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MEGATUBARÃO | Cuidado, o (mega)tubarão vai te pegar

11/08/2018

 

Um recurso narrativo muito comum no cinema é utilizar pesquisas científicas como estopim de algo que sai do controle, especialmente alguma força natural extraordinária que desafia o conhecimento e a sobrevivência dos humanos. Megatubarão (2018) nem precisaria do prólogo na abertura, quando a sua segunda sequência apresenta seus outros personagens em uma avançadíssima plataforma de pesquisa em alto mar, que busca comprovar a tese do Dr. Zhang (Winston Chao) nas profundezas do Oceano Pacífico, explicada em termos técnicos para disfarçar a fantasia do argumento, e já traz inconscientemente no público o aviso de que algo vai dar errado. Ok, os cientistas no longa de Jon Turteltaub não são tão megalomaníacos quanto os que criaram tubarões gigantes em Do Fundo do Mar (1999) ou recriaram os dinossauros da franquia Jurassic Park / World, porém, são daqueles que mexeram em quem estava quieto ao adentrarem em uma espécie de “porão escondido” sob o que seria o fundo do mar e trazerem literalmente à tona um animal pré-histórico, o ancestral do temido rei dos mares, o megalodonte.

 

Se, nas vestes de Lara Croft, Angelina Jolie foi capaz de dar um soco em um tubarão, qual astro poderia deter seu antepassado gigantesco na adaptação do livro de Steve Alten, Meg (1997)? Apesar de se ser um típico filme que se encaixaria no subgênero “The Rock”, não é Dwayne Johnson com sua camiseta branca quem vem salvar o dia, mas sim outra estrela dos filmes de ação, o inglês Jason Statham, que já tem sua familiaridade com a água – antes, atleta de saltos ornamentais, chegou a disputar os Jogos da Comunidade Britânica (Commomwealth) em 1990, no entanto, a produção não aproveita seu potencial para colocá-lo em acrobacias antes de mergulhar no oceano profundo. Quando a expedição científica tem problemas há mais de 11 km no fundo do mar, o único que pode resgatá-los é o experiente, mas desacreditado mergulhador Jonas Taylor – nome cuja referência bíblica ao profeta engolido por uma baleia é clara, assim como o personagem tem toques do protagonista do clássico Moby Dick (1851) – que só aceita a missão depois de anos fora do jogo, porque a sua ex-esposa Lori (Jessica McNamee) está entre a tripulação do submarino danificado.

 

O roteiro de Dean Georgaris, Jon Hoeber e Erich Hoeber conduz a narrativa em lugares já conhecidos, sem desenvolver o elenco multinacional de coadjuvantes, que tem os norte-americanos Rainn Wilson (o bilionário que banca a pesquisa) e Page Kennedy (no clichê no personagem negro que serve de breve alívio cômico como DJ), o neozelandês Cliff Curtis (o amigo Mac), os australianos Ruby Rose (a chefe da operação Jaxx) e Robert Taylor (o médico Dr. Heller), o islandês-americano Ólafur Darri Ólafsson (o tal Muralha), o japonês Masi Oka (o abnegado Toshi) e o já citado taiwanês Winston Chao. Pouco mais de atenção é dedicada à filha do cientista, a pesquisadora Suyin Zhang, vivida pela estrela chinesa Bingbing Li, cuja tensão amorosa com Jonas é trabalhada pelo script, tal qual a complementar aproximação do protagonista com a filha dela, Meiying (a ótima Shuya Sophia Cai).

 

A história até traz um frescor ao adiantar um recurso comum aos finais de produção que deixam a possibilidade de uma sequência em aberto como plot twist. A direção de Turteltaub e a fotografia de Tom Stern – parceiro de Clint Eastwood em vários de seus filmes – até utilizam bem a noção de espaço, e a falta dela, dentro do mar para instigar a tensão, ainda que o uso do 3D e 4D não seja tão imersivo como, por exemplo, Terremoto: A Falha de San Andreas (2015), que se favorecia deles em favor do puro entretenimento que disfarçava suas falhas. Entretanto, isso não faz mais do que prender a atenção no público, pois o diretor de Jamaica Abaixo de Zero (1993) e da franquia A Lenda do Tesouro Perdido não entrega o terror espero do subgênero originado desde o sucesso de Steven Spielberg, Tubarão (1975).

 

Turteltaub evita os artifícios estilísticos de um filme B, mas quando o terceiro ato leva a narrativa para este caminho, Megatubarão não consegue nem mergulhar de vez no trash nem ser um thriller mais sério e eficiente como o recente Águas Rasas (2016). A coprodução EUA-China é um entretenimento fugaz que, porém, tem tudo para atingir seu principal objetivo. Com seu elenco, cenário, design de produção e ação moldados para o mercado chinês, o megalodonte deve abocanhar os seus milhões de bilheteria mais fácil do que pernas de turistas em praias chinesas.

Megatubarão (Meg, 2018)

Duração: 113 min | Classificação: 14 anos

Direção: Jon Turteltaub

Roteiro: Dean Georgaris, Jon Hoeber e Erich Hoeber, baseado no livro “Meg” de Steve Alten

Elenco: Jason Statham, Bingbing Li, Rainn Wilson, Cliff Curtis, Winston Chao, Shuya Sophia Cai, Ruby Rose, Page Kennedy, Robert Taylor, Ólafur Darri Ólafsson, Jessica McNamee e Masi Oka (veja + no IMDb)

Distribuição: Warner Bros. Pictures

 

 

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