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MOSTRA SP 2017 | Repescagem da 41ª Mostra

02/11/2017

O encerramento foi ontem (veja a lista de vencedores), mas os mostreiros já sabem que a Mostra ainda não terminou e que têm uma segunda chance de conferir aquele filme que não conseguiu encaixar na sua programação antes com a Repescagem da 41ª Mostra. Entre os destaques, estão a animação Com Amor, Van Gogh (2017), sobre e com o estilo do pintor, que ganhou o Prêmio do Público de melhor ficção internacional nesta edição; e a nova perversão do grego Alexandros Avranas em Não Me Ame (2017); além de outros filmes que despertaram o nosso olhar durante esta cobertura: Custódia (2017), premiado pela crítica no evento, A Trama (2017) e O Motorista de Táxi (2017).

 

Veja a programação completa e alguns destaques da Repescagem da 41ª Mostra:

02/11/2017 – QUINTA

 

Sessão 2018 - 15:00

NÃO ME AME (LOVE ME NOT), de Alexandros Avranas (99'). FRANÇA, GRÉCIA. Falado em grego. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 anos.

 

 

Não Me Ame é um filme extremamente cruel. Punindo seus personagens às vezes pelo simples prazer de punir, o filme de Alexandros Avranas, do elogiado Miss Violence (2013), possuí um enredo intrigante: um casal contrata uma jovem imigrante – mais uma vez este tema aparecendo nesta Mostra – como barriga de aluguel, mas logo revelam-se outras intenções por trás desta escolha.


Eficiente em construir tensão e incitar o interesse inicial, Avranas não demora para situar espectador no momento em que seus personagens, que não possuem nome, se encontram. "Estou pronta", diz a mulher, antes de bater na porta do apartamento em que a jovem que será a barriga de aluguel está hospedada. A casa quase não possui mobilhas e é possível ouvir casais transando nos cômodos ao lado. Quando a jovem chega pela primeira vez na casa do casal, grande, cara e com música clássica tocando ao fundo, tem-se um momento de epifania, como se ela – que é quase um símbolo do pecado – já pensasse de que forma pode se aproveitar dessas pessoas. No entanto, é a garota quem deve tomar cuidado.

 

A falta de humanidade é visível. As condições da gravidez são repassadas de forma burocrática. Falam-se de contratos, pagamentos e cláusulas. "Se eu tiver gêmeos recebo em dobro?", pergunta de forma ácida, num claro desconforto de quem está sendo obrigada a se colocar numa situação de submissão na qual não gostaria de participar caso não precisasse do dinheiro. É o refúgio dentro do refúgio.


O que se insinua como um thriller sensual onde o marido é seduzido pela garota mais nova logo recebe uma reviravolta, e a produção vai para caminhos extremos. Mesmo que tenha a clara intenção de tecer um comentário sobre as formas de submissões e de refúgio da mulher – a que sempre fica com o fardo, a que sempre se arrisca, a que sempre é punida –, Avranas parece se confundir com isso, prolongando planos de sofrimento envolvendo tortura à esposa para deixar o espectador com repulsa e desconforto, como na imagem em que a mulher é, literalmente, colocada na coleira por um dos personagens, se submetendo ao estado primal em dor.

 

Ao final, o dilema moral é dado ao homem. A punição feminina vem com ironia, e a esperança acaba conforme pneus de carro cantam na rua. Esta é mais uma produção que aborda privilégios burgueses, refugiados e o papel da mulher na sociedade, porém, a impressão que fica é a do perverso pelo perverso, do choque pelo choque. Às vezes tal recurso é necessário, mas, em Não Me Ame, ele acaba soando gratuito e a força da mensagem que Avranas quer passar acaba sendo inversamente proporcional às imagens de sofrimento que retrata.

 

Sessão 2022 - 17:00

O JOVEM KARL MARX (LE JEUNE KARL MARX), de Raoul Peck (118'). ALEMANHA, FRANÇA, BÉLGICA. Falado em alemão, francês, inglês. Legendas em português. Indicado para: 12 anos.

 

Sessão 2024 - 19:20

A TRAMA (L'ATELIER), de Laurent Cantet (114'). FRANÇA. Falado em francês. Legendas em português. Legendas eletrônicas em inglês. Indicado para: 14 anos. Haverá debate após a sessão.

 

É catártico o fato de que o francês A Trama, o mais novo filme do diretor Laurent Cantet – diretor vencedor da Palma de Ouro em Cannes por seu Entre os Muros da Escola (2008) – e filme que encerra a 41ª Mostra de Cinema em São Paulo funcione parcialmente como um amálgama de vários temas e produções vistas ao decorrer desta cobertura. Há a rebeldia adolescente como escalada para a tragédia de O Rebanho, o processo criativo como extravasão de perigosos demônios internos de Scary Mother, os fantasmas de crises políticas e de refúgios físicos e emocionais como raízes para a decadência social, racismo e intolerância – e como isso afeta as novas gerações – vistos em produções como Human Flow, 3 Anúncios Para o Crime, O Vento Sopra Onde Quer e Sexo, Piedade e Solidão, assim como a violência que explode com isso, vista por telas de aparelhos de Happy End. Se esta obra não possui a complexidade de muitas citadas aqui, ela ao menos traça um diálogo agridoce que fecha bem estes temas.


Iniciando sua narrativa numa tela de videogame, estamos, já no início, na mente do enigmático Antoine (Matthieu Lucci), indivíduo que compõe um grupo de estudantes deslocados, de diversas etnias e classes sociais, selecionados para um workshop ministrado por Olivia (Marina Foïs), uma escritora de sucesso. O objetivo: escrever, em grupo, um thriller, conectando-o à decadência de uma cidade outrora próspera, devido aos seus grandes portos de construções de navios, seja para transporte de mercadorias, lazer, pesca ou militar. É nessa germinação de ideias e no meio deste processo criativo que Antoine se destaca, expondo suas visões extremas de mundo e transcrevendo suas ânsias sociopáticas em sua escrita, que envolve assassinatos em massa do ponto de vista de seu algoz. É nesse cenário que Olivia se vê, ao mesmo tempo, assustada e fascinada por Antoine.


Conduzida como um enorme conflito que se desdobra, e se resolve, na comunicação, Cantet utiliza as reuniões em grupo destes alunos para expor suas visões de mundo intrigantes. Opiniões racistas e políticas se misturam em meio a acaloradas discussões de uma juventude prestes a se perder, enquanto o diretor realiza um intricado estudo de personagem com Antoine. Desde suas obsessões pelo primor físico tão comuns com o narcisismo habitual de um sociopata a suas sessões de videogame, em que acompanha os gameplays de Antoine através de monitores de computadores e televisões. Mais do que a tentativa de elaborar um discurso panfletário sobre os malefícios desses videogames, Cantet parece mais interessado no íntimo, nas relações sociais do problemático jovem.


O interesse é refletido em Olivia, que demonstra um fascínio temeroso por Antoine, que cresce junto com uma suposta tensão sexual entre ambos, ainda que ela negue este fato para o mesmo. Após uma discussão mais acalorada entre ambos, quando o jovem aponta defeitos na escrita de sua professora, ela o expulsa da aula, claramente atingida por aquelas palavras. Por acreditar nelas, talvez, Olivia pede a ajuda de Antoine para um de seus projetos. O que a escritora também parece negar a si mesma, no entanto, é o fato de estar, a seu próprio modo, usando Antoine, estimulando as perigosas ideias do aluno para extrair suas próprias inspirações em relação a sua escrita. Tal estímulo carrega uma desonestidade e falta de responsabilidade preocupantes, e não tarda para que Olivia acabe colhendo os frutos dessas incitações.


Se muitos podem acusar o clímax do filme como uma entrega preguiçosa ao próprio gênero do thriller, abandonando as discussões de ideias e caminhando para um desfecho mais usual, isso pode representar uma ingenuidade em relação aos temas abordados. Ao se entregar a essência deste gênero, Cantet encontra a catarse. Os elementos estão lá: a arma, o sequestro, os jogos mentais de gato e rato. O thriller que Olivia escreve com os alunos sobrepuja as páginas e ganha vida. No mais, pode-se apontar também que o clímax desta história não vem com a materialização da violência – que possui a bela, trágica e poderosa imagem do jovem atirando contra a lua –, e sim no texto – ou melhor, confissão –  final de Antoine e do diretor de A Trama, que fecha seu filme, e a 41ª Mostra de SP, com o elemento mais necessário no melancólico e desumano mundo atual: o diálogo.

 

Veja o trailer

 

Sessão 2020 - 22:00

LEGALIZE JÁ (LEGALIZE JÁ), de Johnny Araújo, Gustavo Bonafé (95'). BRASIL. Falado em português. Legendas em inglês. Indicado para: 16 anos.

03/11/2017 – SEXTA

 

Sessão 2026 - 15:00

O UNIVERSO DE JACQUES DEMY (L'UNIVERS DE JACQUES DEMY), de Agnès Varda (90'). FRANÇA. Falado em francês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 anos.

 

Sessão 2028 - 16:50

AOS TEUS OLHOS (AOS TEUS OLHOS), de Carolina Jabor (90'). BRASIL. Falado em português. Indicado para: 16 anos.

 

Sessão 2030 - 18:45

COM AMOR, VAN GOGH (LOVING VINCENT), de Dorota Kobiela, Hugh Welchman (94'). POLÔNIA, REINO UNIDO. Falado em inglês. Legendas em português. Indicado para: 12 anos.

 

 

As afirmações de que Com Amor, Van Gogh, o escolhido do público da 41ª Mostra de Cinema em São Paulo na categoria Melhor Filme Internacional de Ficção, é uma obra de estilo sobre substância não são infundadas. O filme de Dorota Kobiela e Hugh Welchman provavelmente passaria despercebido se não recebesse a alcunha de "primeiro filme feito inteiramente com pintura a óleo". No entanto, se o roteiro do filme é realmente simplório, essa estética consegue se provar mais do que uma muleta narrativa, acrescentando novas dimensões à história que é contada e atribuindo expressividade às imagens retratadas.


Utilizando o estilo de Van Gogh para tal, numa técnica próxima a rotoscopia (sobreposição de animação em filmagem com atores reais), a história se passa alguns meses após o suposto suicídio do pintor (vivido aqui por Robert Gulaczyk), acompanhando o jovem Armand Roulin (Douglas Booth) numa jornada à cidade natal do artista, com o objetivo de entregar uma carta do falecido pintor para seu irmão, Theo (Cezary Lukaszewicz). O que começa como uma simples viagem logo se torna uma investigação, quando Roulin começa a se questionar se Van Gogh realmente se suicidou. Em seu caminho, surgem figuras conhecidas dos trabalhos do pintor, gravadas no imaginário de sua obra.

 

Nunca falhando como experiência cinematográfica, Com Amor, Van Gogh utiliza sabiamente essa técnica – quadros pintados á mão por mais de 100 artistas – para conferir um tom onírico todo particular. Tendo consciência do possível desgaste que essa linguagem poderia causar se não fosse bem utilizada após o encantamento inicial, a diretora e o diretor a utilizam de forma sempre inventiva, com destaque para as sequências de flashback que possuem transições sempre elegantes e expressivas, colocando o público num mundo particular, mágico e vivo, literalmente: as cores estão sempre se movendo, o universo está sempre respirando. Tais momentos são embalados com as belas melodias do sempre excepcional Clint Mansell. Uma sequência de sonho em especial, onde Roulin se torna o atormentado pintor, merece atenção.


E já que se falou do tormento de Van Gogh, os que esperam uma desmistificação do artista, que tem momentos-chave de sua existência recontados, podem ficar decepcionados. A realidade é que esta nunca foi a intenção desta obra, que presta uma homenagem a esta intrigante e conturbada figura. Se Van Gogh foi assassinado ou não acaba não importando, no final. O mistério faz parte da magia; esse misticismo é fator essencial na própria existência deste projeto e é esta a lição que o jovem e apaixonado protagonista acaba aprendendo. Mais do que uma homenagem vazia, Com Amor, Van Gogh consegue dizer muito mais sobre a arte, a forma que a enxergamos e tentamos reproduzi-la do que o esperado inicialmente.

 

E essa reprodução é constante. O Doutor Gachet do sempre ótimo Jerome Flynn copia incessantemente as obras de Van Gogh, não para receber créditos ou algo do tipo. Como a técnica usada neste filme, é mais um manifesto: ao deixar que esse estilo seja filtrado por suas mãos e transposto para a tela – às vezes pelo simples prazer de sentí-lo –, ele permanece vivo. É uma sensação compartilhada por Gatchet e seus diretores.


Com um emocionante fechamento embalado ao som de Starry Starry Night, na voz de Lianne La Havas – uma escolha previsível, mas inegavelmente bela –, Com Amor, Van Gogh é um título que serve também para as intenções dos realizadores desta produção, que entregam uma apaixonada carta de amor ao pintor e sua obra. E A Noite Estrelada, pintada no quarto do hospício no qual Van Gogh encontrava-se na época, que se materializa diante de nós ao seu final, envia o espectador para fora da sala com uma sensação quente em seu peito, contrariando as cores predominantementete frias retratadas naquela tela.

 

Veja o trailer

 

Sessão 2032 - 20:45

THE SQUARE (THE SQUARE), de Ruben Östlund (142'). SUÉCIA, ALEMANHA, FRANÇA, DINAMARCA. Falado em inglês, sueco, dinamarquês. Legendas em português. Indicado para: 14 anos.

04/11/2017 – SÁBADO

 

Sessão 2034 - 15:00

EM NOME DA AMÉRICA (EM NOME DA AMÉRICA), de Fernando Weller (96'). BRASIL. Falado em português, inglês. Legendas em português. Indicado para: Livre.

 

Sessão 2038 - 17:00

TUDO É PROJETO (TUDO É PROJETO), de Joana Mendes da Rocha, Patricia Rubano (74'). BRASIL. Falado em português, inglês. Legendas em português. Indicado para: Livre.

 

Sessão 2040 - 18:30

O AMANTE DE UM DIA (L'AMANT D`UN JOUR), de Philippe Garrel (76'). FRANÇA. Falado em francês. Legendas em português. Indicado para: 14 anos.

 

Sessão 2036 - 20:10

VISAGES, VILLAGES (VISAGES, VILLAGES), de JR, Agnès Varda (89'). FRANÇA. Falado em francês. Legendas em português. Indicado para: 10 anos.

 

Sessão 2042 - 22:00

CUSTÓDIA (JUSQU'À LA GARDE), de Xavier Legrand (93'). FRANÇA. Falado em francês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 anos.

 

As relações entre julgamento e culpa que o angustiante Custódia, vencedor dos prêmios de Melhor Direção e Melhor Primeiro Filme no Festival de Veneza, coloca na mesa dialogam menos com seus personagens e mais com nós mesmos.


Ambientando sua primeira cena na audiência que dá título ao filme, a da custódia do jovem Julien (Thomas Gioria), o diretor estreante em longas-metragens, mas com um curta indicado ao Oscar, Xavier Legrand, nos coloca numa situação de julgamento. Acompanhamos os argumentos da mãe de Julien, Miriam (Léa Drucker) e de seu pai, Antoine (Denis Ménochet). O elefante na sala: Miriam quer a guarda completa de Julien, que deixa bem claro em sua carta – estranhamente formal – de que não possui desejo algum de ver seu pai, alegando agressões à sua irmã mais velha, Joséphine (Mathilde Auneveux). A juíza que toma conta do caso é incisiva: "vamos ver qual de vocês é o menos mentiroso".


Posicionando inteligentemente tal cena já em sua introdução, Legrand nos coloca desde o início em estado de alerta, analisando as ações seguintes superficialmente a fim de identificar, afinal, quem está certo nessa situação. Não tarda, no entanto, para constatarmos o incontestável e nos sentirmos culpados por duvidar da situação e daqueles relatos em primeiro lugar, numa narrativa realista e precisa em suas construções de tensão, em seus retratos do abuso emocional, físico e mental que Julien, sua mãe e sua irmã são sujeitados.


O mal estar acaba sendo, então, coletivo. Ao nos situar constantemente à partir do ponto de vista de Julien, o diretor nos obriga à presenciar, de forma íntima, o estrago emocional e psicológico imposto sobre ele, com closes extremos e desconfortáveis que só são elevados pela excelente atuação do jovem Thomas Gioria. De certa forma, a curiosidade do espectador pela reviravolta, pela catarse, pela expectativa de uma resolução cinematográfica acaba nos condenando, também ao abuso. Não há nada de cinematográfico na abordagem que Legrand adota. Ao concedermos a nós mesmos a dúvida, ao deixarmos que Antoine entre na vida daqueles personagens e de certa forma em nossa própria, independente dos sinais, acompanhamos o triste e violento desenrolar de eventos com a sensação de culpa.

 

O que resta, no final, é a nossa renegação ao mero testemunho, o ouvinte, o espectador da tragédia, como a senhora do apartamento que aparece em três momentos distintos. O nó na garganta e a sensação de exaustão que nos acompanha na saída vem com o derradeiro plano final: a porta que se fecha diante de nós, os juízes, ocultando uma cena de dor irreparável que poderia ter sido evitada se tivéssemos enxergado o que esteve sempre em nossa frente.

 

Veja o trailer

05/11/2017 – DOMINGO

 

Sessão 2046 - 15:00

ZOMBILLENIUM (ZOMBILLENIUM), de Arthur de Pins , Alexis Ducord (80'). FRANÇA, BÉLGICA. Falado em francês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: Livre.

 

Sessão 2048 - 16:40

MEU TIO E O JOELHO DE PORCO (MEU TIO E O JOELHO DE PORCO), de Rafael Terpins (76'). BRASIL. Falado em português. Indicado para: 18 anos.

 

Sessão 2052 - 18:20

UMA ESPÉCIE DE FAMÍLIA (UNA ESPÉCIE DE FAMÍLIA), de Diego Lerman (95'). ARGENTINA, BRASIL, POLÔNIA, FRANÇA. Falado em espanhol. Legendas em português. Indicado para: 14 anos.

 

Sessão 2044 - 20:15

O PACTO DE ADRIANA (EL PACTO DE ADRIANA), de Lissette Orozco (96'). CHILE. Falado em espanhol, inglês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: Livre.

 

Sessão 2050 - 22:15

9 DEDOS (9 DOIGTS), de F.J. Ossang (90'). FRANÇA. Falado em francês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 anos.

06/11/2017 – SEGUNDA

 

Sessão 2054 - 15:00

MESSIDOR (MESSIDOR), de Alain Tanner (130'). SUÍÇA, FRANÇA. Falado em francês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 anos.

 

Sessão 2056 - 17:30

NA CIDADE BRANCA (DANS LA VILLE BLANCHE), de Alain Tanner (107'). SUÍÇA, PORTUGAL. Falado em alemão, francês, português. Legendas em português. Indicado para: 16 anos.

 

Sessão 2058 - 19:40

JONAS QUE TERÁ VINTE E CINCO ANOS NO ANO 2000 (JONAS QUI AURA 25 ANS EN L'AN 2000), de Alain Tanner (110'). SUÍÇA. Falado em francês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 anos.

 

Sessão 2060 - 21:50

JONAS E LILA, ATÉ AMANHÃ (JONAS ET LILA À DEMAIN), de Alain Tanner (120'). FRANÇA, SUÍÇA. Falado em francês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 anos.

07/11/2017 – TERÇA

 

Sessão 2062 - 15:00

A SALAMANDRA (LA SALAMANDRE), de Alain Tanner (128'). SUÍÇA, FRANÇA. Falado em francês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 anos.

 

Sessão 2064 - 17:30

YONLU (YONLU), de Hique Montanari (90'). BRASIL. Falado em português, inglês. Legendas em português. Indicado para: 14 anos.

 

Sessão 2068 - 19:20

O MOTORISTA DE TÁXI (TAEKSI WOONJUNSA), de Jang Hoon (137'). CORÉIA DO SUL. Falado em coreano, inglês. Legendas em português. Indicado para: 16 anos.

 

Quando conhecemos o nosso protagonista, O Motorista de Táxi do título, vivido pelo ótimo Kang-Ho Song, ele canta, animado e dançante, uma música romântica que toca na rádio, enquanto dirige seu táxi para pegar o próximo passageiro. Não seria, no entanto, um bon vivant: viúvo, endividado e com uma filha pequena para criar, o motorista é, na verdade, o esteriótipo do taxista rude, mal informado e pão duro, que se preocupa apenas se receberá cada centavo da corrida de cada dia. A difícil rotina deste taxista da ilha de Seul muda, no entanto, quando ele é contratado – ou melhor, quando ele rouba a oportunidade de outro taxista – por um jornalista alemão, Peter (Thomas Kretschmann), para levá-lo até a cidade de Gwangju por um preço absurdo que o fará quitar suas dívidas. O que o taxista não sabe, no entanto, é que o local está em estado de lei marcial e os cidadãos, liderados por um grupo de estudantes, estão reivindicando sua liberdade no ato chamado de Revolta de Gwangju, evento real que aconteceu na Coreia do Sul, em maio de 1980.


Representante sul-coreano no Oscar, O Motorista de Táxi possui todas as características intrínsecas ao cinema do país, como uma dramaticidade elevada predominante, um passeio pela comédia, aventura, drama e suspense, e uma expressividade visual muito característica. Desta forma, o filme do diretor Hun Jang opera realmente como um grande épico. Se esse possível melodrama incomoda em partes, ele consegue ao mesmo tempo passar uma sensação de autenticidade justamente por elementos culturais, pela sensação de honestidade com o próprio estilo.


As situações surreais que partem da premissa ancorada em eventos verídicos não prejudicam o todo, já que o diretor e seus montadores, Kim Sang-Bum e Kim Jae-Bum, sabem quando dar atenção aos momentos mais pesados, como os confrontos de manifestantes contra os militares, que são fotografados por Go Nak-Seon sem o mesmo dinamismo das outras cenas, de uma forma quase documental que confere essa verossimilhança. É uma pena que em seu longo clímax o filme se renda a clichés tão óbvios e – novamente – típicos de produções sul-coreanas, que são extrapoladas mesmo neste tipo de cinema, e aí a situação real e densa se perca nas fantasias cinematográficas do espetáculo que seu diretor constrói.

 

O que se sobressai, no entanto, é a jornada de seu protagonista, assim como a relação que é construída com o jornalista alemão. Numa produção que se presta a todo instante a ressaltar a falta de comunicação de várias formas, é catártico quando laços são formados, e o momento de respiro no qual estes personagens têm a oportunidade de simplesmente dar risada e relaxar na casa de um dos habitantes de Gwangju é belo. Momento que é abruptamente interrompido por um tiro, numa das transições efetivas entre dois tipos de realidade.


O Motorista de Táxi é melodramático. Daquelas produções exageradas que utilizam um tragédia real como impulso para uma jornada de personagem mais básica. É nessas sensibilidades tão características de seu lugar de origem, no entanto, que ele consegue achar sinceridade, com atuações genuinamente emocionantes, principalmente de sua dupla principal, vivida por Kang-Ho Song e Thomas Kretschmann, e momentos que pregam aquela mensagem da empatia e da liberdade de expressão vista algumas vezes nesta Mostra. Às vezes, o arroz e feijão do melodrama funciona.

 

Veja o trailer

 

Sessão 2066 - 22:00

MULHERES DIVINAS (DIE GÖTTLICHE ORDNUNG), de Petra Volpe (96'). SUÍÇA. Falado em suíço alemão. Legendas em português. Indicado para: 14 anos.

08/11/2017 – QUARTA

 

Sessão 2070 - 15:00

ABAIXO A GRAVIDADE (ABAIXO A GRAVIDADE), de Edgard Navarro (109'). BRASIL. Falado em português. Legendas em inglês. Indicado para: 16 anos.

 

Sessão 2072 - 17:10

AMANTES NO MEIO DO MUNDO (LE MILIEU DU MONDE), de Alain Tanner (120'). SUÍÇA, FRANÇA. Falado em francês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 anos.

 

Sessão 2074 - 19:30

O BEIJO NO ASFALTO (O BEIJO NO ASFALTO), de Murilo Benício (98'). BRASIL. Falado em português. Legendas em inglês. Indicado para: 12 anos.

 

Sessão 2012 - 21:30

PEQUENAS ASAS (TYTTÖ NIMELTÄ VARPU), de Selma Vilhunen (100'). FINLÂNDIA, DINAMARCA. Falado em finlandês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 12 anos.

 

*Programação sujeita a alterações.

 

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