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MAGNÍFICA 70 – 3ª temporada | O fim de uma era ou sua repetição

15/10/2018

 

Quando entrou no ar em 24 de maio de 2015, na HBO Brasil, Magnífica 70 (2015-18) apresentava como proposta o resgate, com muitas liberdades, da era em que as pornochanchadas produzidas na Boca do Lixo viviam o seu auge, mesmo com as intervenções da censura. Hoje, a terceira e última temporada da série estreia estabelecendo paralelos com o período de trevas que deverá assombrar as manifestações artísticas a partir do próximo ano.

 

Após a apresentação do primeiro episódio do fechamento da trilogia de Magnífica 70, no escritório da HBO em São Paulo, o diretor geral Cláudio Torres, as atrizes Simone Spoladore e Maria Luísa Mendonça e o vice-presidente corporativo de Produções Originais da HBO Latin America, Roberto Rios, participaram de uma coletiva para a imprensa. "Quando começamos a escrever Magnífica 70 há seis anos, era impensável cogitar a volta de um governo militar, com a censura sendo invocada outra vez", reflete Torres sobre a atualidade de seu texto.

 

Assim como aconteceu na transição da primeira para a segunda temporada, os personagens centrais da série outra vez passam por uma mutação neste ciclo narrativo final. Antes uma aspirante a atriz vibrante, Dora Dumar (papel de Simone Spoladore) está deprimida e clamando pelo fim de sua existência ao se refugiar em uma igreja e constatar que traz a desgraça para todos que a cercam. Vicente (Marcos Winter) sucumbiu à loucura. Se, nos dois últimos anos, era o censor que se deslumbrou com o cinema brasileiro ao testemunhar e participar de seus mecanismos em segredo, agora é assombrado pelo fantasma de seu ex-sogro General Souto (Paulo César Pereio), ao ponto de se converter em sua reprise.

 

Se os fãs tiveram um choque ao embarcar na segunda temporada com a efetivação de um romance improvável entre Isabel (Luísa Mendonça) e Manolo (Adriano Garib), na terceira, verão ambos traçando rumos diferentes. Uma mera esposa troféu de Vicente no passado, Isabel se transformou em uma mulher independente e idealista, convocando uma revolução feminina com arma em punho enquanto assalta um prostíbulo. O oposto acontece com Manolo, que joga a toalha incendiando o estúdio Magnífica e dirige para um destino que desconhece.

 

Não é uma tarefa fácil reprisar esses papéis dentro de mudanças tão radicais e o NERVOS, representado desta vez pelo Alex Gonçalves, perguntou para as atrizes como se prepararam para resgatá-las entre uma temporada e outra. "Esse é um trabalho muito bonito, lembro de ter discutido com o Cláudio sobre buscar referências e construir diariamente quem era essa personagem", disse Spoladore sobre quando lhe foi ofertada a oportunidade de viver Dora Dumar. Ao embarcar no segundo ano de Magnífica 70, buscou um outro processo de composição: "Procurei por uma dançarina para fazer uma investigação sobre o corpo".

 

Para o terceiro e último ano, estabeleceu novamente um método diferente. "Sinto que voltei agora quase como uma mula sem cabeça, sem saber o que estava fazendo. É quase como se Dora tivesse virado uma entidade. Não raciocinava ao fazê-la, estava simplesmente lá", compartilha Simone. Quanto à Maria Luísa Mendonça, ela disse que muita coisa é determinada nos cortes do material bruto e sua posterior organização ao pensar em retrospecto. "Gosto muito dessa frase, 'o que não se filma, não se edita'. Eu não tenho mais o poder sobre aquilo que fiz, mas reflito muito hoje como atriz na edição", disse.

 

Já para Cláudio Torres, NERVOS apontou o crédito do cineasta Alfredo Sternheim na função de consultor e questionou se eventos reais que se deram na Boca do Lixo foram usados como inspiração para a sua ficção. "Não exatamente. Brincamos ao longo das três temporadas com coisas que foram antecipadas ao próprio tempo, como se os personagens tivessem a ideia de fazer algo que depois veio a acontecer de fato no Brasil", atesta o realizador, relembrando também que um os aspectos principais da primeira temporada foi a criação de um falso grupo terrorista. "Trouxemos a VAP (Vanguarda Armada Popular) para justificar a morte de Larsen, o personagem do Stepan Nercessian. Cria-se um terrorismo contra o cinema e posteriormente chegou a existir grupos como o ISIS que filmam como essa equipe. Foram essas as brincadeiras que fizemos. Nesta última temporada, iniciamos fazendo alusão ao Atentato do Riocentro", aponta o diretor.

 

 

Rebobinando Magnífica 70

 

Ao contrário dos seriados de antologia, com temporadas ou mesmo episódios independentes, é preciso maratonar toda Magnífica 70 antes de chegar a sua fase derradeira. A dedicação valerá a pena, especialmente no primeiro ano.

 

Além da homenagem a uma era que influencia muitos jovens talentos da nossa geração e que volta a ser debatida com o lançamento de documentários como o recente Histórias Que Nosso Cinema (Não) Contava (2018), Cláudio Torres supera os seus trabalhos no cinema propondo aquele modelo de thriller em que os nós são muito bem atados mesmo em seu volume de conflitos. Isso sem contar a estupenda recriação de época e o trabalho de todo o elenco – sobretudo o de Simone Spoladore, um furacão em cena.

 

Já a segunda temporada fica a dever. A intenção de Torres e a sua equipe de roteiristas e diretores foi de enfatizar uma dinâmica de família errante, inclusive forçando a separação entre Vicente e Isabel para que esta passasse a se relacionar com Manolo e trazendo personagens secundários de modo amoral, como Dario (Pierre Baitelli), o irmão de Dora. É consenso que o segundo ano de Magnífica 70 se desenrola sem muita consistência, mas os seus episódios finais recuperam aquele entusiasmo que transformou a série em um sucesso inclusive internacional: em uma viagem a Londres, Simone Spoladore foi reconhecida por fãs que a assistem no Channel 4.

 

Agora é conferir os desfechos destes personagens na terceira e derradeira temporada de Magnifíca 70, que contará com 10 episódios, sendo a estreia do primeiro hoje na HBO, às 21h.

Magnífica 70 (2015-18)

Série ficcional (estreia da 3ª temporada) | 3ª temporada: 10 episódios, de 14 de outubro a 16 de dezembro de 2018

Canal: HBO | Exibição: Domingos, às 21h

Horários alternativos: domingos, às 23h na HBO | segundas, às 21h na HBO 2 | terças, às 20h na HBO 2 | quarta, na faixa da 1h a 2h na HBO 2 e na faixa das 23h40 a 0h35 na HBO

Direção Geral: Cláudio Torres

Elenco: Simone Spoladore, Marcos Winter, Maria Luísa Mendonça, Adriano Garib, Charles Fricks, Leandro Firmino, Mariana Lima, Mário Gomes, Taumaturgo Ferreira, Cristina Lago, Gracindo Junior, Maria Zilda Bethlem e Vinicius de Oliveira

Produção: Luis F. Peraza, Roberto Rios, Eduardo Zaca e Maria Angela de Jesus (HBO Latin America); Cláudio Torres e Gustavo Baldoni (Conspiração Filmes)

 

 

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