• Nayara Reynaud

LESTE OESTE | Sem Norte


Depois de se estabelecer em uma prolífica e premiada carreira como curta-metragista, Rodrigo Grota deu seus primeiros passos no mundo dos longas-metragens com Leste Oeste (2016). Exibido quatro anos atrás no Cine PE, o filme do cineasta natural de Marília, cidade do interior de São Paulo, mas que realizou seus estudos e produção em Londrina, no Paraná, conquistou os prêmios de Melhor Ator para Felipe Kannenberg e Atriz para Simone Iliescu naquela 20ª edição do festival recifense. Os dois interpretam, respectivamente, Ezequiel, o piloto em final de carreira que retorna a sua cidade natal, e Stela, seu amor não resolvido do passado, tal qual a relação do protagonista com Angelo (José Maschio), uma figura paterna que lhe tolhe desde a juventude, e o fantasma não-adormecido do irmão morto em um acidente que ainda o intriga.

O baixíssimo orçamento da produção, até para os padrões brasileiros – o custo foi de apenas R$ 140 mil –, não afeta seus aspectos técnicos. Na realidade, o rigor estético aplicado por Grota já em seus curtas se repete em seu début e em nada denota detalhes orçamentários. O problema aqui se encontra fora de qualquer questão de valores, mas naquilo que é o cerne de qualquer filme: a sua narrativa.

Joga-se desde o início com a ideia de que a vida é cíclica; então, assim como um piloto que passa diversas vezes pelo mesmo circuito, as pessoas voltam aos mesmos desafios e erros. Algo traduzido na escolha por uma direção de arte com elementos nostálgicos que criam uma incerteza quanto aos tempos em que se passam a história. Por isso, é fácil pensar, em um primeiro momento, que o adolescente Pedro (Bruno Silva) seria, de fato, a versão mais jovem de Ezequiel, não apenas a metáfora a qual o filho de Stela e também piloto serve, como um dos fantasmas deste passado que nunca é revelado, somente rememorado em escassas palavras. O minimalismo adotado pode evitar o didatismo, mas também gera muita confusão na cabeça do espectador, que demora a entender essa dinâmica entre os personagens no primeiro ato.

No entanto, Leste Oeste sofre mesmo com um roteiro engessado, especialmente nos diálogos, e uma direção evasiva, na sua essência que vai além do apuro estético. Se o automobilismo de pano de fundo e a trilha sonora rock, bem utilizada no longa, conferem a vaga impressão de liberdade, o filme, contudo, está tão preso em seu formalismo visual e de ideias, que se torna uma corrida que não provoca nenhuma emoção na torcida, já que os pilotos aqui não tem oportunidade de criar empatia com o público. Os atores pouco conseguem se libertar desta rigidez que torna falas e ações artificiais em certos momentos, enquanto o não-dito e os silêncios dessas figuras herméticas são pouco revelatórios: podem até levantar suspeitas sobre esse passado fantasmagórico, mas não de quem são realmente esses personagens.

Leste Oeste (2016)

Duração: 86 min | Classificação: 14 anos

Direção: Rodrigo Grota

Roteiro: Rodrigo Grota

Elenco: Felipe Kannenberg, Simone Iliescu, Bruno Silva, José Maschio, Edu Reginato, Filipe Garcia, Letícia Conde e Maria Cecília Guirado (veja + no IMDb)

Distribuição: Kinopus

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