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PASSAGEIROS | Uma Bela Adormecida sem as leis da gravidade

06/01/2017

Foto: Divulgação

 

Se, no dia-a-dia, já é horrível acordar antes da hora planejada – você pode tentar voltar a dormir, mas geralmente o sono não é mais o mesmo –, imagine despertar no meio de uma viagem espacial, 90 anos antes de chegar ao seu destino. É o que acontece com os personagens de Chris Pratt e Jennifer Lawrence, por diferentes razões, na superprodução Passageiros (2016).

 

A instigante premissa do roteiro de Jon Spaihts o fez figurar por muitos anos na Blacklist de Hollywood, a lista dos “melhores scripts não produzidos”. Porém, só agora se vê que o motivo para a história com fundo de ficção científica ter hibernado por tanto tempo não era apenas as dificuldades de produção, mas sim o fato do roteirista desperdiçar o potencial dela em um errôneo desenvolvimento da trama – tal qual o filme faz com o ator Andy Garcia e sua participação muda, mais rápida que um “snap”.

 

O longa abre com a nave Avalon atravessando uma chuva de meteoros e, logo um defeito em uma das cápsulas de hibernação faz com que Jim Preston (Chris Pratt) desperte aos 30 anos de viagem, faltando o triplo para seu fim, quando os cinco mil passageiros devem desembarcar em uma distante colônia espacial, onde alguns seres humanos vivem para fugir da superpovoada Terra. Já o objetivo do mecânico é ser, e se sentir, útil no planeta “em construção”.

 

O primeiro ato, em que ele está sozinho na espaçonave, explorando as possibilidades oferecidas por este cruzeiro intergaláctico – já que o programado é que os passageiros saiam da hibernação três meses antes de alcançarem o seu destino, para readaptação – e os pesares de sua solidão, se mostra bem promissor. Mesmo sendo o único personagem na tela, sem contar, é claro, o ótimo bartender androide, Arthur (Michael Sheen), Jim se mostra interessante o suficiente para entreter o público, até quando um dilema moral se apresenta em seu caminho. Só que depois, a narrativa perde seu gás, tanto pela mudança de tom quanto pelo o que isso implica.

 

A bela que dorme, a jornalista Aurora Lane (Jennifer Lawrence), também acorda para ser, como seu próprio nome indica, o despertar de uma nova fase para o mecânico naquele lugar. Pelo menos, é o que pensa Jim e o próprio filme ao tentar justificar as atitudes dele. Como os dois únicos passageiros fadados a viver e morrer naquela nave, não demora muito para a escritora aceitar os galanteios de seu companheiro de viagem e começar um romance com ele. No entanto, por mais que os atores e a trilha sonora tentem, a química do casal não funciona, especialmente para quem já pega certo ranço pelo modo como a obra aborda a resolução de tal dilema, ou melhor, as consequências da decisão de Jim.

 

Não ajuda o fato de Morten Tyldum, que fez um bom trabalho na direção de O Jogo da Imitação (2014), se deslumbrar pelas possibilidades visuais da história sem prestar atenção nela própria. Com os efeitos especiais empregados, o cineasta norueguês tem seu melhor e mais original momento em uma cena na piscina. E, se acerta ao trazer uma leve crítica social em relação às divisões de classe com as diferenças do pacote básico de Jim e premium de Aurora, falha ao desenvolver esses personagens, especialmente ao não conseguir transmitir o isolamento deles através da câmera e de sua mise-en-scène, preferindo sempre os planos próximos.

 

Se o ritmo volta ao acontecer uma reviravolta e o, antes, apenas romance espacial ganha tons mais dramáticos, logo o roteiro se deixa levar por soluções fáceis. Assim, a falta de gravidade que atinge literalmente a Avalon, em uma de suas falhas, também ocorre de modo figurado, quando Passageiros releva questões graves e torna um mau funcionamento, seja de uma nave ou de um relacionamento, em uma simples pedra no caminho.

Passageiros (Passengers, 2016)

Duração: 116 min | Classificação: 12 anos

Direção: Morten Tyldum

Roteiro: Jon Spaihts

Elenco: Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Michael Sheen e Laurence Fishburne (veja + no IMDb)

Distribuição: Sony Pictures

 

 

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