títulos "que levaram o Brasil para fora do país" e serão exibidos no Theatro Municipal em São Paulo, a exemplo do nosso representante na próxima corrida do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, A Vida Invisível (2019), de Karim Aïnouz, na próxima sexta (18). No entanto, esta opção surgiu desde a escolha de uma artista nacional para ilustrar o pôster desta edição, algo que não acontecia desde a 35ª, relembrou a Almeida. A diretora ressaltou a doçura e gentileza do trabalho de Nina Pandolfo que a tornaram seu traço ideal para a mensagem de 2019: uma docilidade e diversidade que servem de resistência, palavra que passou várias vezes pela boca das autoridades e personalidades presentes durante os anúncios dos destaques no Espaço Itaú de Cinema Augusta.

 

"É preciso marcar uma espécie de resistência pró-ativa para estes ataques que a cultura tem recebido", advogou Alexandre Youssef, secretário municipal de Cultura de São Paulo que destacou a Mostra como forma de "levantar uma bandeira pela liberdade de expressão, contra a censura, de um pensamento contra a barbárie", além de já integrar o calendário cultural da cidade que, segundo ele, é "muito mais modernista do que bandeirante". Para Laís Bodanzky, cineasta que hoje é presidente da Spcine, trata-se de "uma crise que não diz respeito ao setor, que vai muito bem obrigado" e que, se houve menos dinheiro, teve também mais dedicação da parte dela e de todos os envolvidos para fazer mais para o evento que faz parte da capital há 43 anos. A diretora ainda frisou que Turma da Mônica: Laços (2019), presente em uma matinê das sessões gratuitas no Theatro Municipal, foi a quarta maior bilheteria do circuito Spcine desde sua criação, superando blockbusters hollywoodianos e provando o interesse do público pelo cinema brasileiro, na hora de destacar esta e outras ações conjuntas da agência de fomento paulistana nesta edição, como também a mostra itinerante de filmes em realidade virtual em seis unidades do CEU espalhadas pela metrópole e a seleção de alguns títulos disponíveis no Spcine Play, única plataforma pública de streaming do país.

 

Confira aqui a cobertura do NERVOS nesta 43ª Mostra, com críticas breves dos destaques diários, entrevistas e muito mais:

 

Abertura – Uma rede complexa e superficial:

Crítica de Wasp Network

 

Dia 1 – Resistindo às opressões:

Críticas de Papicha | Honeyland | Mataindios | A Maratona de Brittany

 

Dia 2 – Sob a superfície:

Crítica de Os Dias da Baleia

+ Mataindios | Wasp Network | A Maratona de Brittany

 

Entrevista com o cineasta Karim Aïnouz sobre A Vida Invisível:

Podcast NERVOS Entrevista #30 | A VIDA INVISÍVEL

 

Dia 3 – Dilemas morais e éticos:

Crítica de Mente Perversa / Head Burst

+ Papicha | Honeyland | Os Dias da Baleia

 

Dia 4 – Realidades paralelas:

Crítica de Assimetria

+ Wasp Network

 

Entrevista com a diretora Maša Neškovic e a atriz Mira Janjetovic, de Assimetria

 

Dia 5 – A ausência e onipresença da figura paterna:

Crítica de Cavalos Roubados

+ A Maratona de BrittanyHoneyland

 

Dia 6 – Criando cinema dentro da tela:

Crítica de O Filme do Bruno Aleixo

+ Papicha | Os Dias da Baleia

 

Dia 7 – Lutas precoces pela sobrevivência:

Crítica de Chuvas Suaves Virão

Cavalos Roubados | Honeyland | A Maratona de Brittany

 

Bate-papo com o diretor Sebastian Borensztein e o produtor Federico Posternak, de A Odisseia dos Tontos

 

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