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QUERIDO MENINO | Um dia de cada vez

06/03/2019

 

Com a indicação de Timothée Chalamet mais uma vez ao Globo de Ouro sendo o ponto alto de Querido Menino (2018) nesta temporada de premiações, o feito soa menos um agraciamento e mais uma decepção para um filme que parece ter sido feita sob medida para os holofotes desta época. A história real da relação de um pai e seu filho dependente químico traz a temática importante e comovente seria o veículo ideal para o primeiro longa norte-americano de Felix van Groeningen, diretor belga que teve o seu Alabama Monroe (2012) indicado ao Oscar, assim como as interpretações do jovem e promissor ator e de Steve Carell surpreender aqueles que ainda só o conhecem pelos papeis cômicos. O resultado pode ser frustrante nas grandes pretensões da produção, mas é justamente nessas atuações que a narrativa se sustenta na humanidade fragilizada que é posta na tela.

 

O roteiro assinado por Luke Davies e pelo diretor adapta tanto os relatos escritos pelo pai David Sheff, no livro Querido Menino (2008), e pelo filho Nic Sheff, em Tweak: Growing Up on Methamphetamines (2008), para falar do drama do vício a nível individual e familiar, destacando o calvário de quem convive com uma pessoa adicta. Assim, o público conhece a ótima relação entre o David vivido por Steve Carell e o Nic interpretado em diversas idades por Kue Lawrence, Zachary Rifkin, Jack Dylan Grazer e Timothée Chalamet. Muitas vezes assumindo uma figura mais de amigo do que paterna, ele observa, porém, a degradação, em alguns aspectos emocionais, gradual, e na dependência pela metanfetamina, repentina do garoto, não passando mais a reconhecer aquele menino do qual era tão íntimo e que tinha um futuro pela frente, estando prestes a entrar na faculdade.

 

Filho de pais separados, mas convivendo em uma “família feliz” com o pai, a carinhosa madrasta Karen (Maura Tierney) e seus meio-irmãos mais novos (Oakley Bull e Christian Convery) e sendo acolhido depois pela mãe (Amy Ryan), Nic é construído para fugir da armadilha comum de achar apenas os vindos de berços desajustados estão suscetíveis aos males das drogas – assim como também é privilegiado por um olhar mais benevolente a ele do que a tantos outros usuários.

 

A narrativa empregada por Van Groeningen é pontuada por inúmeros flashbacks, seguindo um fluxo temporal que serve mais para o contraste ou reforço do estado emocional do presente. Essas idas e vindas da montagem tornam o filme cansativo em suas duas horas de duração, particularmente em seu terceiro ato, mas a sensação pode ser até proposital, já que o ciclo de recuperação e recaídas, geralmente, faz parte da rotina dos dependentes químicos e de suas famílias. Esse constante movimento, porém, se revela mais prejudicial no que condiz aos pontos de vista que se intercalam mais entre pai e filho, às vezes, perdendo a chance de se aprofundar em uma das perspectivas.

 

Por isso, se o final pode soar anticlimático para alguns, o filme só se completa para o espectador se ele permanecer na sala durante os créditos finais. Em off, Chalamet declama o poema completo de Charles Bukowski, citado durante a trama e que conversa diretamente com a história de seu personagem e a necessidade de dar valor às pequenas coisas depois de buscar nas drogas as grandes sensações e os momentos grandiosos que desejava. Como diz a letra de John Lennon na música que dá o título original e está na trilha, Beautiful Boy, a “vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo planos” e não só Nic precisou se focar nas vitórias diárias para lidar com a dependência, como Querido Menino seria melhor se pensasse tal qual o seu monólogo conclusivo e emocionante de Let It Enfold You para quem conhece o drama na vida real.

Querido Menino (Beautiful Boy, 2018)

Duração: 120 min | Classificação: 14 anos

Direção: Felix van Groeningen

Roteiro: Luke Davies e Felix van Groeningen, baseado nos livros “Querido Menino” de David Sheff e “Tweak: Growing Up on Methamphetamines” de Nic Sheff

Elenco: Steve Carell, Timothée Chalamet, Maura Tierney, Amy Ryan, Jack Dylan Grazer, Oakley Bull, Christian Convery, Kaitlyn Dever, Kue Lawrence, Zachary Rifkin, Amy Forsyth e Timothy Hutton (veja + no IMDb)

Distribuição: Diamond Films

 

 

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