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TODOS OS PAULOS DO MUNDO | O ator de mil faces e vozes

11/05/2018

 

O jovem clérigo que chega a Diamantina e se apaixona pela concubina de um fazendeiro em O Padre e a Moça (1965), de Joaquim Pedro de Andrade. O índio negro que se torna branco e vai para a cidade grande em Macunaíma (1969), adaptação do mesmo diretor para o clássico modernista de Mário de Andrade. O pai que se envolve na produção de baixo orçamento e de alto grau de denúncia das filhas em Saneamento Básico, O Filme (2007), de Jorge Furtado. O Palhaço Puro Sangue que vê o filho passar por uma crise existencial e desejar uma vida comum em vez do circo em O Palhaço (2011), de Selton Mello.

 

Da sua estreia nas telas e o filme de um dos personagens mais icônicos da cultura brasileira até seus longas mais recentes, a ampla pesquisa de Todos os Paulos do Mundo (2017) revela que há um mundo ainda a descobrir sobre Paulo José. Sua extensa carreira, especialmente cinematográfica, já que seus trabalhos no teatro e na televisão são mostrados pontualmente, são apresentados no documentário de Rodrigo de Oliveira e Gustavo Ribeiro, fazendo o espectador tentar puxar pela memória, ou lhe desperta a curiosidade de pesquisar, a filmografia do ator – até porque os títulos do material de arquivo não são identificados por nenhum elemento gráfico ou legenda no decorrer da produção. Por isso, se assemelha a Pitanga (2016) nesse intuito e efeito de expor a importância do artista retratado para o cinema nacional, de modo especial como um dos rostos do Cinema Novo.

 

Entretanto, se lá o próprio Antonio Pitanga ia resgatar seu passado e carreira através do encontro com amigos e familiares como dispositivo para o documentário dirigido pela filha, Camila Pitanga, e Beto Brant, aqui não existe a mesma intimidade. São captadas imagens atuais de Paulo José em sua casa, já bem debilitado pelo Mal de Parkinson, e particularmente em sua festa de aniversário de 80 anos, celebrada no ano passado. Comenta-se sobre sua família e suas origens no Rio Grande do Sul, a formação prática no Teatro de Arena em São Paulo, o amor por Dina Sfat, um vislumbre da atual mulher Kika Lopes e do diagnóstico da doença que sofre há vinte anos, mas a dupla de diretores está mais interessada na imagem do ator e sua multiplicidade adquirida nas telas e nos palcos.

 

Daí o título, tirado de Todas as Mulheres do Mundo (1966), longa de Domingos de Oliveira que estrelou ao lado de Leila Diniz, que usam reforçar a ideia desses vários Paulos que desejam pontuar. Ribeiro, que dirigiu a série documental A Vaga (2014) e a futura Elas no Singular, e Oliveira, roteirista de Exilados do Vulcão (2013) e diretor de As Horas Vulgares (2011) e Teobaldo Morto, Romeu Exilado (2015), fogem do caminho mais fácil de dispor de entrevistas para construir essa narrativa somente através das cenas de seu material de pesquisa e de escritos e declarações do ator, seja em sua própria voz inconfundível ou de colegas, como Joana Fomm, Milton Gonçalves, Helena Ignez, Selton Mello, Fernanda Montenegro, Matheus Nachtergaele e Flávio Migliaccio, e das filhas Ana e Bel Kutner. Com a proposta, os cineastas não apenas driblam eventuais dificuldades técnicas, como completam o discurso das mil faces de Paulo José a serem descobertas e reverenciadas pelo público.

Todos os Paulos do Mundo (2017)

Duração: 89 min | Classificação: 14 anos

Direção: Rodrigo de Oliveira e Gustavo Ribeiro

Roteiro: Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira

Elenco: vozes de Paulo José, Joana Fomm, Milton Gonçalves, Helena Ignez, Selton Mello, Fernanda Montenegro, Matheus Nachtergaele, Flávio Migliaccio e Bel Kutner (veja mais no IMDb)

Produção: Bananeira Filmes

Distribuição: Vitrine Filmes (Sessão Vitrine Petrobras)

 

 

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