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REI ARTHUR – A LENDA DA ESPADA | Uma Excalibur mais poderosa, mas com menos magia

19/05/2017

 

Quando o irmão e braço direito do rei toma o poder em Camelot praticando não apenas um fratricídio, mas matando também a rainha e sua própria esposa, uma criança escapa do golpe, navegando rio abaixo em um barco. O garoto em questão é o famoso Arthur da lenda bretã, mas a sua construção como personagem vem de forma diferente nesta esta nova adaptação da figura mítica. Em uma sequência videoclíptica em que resume a infância e adolescência do protagonista em um bordel e nas ruas de Londinium, a antiga Londres dos tempos pós-romanos, Guy Ritchie imprime, como era de se esperar, o seu clássico cenário gângster que se tornou marca do cineasta responsável por Rei Arthur – A Lenda da Espada (2017).

 

O Arthur “vida loka” em questão, que aqui chega a aprender artes marciais chinesas em plena Bretanha medieval, é vivido por Charlie Hunnam, de Círculo de Fogo (2013) e da série Sons of Anarchy/Filhos da Anarquia (2008-2014). Mas a sua rotina nas ruas é modificada quando ele se envolve em uma confusão com os vikings, levando-o ao teste obrigatório para todo homem de sua idade no reino: tentar arrancar a lendária Excalibur da rocha a qual está presa há anos. Como já se sabe, o rapaz retira a poderosa espada cunhada apenas para o antigo monarca Uther Pendragon (Eric Bana, o Hulk de 2003) e sua linhagem, e seu perigoso tio Vortigen (Jude Law, que é o Watson nos Sherlock Holmes de Ritchie), que usurpou o trono de seu pai, descobre a identidade do “rei de nascença” que o povo tanto espera para escapar das mãos do tirano.

 

É através da Maga, interpretada por Astrid Bergès-Frisbey, de Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas (2011), que Arthur compreende o seu passado, ao ser convocado por ela a liderar uma revolução contra o rei Vortigen, ao lado de rebeldes, como os ex-nobres insatisfeitos Bedivere (Djimon Hounsou, de Gladiador, 2000) e o Bill (Aidan Gillen, que trabalhou ao lado de Hunnam em Queer As Folk, a série britânica original em que, de 1999 a 2000, seus personagens tiveram um caso).

 

Nenhum desses papéis que figuram no entorno do “Prometido” ganha desenvolvimento no roteiro que Ritchie escreveu ao lado de Joby Harold, de Awake: A Vida Por Um Fio (2007), e Lionel Wigram, parceiro dele no script de Sherlock Holmes (2009) e O Agente da U.N.C.L.E. (2015) – David Dobkin também elaborou o argumento. Já o messiânico protagonista até apresenta um arco interessante de uma luta interna contra suas limitações que o impedem de desenvolver todas as suas habilidades, além da necessidade de compreender as responsabilidades de sua posição frente a algo maior. Em contraponto, os diálogos rápidos típicos do cineasta estão presentes, entrecortados por flashes do passado ou do futuro, em alguns dos momentos mais enérgicos do longa.

 

Isso porque as outras cenas de ação, em geral, são repletas de elementos de magia, explorados de modo pirotécnico pelo diretor desde a sequência inicial, que já introduz, além do uso intensivo do 3D, elefantes gigantes como um dos monstros fantásticos que irão aparecer, mas que não tornam mágica a nova visão da lenda. Em parte, o design de produção e efeitos visuais conferem a eles um aspecto mais próximo a gráficos de videogame, enquanto o roteiro também não colabora em oferecer uma base e verossimilhança para a ação destes componentes – e deixa lacunas, como o fato da Maga ter tantos poderes e não aniquilar ela mesma o grande inimigo quando tem a oportunidade.

 

Outro fator que não pode ser ignorado é a saturação do mercado com produções semelhantes. A abordagem mais violenta de contos, mitos e histórias clássicas se tornou uma linha de produção em série em Hollywood em busca de lucro, há alguns anos, quando o próprio Sherlock Holmes de Guy Ritchie vinha com esse selo da reimaginação pós-moderna. Depois de tantas tentativas que lideraram bilheterias ou foram fracassos e da visão medieval fantástica ganhar contornos específicos com a série Game of Thrones (2011-), o novo Rei Arthur perde a chance de se destacar por esse “olhar original”, que já não pode mais carregar este adjetivo.

 

A originalidade mesmo fica a cargo da trilha sonora de Daniel Pemberton, na mistura de música celta e toques de guerra, com espaço para elementos de metal e grime, como em Growing Up Londinium. Mas só isso, um elenco afinado e alguns bons momentos não têm sido suficientes para conquistar o público, que em outros tempos poderia se empolgar com o filme, mas agora faz a produção amargar resultados pífios nas bilheterias. Por isso, várias perguntas deixadas por esta história – a maga sem nome seria Guinevere? Onde está Merlin, que é apenas citado? E Lancelot, que nem isso é? Virá quando a Távola Redonda estiver completa?... – pensando em uma possível sequência, provavelmente ficarão sem respostas.

Rei Arthur – A Lenda da Espada (King Arthur: Legend of the Sword, 2017)

Duração: 126 min | Classificação: 14 anos

Direção: Guy Ritchie

Roteiro: Joby Harold, Guy Ritchie, Lionel Wigram e David Dobkin

Elenco: Charlie Hunnam, Astrid Bergès-Frisbey, Jude Law, Djimon Hounsou, Eric Bana, Aidan Gillen e Neil Maskell (veja + no IMDb)

Distribuição: Warner Bros. Pictures

 

 

   

 

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