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O ENIGMA DA ROSA | Uma flor que já selou melhores segredos

14/10/2019

 

Se a terra de Almodóvar, Buñuel e tantos outros cineastas célebres tem, atualmente, as séries como produção audiovisual mais conhecida pelo público mundial, graças aos títulos “exportados” através da Netflix, o mesmo espírito de tramas rocambolescas destas atrações, talvez, seja o motivo para o lançamento no Brasil do filme espanhol O Enigma da Rosa (2017). No segundo longa-metragem de Josué Ramos, o mistério sobre o desaparecimento de uma menina chamada Sara (Patricia Olmedo) é apenas uma desculpa para a revelação gradual de segredos familiares cada vez mais escabrosos. Entretanto, diferente das produções compatriotas mais bem acabadas, o título se assemelha a obras universitárias e/ou estudantis no amadorismo e pretensão que simultaneamente se vê em trabalhos do tipo.

 

Nos primeiros minutos do thriller dramático, o que salta aos olhos e ouvidos do público é a deficiência de alguns aspectos técnicos dele. Na direção conduzida a partir de vários planos-sequências com a câmera na mão, o foco se perde às vezes, enquanto a captação e mixagem de som deixam que ruídos de segundo plano, como o barulho da respiração e do simples raspar de uma roupa, soem muito alto. Além disso, alguns cortes secos da montagem parecem mais falta de opção do que um planejamento do diretor que havia rodado antes a autoficção Involucrado (2013).

 

A opção pelos planos-sequências exige ainda mais do elenco e a sorte de Ramos é que ele conta com um trio de atores talentosos que se esforçam para elevar seus diálogos. Pedro Casablanc, do seriado histórico Isabel (2011-14), e Elisabet Gelabert, da mesma série de época e também de La Casa de Papel (2017-), interpretam os pais desesperados em busca de Sara, que desapareceu quando ia para a escola e estava sem celular por conta de um castigo, enquanto o estreante Ignacio Fernández ainda se mostra cru como o irmão da garota de características dúbias. Contudo, é quando Ramiro Blas, de Vis a Vis (2015-19), surge como o sequestrador que deseja se encontrar com a família, que a narrativa ganha ritmo e tanto o ator quanto os planos nele se tornam hipnóticos ao espectador, apesar dos rumos absurdos que a trama vai ganhando.

 

Se a ideia de força-los a revelarem seus segredos pode remeter a outros bons títulos em que reuniões familiares ou de amigos instigam momentos do tipo ou até crimes neste ínterim, o sadismo com que Josué inflige castigos a eles, através deste homem desconhecido que os instiga a se autoflagelarem moralmente, recorda mais o trabalho de Michael Haneke em Funny Games, seja o original austríaco de 1997 ou o remake hollywoodiano de 2007. Aliás, uma refilmagem de O Enigma da Rosa está prevista pela produtora recém-criada pelo astro Chris Hemsworth e este, talvez, seja um dos raros casos de uma versão made in Hollywood com potencial para elevar o material original aproveitando o potencial da história e eliminando seus excessos. Eles surgem no momento em que a narrativa ganha contornos sexuais e a produção espanhola toma escolhas mais questionáveis: a sujeição da mulher à uma situação deplorável, o castigo à homofobia que se torna homofóbico nas entrelinhas e uma reviravolta novelesca que traz a temática mais importante do filme, mas que fica apagada por tudo que veio antes.

O Enigma da Rosa (Bajo la Rosa, 2017)

Duração: 99 min | Classificação: 16 anos

Direção: Josué Ramos

Roteiro: Josué Ramos

Elenco: Ramiro Blas, Pedro Casablanc, Elisabet Gelabert, Ignacio Fernández, Zack Gómez, Miquel Insua, Eva Llorach, Carles Moreu e Patricia Olmedo (veja + no IMDb)

Distribuição: Elite Filmes

 

 

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