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LINO | Uma animação à brasileira (até a cena dois)

08/09/2017

 

Justamente neste patriótico Sete de Setembro, estreia o terceiro filme da StartAnima, produtora de animação brasileira que se arrisca neste tão escasso terreno do gênero no país. Depois de Grilo Feliz (2001) e Grilo Feliz e os Insetos Gigantes (2009), é a vez de Lino (2017) tentar firmar a animação nacional para o grande público, pois os longas nacionais entram ocasionalmente no circuito comercial e a produção de curtas fica restrita às plateias de festivais – sendo que o Brasil tem um dos festivais mais importantes do mundo neste segmento, o Anima Mundi.

 

Os cinéfilos e espectadores interessados em assistir uma animação com o selo made in Brazil logo verão que a história do rapaz azarado que se transforma no gato da fantasia que usa em seu trabalho mal remunerado de animador de festas em um buffet infantil parece com os filmes hollywoodianos do gênero. No bom sentido, isso quer dizer que a qualidade técnica do longa de Rafael Ribas se equipara à produção internacional em um visual encantador e vívido para as crianças e seus acompanhantes adultos. Por outro lado, está o seu principal incômodo na sua ambientação muito americanizada e que perde seu tempero tupiniquim.

 

Logo na abertura, a cidade colorida, sem nome e sem país onde vive Lino (Selton Mello) apresenta uma arquitetura semelhante a das metrópoles norte-americanas. Mas se o carro e os uniformes da polícia são também iguais aos dos Estados Unidos, o lugar também traz placas bilíngues, sendo algumas em português e outras em inglês. Para complicar ainda mais, a moeda que circula é o real brasileiro, enquanto os estereótipos utilizados navegam entre os locais, a exemplos dos indígenas, e os de lá, com os policiais típicos de comédias “enlatadas”. Provavelmente, a intenção da produção é tornar o filme palatável para o mercado internacional, mas a falta de uma identidade mais brasileira mina em certa parte a história, que quando bem estruturada, pode “conversar” regionalmente sem deixar de ser universal.

 

Esse é o outro azar de Lino, que se mostra muito irregular em sua narrativa. A trama principal em que o rapaz que ganha voz de Selton Mello – que aqui põe em prática de novo o seu talento de dublador que usou na adolescência – tenta voltar a ser humano, justamente com a ajuda de Don Leon (Luiz Carlos de Moraes), o charlatão que o transformou em sua própria fantasia, e a presença de uma pequena garotinha traz a dose de aventura, humor, drama e encanto que funciona nas animações. Mas os coadjuvantes sobram nesta conta: Dira Paes não consegue fazer muito dando voz à Janine, uma policial mal desenvolvida pelo roteiro que também não consegue se sobressair tendo colegas tapados ao seu lado nas cenas, com poucas piadas que provocam risos, enquanto Paolla Oliveira dubla Patty, que é caracterizada também como alguém pouco esperta para as ações de seu namorado, o vilão Vitor (Guilherme Lopes).

 

Em uma analogia com o próprio filme, Lino apresenta os mesmos altos e baixos que passam os carros na sua cena de perseguição, típica de desenhos animados da Hannah-Barbera e da Looney Tunes, mas, assim como o atrapalhado Don Leon, consegue abrir caminhos para a animação brasileira. Se a produção nacional já atingiu certo patamar técnico como o visto no trabalho capitaneado por Ribas, podemos mais facilmente desenvolver, em conjunto, histórias que não só entretenham timidamente, mas que alcancem o nível narrativo alçado pelo gênero mundialmente, de ser marcante e reflexivo até mesmo, e principalmente, para uma criança.

Lino (2017)

Duração: 127 min | Classificação: Livre

Direção: Rafael Ribas

Elenco: vozes de Selton Mello, Luiz Carlos de Moraes, Dira Paes, Guilherme Lopes e Paolla Oliveira

Distribuição: Fox Film do Brasil

 

 

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