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MEU MALVADO FAVORITO 3 | Um pulo ao passado na corrida sem fim dos Minions

29/06/2017

 

Quando Meu Malvado Favorito (2010) introduziu com sucesso a novata produtora norte-americana Illumination, após o presidente Chris Meledandri firmar parceria com a Universal e, depois, adquirir o estúdio de animação francês Mac Guff, no rol do gênero dominado pela Pixar/Disney e Dreamworks – que, desde o ano passado, também faz parte do grupo NBCUniversal –, foram os fiéis parceiros do protagonista que roubaram os holofotes, o foco comercial e a popularidade da franquia. Antes de terem um spin-off com o filme Minions (2015), os bichinhos amarelos de língua própria e ininteligível ganharam um jogo eletrônico que foi baixado em milhões de celulares e tablets.

 

E, tal qual a corrida desenfreada de Minion Rush, o terceiro capítulo cinematográfico da saga do quase vilão Gru (Steve Carell no original/Leandro Hassum no dublado) não só vê esses personagens se tornarem gigantes, a ponto da equipe criativa já não conseguir conectá-los tão bem à história, como também alterna movimentos repetitivos com novas atualizações, fases difíceis de passar ou bem divertidas. Resumindo, Meu Malvado Favorito 3 (2017) oscila entre momentos em que a franquia parece perder o fôlego e outros de sobrevida, no qual a produção encontra atrativos para o público infantil e também para os adultos continuarem interessados por aquele universo.

 

A animação segue a mesma estrutura de uma leve aventura travestida de trama de espionagem tecnológica com um coração que exalta os valores familiares. Se, no primeiro longa, Gru queria se tornar o maior vilão do mundo, mas é transformado pelo amor das três irmãs órfãs, passando depois a trabalhar na Liga Anti-Vilões e se apaixonar pela agente Lucy (Kristen Wiig/Maria Clara Gueiros), no segundo, agora ele e a esposa perdem o emprego, ao deixarem o perigoso e antiquado Balthazar Bratt (Trey Parker, um dos criadores do South Park/Evandro Mesquita), um criminoso conhecido pela sua obsessão pelos anos 1980, escapar do roubo de um diamante valiosíssimo. Além disso, ele descobre a existência de um irmão gêmeo, o quase idêntico, mas de cabelos loiros longos e sedosos, Dru (também com Carell e Hassum nas vozes).

 

Se o roteiro de Cinco Paul e Ken Daurio não aproveita a tensão inicial entre eles e aprofunda esta nova relação, também desperdiça outras frentes, como a de Lucy tentando se aproximar das meninas, especialmente da mais velha, Margo (Miranda Cosgrove/Bruna Laynes), que fica relegada a ser apenas o interesse de um garoto local, enquanto Edith (Dana Gaier/Ana Elena Bittencourt) nem ganha trajetória própria. A busca de Agnes (Nev Scharrel/Pâmela Rodrigues), como sempre, a personagem mais interessante e carismática de Meu Malvado Favorito, por um unicórnio de verdade se destaca na narrativa, mas esta ainda sofre por não ligar tão fluidamente as subtramas ao arco principal. Em uma “síndrome de Scrat”, os Minions têm praticamente um curta dentro do filme, ao fazerem uma greve e percorrerem um caminho totalmente diferente, tal qual o famoso esquilo de A Era do Gelo, que os leva até a uma audição no programa musical de Sing – Quem Canta Seus Males Espanta (2016), animação do mesmo estúdio.

 

Se a inocência e fofura de Agnes aqui ainda mantêm a essência do original, a grata adição à franquia do resgate aos anos 80 é uma arma de nostalgia para conquistar os pais na plateia. O armamento do vilão de mullet e ombreiras, aliás, é a síntese da década dos exageros: além de fazer batalhas de dança, Balthazar Bratt usa um keytar especial – o instrumento, também chamado de controlador, é uma mistura de guitarra, teclado e sintetizador a tiracolo – para derrubar seus inimigos com acordes de Jump, do Van Halen, e Money For Nothing, do Dire Straits. Ponto também para a trilha sonora composta por Pharrell Williams ao integrar esse ar oitentista a sua sonoridade, ao lado de clássicos da época e um pouco da música incidental do brasileiro Heitor Pereira, e para a dublagem brasileira por aproveitar a presença do ator e também vocalista da Blitz, Evandro Mesquita, fazendo piada com um verso do maior sucesso da banda, de 1982.

 

No entanto, esse cara tão preso aos anos 80 quer acabar com a “capital” da indústria do cinema e da TV norte-americana e essa é a melhor sacada na construção do personagem e do longa de Kyle Balda e Pierre Coffin. Não necessariamente pela destruição em si, pois Terremoto: A Falha de San Andreas (2015), O Exterminador do Futuro: A Salvação (2009) e até Sharknado (2013) já derrubaram os famosos letreiros de Los Angeles, mas pela fina e bem-vinda ironia de Bratt ter sido o astro de uma série de grande sucesso e, após se tornar mais um ator mirim esquecido por Hollywood, planejar manda-la para o espaço do jeito mais hollywoodiano possível.

Meu Malvado Favorito 3 (Despicable Me 3, 2017)

Duração: 90 min | Classificação: Livre

Direção: Kyle Balda e Pierre Coffin (codireção: Eric Guillon)

Roteiro: Cinco Paul e Ken Daurio

Elenco: vozes de Steve Carell, Kristen Wiig, Trey Parker, Miranda Cosgrove, Dana Gaier, Nev Scharrel, Pierre Coffin, Steve Coogan, Julie Andrews e Jenny Slate (veja + no IMDb) | Dublagem brasileira: Leandro Hassum, Maria Clara Gueiros, Evandro Mesquita, Bruna Laynes, Ana Elena Bittencourt, Pâmela Rodrigues, Marcio Simões, Marize Motta, Marcia Morelli e Cláudio Galvan

Distribuição: Universal Pictures

 

   

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