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BUMBLEBEE | Meu Amigo Transformer

26/12/2018

 

Quando em um charmoso fusca amarelo, um charmoso Transformer surge para a personagem deslocada de Hailee Steinfeld, tem-se aquele encontro visto diversas vezes no cinema, no qual uma criança ou jovem estabelece uma relação de amizade única com uma criatura extraordinária, e que se mostra ideal para reavivar a franquia inspirada na linha de brinquedos da Hasbro. Bumblebee (2018) não é só um filme de origem no sentido mais comum do termo, por ser um prequel que antecede os eventos dos cinco longas anteriores para mostrar a chegada do mais famoso desses robôs alienígenas à Terra, em plenos anos 1980. A nova produção é uma aventura que volta às raízes dos Transformers e se distancia do caminho de blockbuster de ação pirotécnico para o qual Michael Bay levou a série cinematográfica.

 

Travis Knight, diretor de Kubo e as Cordas Mágicas (2016), animador principal de Coraline e o Mundo Secreto (2009) e Os Boxtrolls (2014), todos longas da Laika, estúdio de animação do qual é CEO há quase dez anos, foi buscar na série animada Transformers (1984-87) o coração da relação que foi construída entre os fãs e esses brinquedos, além de toda a nostalgia oitentista. O resultado se aproxima do primeiro filme em live action, de 2007, que ainda conseguia ter clareza em sua narrativa e efeitos especiais, diferente do bombardeio audiovisual que foi se expandindo até Transformers: O Último Cavaleiro (2017), mas é, de longe, o melhor capítulo da franquia. Se há um pouco de Bay na abertura em Cybertron e no clímax, o novo diretor não apenas é mais paciente em demonstrar e aproveitar as transformações de Bumblebee para vários efeitos, inclusive cômicos, como traz dinâmicas diferentes nas cenas de luta entre ele e os vilões Decepticons, a exemplo da protagonista correndo entre a briga deles, e em todo o resto da história fora da ação, levando-a para outros lugares.

 

A direção de Knight e o roteiro de Christina Hodson estruturam Bumblebee como uma aventura oitentista, construindo a amizade da adolescente Charlie (Hailee Steinfeld) e o Autobot que se disfarçou como um fusca amarelo ao estilo do que o seu produtor Steven Spielberg fez no clássico E.T.: O Extraterrestre (1982) e se tornaria um modelo para vários filmes: as animações O Gigante de Ferro (1999) – do qual este guarda algumas similaridades com este lançamento – e Operação Big Hero (2014), o novo Meu Amigo, o Dragão (2016)), entre tantos outros. Trata-se aqui de dois outsiders, com a jovem que sente a falta do pai falecido e não se encaixa dentro da própria família – destaque para Pamela Adlon como a mãe dela – e um refugiado de outro planeta que perde sua voz e sua memória em solo terrestre – além de Memo (Jorge Lendeborg Jr.) como um terceiro elemento depois –, que se encontram e se compreendem ao ponto dela ajuda-lo indiretamente a se comunicar através do rádio. Embora não tendo um desenvolvimento tão tridimensional, a roteirista de Refém do Medo (2016) e Paixão Obsessiva (2017), que será responsável pelas próximas produções da DC, Aves de Rapina (2020) e Batgirl, traz a primeira protagonista feminina para a franquia que sempre ficou muito presa à dinastia Witwicky e utilizou a figura da mulher como atrativo para o público masculino ou personagens de destaque decorativo.

 

Contudo, o filme não se leva muito a sério e o próprio casting de John Cena como o oficial de um grupo militar de operações especiais secretas revela isto. Se o texto usa do fantasma da Guerra Fria naquele verão californiano de 1987 até de forma cômica, da mesma maneira, roteiro e direção se utilizam, sem vergonha, de clichês de filmes adolescentes da época, do trio de meninas vilãs que aparece para atormentá-la ao parque de diversões onde trabalha, que carrega um quê de Footloose – Ritmo Louco (1984) e Top Gun – Ases Indomáveis (1986) com cores vibrantes em um clima ensolarado e até um rapaz sem camisa. Os anos 80 estão tanto na forma quanto nas inúmeras citações que vão desde o paralelo alienígena com a série ALF, o Eteimoso (1986-90) à incorporação do final do Clube dos Cinco (1985) na trama, mas são ainda mais evidentes na trilha sonora de one-hit-wonders, a exemplo de Never Gonna Give You Up, e clássicos oitentistas, como canções da banda favorita de Charlie, The Smiths, em uma seleção que se aproveita dessa nostalgia para criar um significado através das músicas à relação entre a humana e seu Transformer, nunca antes obtido nesta saga.

Bumblebee (Bumblebee, 2018)

Duração: 114 min | Classificação: 10 anos

Direção: Travis Knight

Roteiro: Christina Hodson

Elenco: Hailee Steinfeld, Jorge Lendeborg Jr., John Cena, Jason Drucker, Pamela Adlon, Stephen Schneider, Ricardo Hoyos, John Ortiz, Glynn Turman e Len Cariou, com vozes de Dylan O'Brien, Peter Cullen, Angela Bassett e Justin Theroux (veja + no IMDb)

Distribuição: Paramount

 

 

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