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EXPOCINE 2018 | Dia 3 – A ponta final da teia cinematográfica

05/10/2018

 

O terceiro e penúltimo dia da Expocine18 teve de vários Homens-Aranha a Kardec no painel da Sony no maior evento da indústria cinematográfica da América Latina, que, ontem (4), também contou com a apresentação exclusiva dos próximos lançamentos da Paris Filmes. Nesta quinta, o NERVOS também conferiu o encontro da AExib, associação dos pequenos e médios exibidores, que contou com a presença do presidente da Ancine, Christian de Castro, além de dar uma espiada em alguns estandes da feira que apresenta as novidades deste mercado, na área de exibição, distribuição e fornecimento de tecnologias, serviços e produtos para o setor.

 

 

Sony explorando outros universos

 

Iniciando os trabalhos com um vídeo de apresentação dos títulos do seu catálogo no último ano, a Sony Pictures recordou dos bons resultados obtidos em 2018 antes de falar sobre o futuro. A diretora de marketing Claudine Bayma falou das marcas de Jumanji: Bem-vindo à Selva (2017), a segunda maior bilheteria da distribuidora no país e também de janeiro, além de ser a maior abertura de tal mês; Sobrenatural: A Última Chave (2018) obtendo os melhores resultados da franquia de terror; e Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas (2018) ficando com o terceiro lugar no ranking total da empresa e o Brasil sendo o sétimo maior público nacional para a terceira animação da saga.

 

Logo depois foi hora de falar dos próximos lançamentos, começando por aquele que chegou aos cinemas justamente ontem: Venom (2018), filme solo do anti-herói do universo do Homem-Aranha foi destacado pela sua campanha de divulgação por aqui, que começou com a apresentação na CCXP 2017, que teve direito até a bandeira especial esticada sobre a plateia do painel da distribuidora na ocasião, aos gritos de We Are Venom. Mas semana que vem, a distribuidora já lança Goosebumps 2 – Halloween Assombrado (2018) no dia 11 de outubro, visando alcançar o público infantil com inserções em canais infanto-juvenis e a proximidade do Halloween.

 

Além do trailer da aventura de terror, a empresa apresentou o material já divulgado de seus lançamentos para os próximos meses, com o novo Millennium: A Garota na Teia de Aranha (2018), em que Claire Foy encarna a personagem Lisbeth Salander nas telas, a partir de 08 de novembro. O Quebra-Cabeça (2018), que estreia na semana seguinte, no dia 15, mostrando Kelly Macdonald como uma dona de casa que foge da rotina e se encontra quando começa a praticar e jogar quebra-cabeças. A história real dos anos 80, de um adolescente traficante e informante da polícia em Detroit, com Richie Merritt e Matthew McConaughey, em White Boy Rick (2018), chega em janeiro; além do trailer inédito da trama sobre uma cadela perdida rodando os Estados Unidos, A Caminho de Casa (2019).

 

Neste ínterim, a Sony ainda lança Homem Aranha: No Aranhaverso (2018), em 10 de janeiro. O line-up de 2019 da distribuidora ainda conta com muitas novidades, incluindo o novo As Panteras (2019) e a produção nacional Kardec (2019), que ganhou destaque especial com a presença da equipe criativa do longa, que será lançado no dia 16 de maio.

 

 

“O Kardec tá vivo. O Kardec do Leonardo Medeiros está mais vivo que o próprio Kardec” afirmou Marcel Souto Maior, escritor da biografia do criador da doutrina espírita que deu origem ao filme que, segundo ele, une a cinebiografia ao clima de thriller. Tanto ele quanto o diretor Wagner de Assis ressaltaram a relevância do público praticante ou simpatizante do espiritismo nos cinemas, visto pelo próprio cineasta em Nosso Lar (2010) e observado também em outro sucesso da mesma temática, Chico Xavier (2010). Assis ainda comentou sobre o elenco que, além de Leonardo Medeiros na pele do professor francês que descobriu um novo caminho, traz Sandra Corveloni como a sua esposa, Guida Viana, Guilherme Piva, as crianças Julia Svacinna e Leticia Braga, entre outros nomes; apresentou imagens de cena e locações; e, em primeira mão, mostrou um teaser exclusivo com os bastidores da produção.

 

O painel da Sony, porém, não terminou sem que se voltasse a falar de Homem Aranha: No Aranhaverso, com a diretora de marketing destacando a textura, a luminosidade e outros detalhes que tornam o visual desta animação em estilo HQ em algo nunca antes visto. No longa, na Brooklin de Miguel Morales, o adolescente encontra outros versões do Homem-Aranha, como ele, só que vindas de outros universos, desde o famoso Peter Parker até a Spider-Gwen, Spider-Man Noir, Peni Parker e Spider-Ham. Para finalizar, foram exibidos os mesmos 4 minutos do filme que são apresentados durante os créditos de Venom, nas cópias distribuídas nos cinemas.

 

 

Um panorama do mercado exibidor brasileiro

 

 

Logo depois da apresentação da Sony no Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca, foi a vez do Encontro da AExib, associação que reúne pequenos e médios exibidores, embora representantes das redes de grande porte estivessem também presentes na reunião aberta realizada no auditório montado no Centro de Convenções Frei Caneca. O objetivo da atividade era levantar algumas questões pertinentes sobre o mercado exibidor no Brasil para mobilizações futuras.

 

Por isso, primeiro Melanie D Schroot, gerente do setor de cinema brasileiro da empresa de marketing e análise de mídia ComScore, foi convidada a dar um parecer sobre o cenário atual do Parque Exibidor Brasileiro em 2018. Segundo seu estudo de caso, até agosto, existiam 818 complexos e 3.338 salas de cinema no país, onde o valor médio do ingresso é R$ 14,88, mas a venda está em queda de cerca de 12% em relação ao ano passado. Entre os grandes exibidores, que ocupam 85,3% do mercado, a perda de bilheteria é maior; entre os médios, que compõem 10,2%, a redução é menor; e entre os pequenos, que são 4,5% do setor e estão presentes principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, o declínio é ainda menor, porém, o aumento nos custos de operação lhes é mais sensível.

 

Depois, foi a vez de Suzana Lobo, da Quanta DGT, apresentar como ocorreu e os próximos passos do processo de digitalização deste parque exibidor, comandado pela empresa, através do programa de conversão digital e integração do VPF (virtual print fee, "taxa de impressão virtual"), subsídio pago pelos estúdios e distribuidores para financiar modernização dos exibidores brasileiros. Segundo a diretora de operações, apesar de o prazo de um ano para a digitalização ter sido cumprido, o tempo para a implementação completa do VPF foi postergado por vários “desequilíbrios” em um mercado tão heterogêneo: desde a discussão tributária sobre o que seria essa taxa que não se encaixa como uma taxação e a resistência das distribuidoras brasileiras, que foi maior que a das internacionais, também houve uma série de problemas circunstanciais, principalmente a alta do dólar frente ao real brasileiro, além da greve da Receita Federal no auge da crise, impedindo a entrada de aparelhos de digitalização e a facilidade que deixou a programação mais rápida nos cinemas também fez com que filmes fossem tirados mais rapidamente de cartaz. Ela afirmou, ao menos, que está em negociação com as majors, por causa da variação cambial, para a prorrogação do prazo de pagamento do VPF de dezembro de 2019 para dezembro de 2021.

 

 

Por último, mas não menos importante, foi dada a fala ao presidente da Ancine, Christian de Castro. O produtor independente de Brasília, radicado no Rio de Janeiro, que está na presidência da agência reguladora de cinema desde outubro de 2017, destacou o gargalo que existe no mercado exibidor brasileiro, onde há uma sala de cinema para 60 a 65 mil habitantes – em comparação, na Argentina, esta proporção é de 40 mil e, no México, de apenas 25 a 30 mil. Castro ainda comentou sobre outros pontos importantes, como a discussão para um modelo mais aferido de cota de tela, que determina um número mínimo para a exibição de produções nacionais; a formação de uma câmara técnica do segmento de exibição, além de uma específica sobre o VPF; o novo PAR, o Prêmio Adicional de Renda que serve de fomento para aquelas empresas que tem o melhor desempenho de bilheteria, conforme o seu ramo; e a questão da acessibilidade nas salas de cinema.

 

 

Uma feira de novidades para chegar aos cinemas

 

 

Dando uma passada rápida na feira que é o carro-chefe da Expocine, é possível ver os mais variados produtos e tecnologias disponíveis, com cada expositor tentando convencer os exibidores de que seu cinema precisa daquele material ou serviço. Desde novos modelos de poltronas reclináveis, para salas VIP ou IMAX a lâmpadas especiais e novos óculos 3D, as empresas exibiam também totens de autoatendimento, pipocas temperadas e máquinas para preparar o alimento, além de copos e baldes de pipoca customizados. No estande da Soluplex, por exemplo, um dos representantes mostrava um de alumínio com relevo do Velozes e Furiosos, que eles importam pois, de acordo com ele, não há material no país para fazer um produto daquela qualidade, que atraiu os visitantes da feira.

 

 

No entanto, entre produtos muito específicos para os exibidores, duas se destacam como novidades já disponíveis ou futuras para o grande público. Uma delas estava no estande da Quanta DGT com a Arkave, especializada em jogos de realidade virtual, como o The Last Squad que estava disponível para os visitantes jogarem, colocando os óculos VR, os joysticks especiais e uma espécie de aparelho/mochila que armazena o jogo, o processador e a bateria para dar mobilidade ao jogador. Vanessa C. Nascimento, assistente da diretoria da Quanta DGT, declarou que a ideia de expor na Expocine é a de oferecer aos cinemas outra opção de entretenimento que possa atrair mais clientes com games VR – segundo ela, jogos em realidade virtual temáticos de filmes ainda são raros, com iniciativas bem ocasionais acontecendo em outros lugares do mundo, embora esse seja um cenário ideal para todas as partes do mercado.

 

 

Mas se a proposta deles procura uma solução alternativa para um cenário pessimista para o cinema, a da Primepass, ao contrário, visa valorizar justamente a experiência primária a se fazer neste lugar: a de assistir filmes. Por isso, a empresa oferece um serviço de clube de assinaturas via aplicativo – ainda passando por melhorias, mas já disponível, segundo o gerente Wellington Silva –, no qual o espectador, conforme o seu plano, pode assistir tal número de filmes por mês, em 90% das salas do país, incluindo as maiores redes. Praticamente uma “Netflix de cinema”, a ideia de oferecer praticidade e economia pode sair uma saída para atrair novamente o público para a sala escura.

Expocine 18

Datas: 02 a 05 de outubro de 2018

Endereço: Centro de Convenções Frei Caneca (São Paulo-SP)

Vagas restantes de credenciamento disponíveis no local

 

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