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FESTIVAL DE CINEMA LATINO-AMERICANO 2017 | Cuba Jazz

28/07/2017

 

Exibido pela primeira vez no lugar que lhe serviu de ambiente de exploração, o documentário brasileiro Cuba Jazz (2016) passou pelo Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano em Havana, em dezembro passado, e agora faz suas estreias em terras brasileiras, como um dos destaques da 12ª edição do Festival de Cinema Latino-Americano. Na tela montada na Praça Cívica do Memorial da América Latina, em São Paulo, o principal ponto de interesse do longa de Max Alvim e Mauro di Deus para o público é conhecer as peculiaridades dessa variação do jazz, criado pelos negros nos Estados Unidos, que se tornou um gênero musical próprio em Cuba, um país conhecido pela sua frutífera cena musical, geradora de vários ritmos.

 

Ao escolher uma abordagem mais tradicional, o filme até comenta as origens dessa apropriação, mas, curiosamente, evita o didatismo de demonstrar a diferença rítmica entre o jazz cubano e o clássico. Através de entrevistas, a produção tenta desenhar um painel social de Cuba através do jazz, tratando da valorização da música no país, onde os músicos são capazes de viver de sua arte e orgulhosamente falam isso, mas também, por causa dessa política de valorização dos talentos nacionais e do isolamento insular – geográfico e político-econômico –, não conseguem trocar influências com o resto do mundo, ou mesmo da América Latina. No entanto, ao esboçar apresentar esse cenário histórico e sociocultural, não há um aprofundamento: é de se estranhar, por exemplo, o Buena Vista Social Club, o tradicional clube cubano que fomentaria a banda homônima, que ficara conhecida fora da ilha, principalmente pelo documentário também homônimo de Wim Wenders, de 1999, não ser citado em nenhum momento.

 

Primeiro longa do diretor de TV Alvim e do publicitário di Deus, falta em Cuba Jazz justamente a musicalidade na hora de filmar ou montar que é necessária em um filme musical, seja de ficção ou documentário. Apoiada em uma infinidade de depoimentos, em sua maioria, obtidas da maneira mais convencional possível – entrevistados sentados, falando para uma câmera que o capta em close up –, a obra os coloca como se fosse um coro que repetisse um verso, e depois o refrão e por aí vai, já que a montagem não escolhe as melhores falas, ou apresenta contrapontos nelas.

 

Ambos elementos também se mostram desentoados quando seguem para as apresentações musicais dos personagens de sua narrativa. A que está presente na abertura é aquela que mais demonstra as notas perdidas pela produção, pois se estende durante muito tempo no plano da baterista, que é uma das entrevistadas, enquanto desperdiça os solos do baixista, esquecido pelas câmeras, que também não captam os melhores ângulos do pianista. O melhor número gravado pela equipe brasileira é o de Bésame Mucho, não apenas pela ótima voz da cantora, mas por capturar e transmitir visualmente toda a alma entregue por ela e pelos músicos que a acompanham.

 

Sem uma proposta definida, a direção só aparece ao final, ao colocar os músicos entrevistados para tocarem juntos no terraço de um prédio. Depois disso, a montagem fecha o filme justapondo, de maneira videoclíptica, imagens das ruas de Cuba ao ritmo da música que encerra o retrato daquele país, deixando mais claro o quanto o tema poderia ser explorado render tanto ou mais do que estes minutos finais se Cuba Jazz fizesse apenas aquilo pelo qual o jazz é mais caracterizado: a improvisação.

Cuba Jazz (2016)

Duração: 85 min

Direção: Max Alvim e Mauro di Deus (veja + no site do festival)

Produção: Brasil

Sessões: Memorial da América Latina / Praça Cívica – 28/07/2017 às 20h30

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