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TUDO POR UM POP STAR | Febre adolescente

13/10/2018

 

Tudo é uma questão de vida e morte para quem é adolescente, quando, sob os efeitos das mudanças físicas e comportamentais desta fase de transição, a dramaticidade os acompanha, com os problemas se tornando maiores do que são e as paixões parecendo mais eternas do que realmente serão. Por isso, são a faixa etária mais suscetível às loucuras do fanatismo pelo seu(s) ídolo(s), captada por Thalita Rebouças em seu livro Tudo Por um Pop Star (2003). A autora brasileira que faz grande sucesso entre o público juvenil adapta sua obra para os cinemas e assina o roteiro do filme homônimo de Bruno Garotti.

 

Em Tudo Por um Pop Star (2018), Klara Castanho vive Manu, Maísa Silva encarna Gabi e Mel Maia interpreta Ritinha, as três amigas de uma cidade do interior que, como tantas outras no Brasil, são apaixonadas pela boy band internacional Slavabody Disco Disco Boys, que pela primeira vez vem ao país, para fazer um show no Rio de Janeiro. O trio de meninos, sendo um deles brasileiro (João Guilherme, sendo Isacque Lopes e Victor Aguiar seus companheiros de palco), é a personificação dos vários grupos do gênero que ciclicamente invadem as paradas de sucesso – provavelmente as mães que estiverem na plateia se reconhecerão ali como as fãs de outrora, de Backstreet Boys, *NSYNC, Five, New Kids on the Block e etc. Se eles cantam canções pop conhecidas como Sing de Ed Sheeran, a música mais chiclete do filme vem na voz das protagonistas, que, com seu “Eu faria tudo por um pop star” do vídeo que gravam para concorrer a ingressos VIP do show, fica grudado na cabeça do espectador. Com a ajuda da prima de Manu, a (ir)responsável por elas Babette (Giovanna Lancellotti, ótima com o tipo “natureba”), elas vão para terras cariocas e, como é de se esperar, se envolvem em “altas confusões”.

 

Entre acertos e erros, a produção redondinha contrasta, por exemplo, a direção pop e a fotografia agradável e solar, às vezes, parecendo até filtro de Instagram, com uma mise-en-scène e efeitos visuais mal executados na cena da queda da piscina. O roteiro de Rebouças, com a colaboração do diretor Garotti e Dadá Coelho, peca por certas conveniências como a passividade com que as meninas aceitam uma injustiça ou o sotaque carioca carregado em uma fictícia cidade a 400 km da cidade do Rio de Janeiro – sendo que, na realidade, nem o município fluminense mais distante da capital chega a essa distância, e pelo estereótipo gay que utiliza no youtuber Billy Bold (Felipe Neto). O texto, porém, feito sob medida para seu público-alvo também traz piadas eficientes, como a do clima bom do Rio, e uma brincadeira com o clichê que usa das colegas rivais, no trio com Maitê Padilha como uma queen bee e Bárbara Maia e Gabz como as outras que repetem tudo o que ela fala. No entanto, nada se destaca mais no filme do que a valorização da amizade de suas protagonistas, em uma boa química alcançada por Klara, Maísa e Mel, com esta se sobressaindo um pouco mais no ceticismo de sua Ritinha frente a empolgação de suas amigas.

 

 

O fanatismo das páginas para as telas

 

 

A primeira publicação de Thalita Rebouças, Traição Entre Amigas (2000), acabou fazendo sucesso com as adolescentes e determinando os rumos da carreira da escritora e jornalista carioca que, durante a coletiva de imprensa do longa Tudo Pop um Pop Star, em São Paulo na segunda retrasada (1), falou do prazer de receber a resposta efusiva deste público. “Escrevo como uma menina de 14 anos e reviso como uma mulher de 43”, explicou a autora sobre o seu processo de criação que, neste caso, foi especial ao adaptar seu próprio trabalho para o cinema, mantendo a essência do livro, mas tendo de atualizar, 15 anos depois de publicado, o seu conteúdo para a era do YouTube, selfies e redes sociais. “Todos fomos adolescentes ou vimos isso”, justificou o diretor Bruno Garotti sobre o sucesso da história do livro, que já virou musical e agora virou um filme.

 

Tudo Por um Pop Star, aliás, fez parte da vida de alguns do elenco de sua adaptação cinematográfica. “Foi o primeiro livro que li na minha vida, dado pela própria Thalita”, afirmou a Klara Castanho, junto com sua colega do trio protagonista, Maísa Silva, declarando que o livro a prendeu muito “por causa da amizade das meninas” e o intérprete do ídolo de sua personagem, João Guilherme – que já trabalhou no outro filme inspirado em um best-seller de Rebouças, Fala Sério, Mãe! (2017) –, recordando ter conhecido o título na roda de leitura de seus amigos. Mesmo Mel Maia, que não chegou a lê-lo inteiro, conhecia o trabalho da autora, assim como Giovanna Lancellotti, dizendo que “a Babette é a personagem que mais me identifico na minha carreira”.

 

Justamente por essa questão de identificação, Thalita afimou que seus livros sempre são passados no Rio, enquanto as meninas respondiam sobre o processo para falar “carioquês”: para se igualarem ao sotaque arrastado de Mel, Maísa contou com a ajuda da própria e Klara também destacou as aulas de prosódia para chegar neste sotaque carioca. Rebouças, que ressaltou ter escolhido no livro um nome esdrúxulo para a banda de propósito, ainda participa da trilha sonora do filme, junto com o namorado músico e produtor musical do longa, depois dos bons resultados de Fala Sério, Mãe!: “queria uma música chiclete” confessou, ao falar da composição de Tudo Por Um Pop Star. João Guilherme, inclusive, a agradeceu pela oportunidade de cantar essas canções – que estão disponíveis em streaming, por sinal, como dá para conferir lá embaixo deste post.

 

O elenco também contou aos jornalistas sobre as filmagens que foram do subúrbio carioca de Marechal Hermes a uma casa de espetáculos paulistana, em pleno show do Wesley Safadão nas tomadas da plateia, mas destacaram as cenas no fusca, o qual Lancellotti não conseguia dirigir direito, e da briga no banheiro, ou no “subsolo do inferno” como Maísa classificou, tamanho o calor, como as mais divertidas e inesquecíveis de se gravar. Garotti, que está na direção de seu segundo longa, depois de fazer Eu Fico Loko (2017), ainda recebeu elogios das duas atrizes. Giovanna ressaltou o carinho dele e a paciência em aguentar o furor de tantos jovens, incluindo ela, e a jovem que será protagonista de Cinderela Pop (2019), próximo trabalho de Bruno, declarou que ele é o “melhor diretor”, além de frisar o fato de ter ganhado amigas como Klara e Mel durante a produção de Tudo Por um Pop Star.

 

E com um título e uma história dessas, era de se esperar alguma pergunta ao elenco sobre o que eles já fizeram por um ídolo. Contrariando suas personagens, Klara afirmou que “não faria tanta loucura”; Maísa, que tinha até escova de dente do Justin Bieber, disse que não é tão fã como antes e hoje tem admiração e não fanatismo pelo cantor; e Mel, apesar de falar que não tem um ídolo específico, confessou que, junto com as amigas, faria pela Selena Gomez, “porque não é que nem a Ritinha”. João Guilherme contou que achava não ter esse sentimento de idolatria, mas ao ver o Chris Pratt, ficou sem reação: “Não conseguia respirar, fiquei totalmente em choque. Eu tirei uma foto e não conseguia tirar esse sorriso” relembrou, fazendo a mesma cara de bobo da ocasião. No entanto, ninguém supera Giovanna Lancellotti, que de tão fã de Sandy & Júnior, descobriu e foi na casa da avó da dupla, chorando e se esperneando a cada tentativa frustrada de conhecer seus ídolos.

Tudo Por um Pop Star (2018)

Duração: 85 min | Classificação: Livre

Direção: Bruno Garotti

Roteiro: Thalita Rebouças, com colaboração de Bruno Garotti e Dadá Coelho, baseado no livro “Tudo Por um Pop Star” de Thalita Rebouças

Elenco: Klara Castanho, Maisa Silva, Mel Maia, Giovanna Lancellotti, Felipe Neto, João Guilherme, Isacque Lopes, Victor Aguiar, Letícia Isnard, Flávia Garrafa, Osvaldo Mil, Maitê Padilha, Bárbara Maia, Gabz, Ernani Moraes, Victor Lamoglia e Miguel Nader (veja + no IMDb)

Distribuição: Downtown Filmes / Paris Filmes

 

 

 

 

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